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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O corpo e o espírito

richard-simonetti-menor
 – Então, Chico, como vai?
– O corpo vai mal. Eu vou bem.
Essa resposta do médium Francisco Cândido Xavier àqueles que o cumprimentavam e desejavam saber de sua saúde, precária nos últimos tempos, resume toda uma grandiosa filosofia de vida.
O corpo é apenas a máquina que usamos no trânsito pela carne. Diga-se de passagem, maravilhosa, perfeita em suas finalidades. Jamais os cientistas deixarão de encantar-se com esse incrível veículo de peças vivas, que nos faculta uma bolsa de estudos na escola da reencarnação.
De permeio, impõe-nos abençoado esquecimento do passado, a fim de que superemos paixões e fixações que precipitaram nossos desastres. Aqueles que evocam o esquecimento do passado para criticar a reencarnação não se dão conta de como é importante essa transitória amnésia. Seríamos esmagados pelo peso de nossas faltas, se delas tomássemos conhecimento.

Como enfrentaríamos a indispensável reconciliação com desafetos corporificados em filhos, pais, irmãos, cônjuge, se tivéssemos plena consciência dos males que nos infligimos mutuamente?
Como assumir sem traumas maiores a vida atual com justaposição de incontáveis personalidades que exercitamos, como um ator incapaz de superar o impacto emocional de todos os papéis que desempenhou ao longo dos anos?
Aqueles que apontam o esquecimento do passado como um libelo contra a reencarnação não se deram ao trabalho de meditar sobre as implicações de uma recordação em plenitude.
Viajantes da eternidade em trânsito pela Terra, em princípio usamos a máquina física como quem desfruta de um automóvel de quilometragem zero. A plenitude física ajuda-nos a enfrentar os desafios da jornada – escola, profissão, casamento, família, subsistência…
O problema está no uso indevido, nos arrastamentos, nas viciações, comprometendo a relação corpo/Espírito.
O comportamento de muitos, nessa fase, sugere inversão do breve diálogo com Chico Xavier, que abre estas considerações:
– Então, como vai?
– O corpo vai bem, o Espírito vai mal.
É lamentável. As pessoas perdem tempo, deixam de observar seus deveres, comprometem-se em desvios por correr demais nos arrastamentos da inconsequência.
Inexoravelmente, à medida que avança a quilometragem, desgasta-se o carro. É inevitável, dentro da programação biológica da raça humana, que se estende dos oitenta aos cem anos.
O depauperamento físico nos últimos tempos ajuda-nos a reduzir a velocidade, a conter o envolvimento com o imediatismo terrestre, preparando-nos para enfrentar o trânsito da morte.
No início ou no fim, imperioso sejamos sempre os condutores, sem excessos no princípio, nem desalento no fim. O carro suporta por algum tempo os maus tratos, mas, se não tomarmos cuidado, enfrentaremos uma relação penosa conjugando corpo/Espírito.
– Como vai?
– O corpo vai mal. O Espírito também.
Se formos motoristas cuidadosos, se não cometermos excessos, haveremos de manter o controle sobre ocarro, ainda que desgastado pelo uso. Conservaremos o bom ânimo e a alegria, mesmo quando estejamos avançando com dificuldade nos últimos quilômetros da jornada.
Para tanto, basta sustentar, acima de tudo, o empenho de aprender, combater mazelas, participar das lides da caridade, ajudar o próximo, cumprir nossos deveres, valorizar de forma consciente e esclarecida as oportunidades de edificação.
Nem arrastamento no início, nem desolação no fim. Sempre bem o Espírito imortal. Bem no início, quando o corpo tem plenitude de vitalidade.  Bem no fim, quando a máquina começa a ratear, anunciando que seu tempo útil está no fim.
Então poderemos repetir com Chico Xavier:
– O corpo vai mal, o Espírito vai bem!
Richard Simonetti

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