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quinta-feira, 9 de julho de 2015

Diário de um fantasminha


Você acredita que falar das coisas espirituais com as crianças pode ajudar a melhorar o mundo?
Adeilson Salles – Eu não tenho dúvidas quanto a isso. A educação que oferecemos aos nossos filhos ainda deixa muito a desejar. Um exemplo muito claro sobre nossa falta de habilidade é quando tratamos de um tema delicado e sério como a morte.
Quando morre alguém na família ou em nosso círculo de amizades, a grande maioria afasta a criança do evento doloroso pensando que está protegendo a criança. A atitude é equivocada, pois a criança e o jovem necessitam tomar contato com algo natural e que faz parte da vida, por mais que isso seja doloroso.

O contato com a vida é algo salutar na educação de uma criança, já que morrer é parte comum para todos nós. Muitos assuntos são tabus na relação pais e filhos e contribuem para que a criança cresça como um jovem alienado. O conhecimento de quem somos e da nossa fragilidade na vida nos dá um senso de mais humildade e responsabilidade perante a vida. Crianças e jovens bem informados e orientados serão adultos mais responsáveis com a própria vida.
Assim como os pais investem na formação acadêmica dos filhos, devem se preocupar com as coisas da alma, com as informações que fomentam o bem e auxiliam na construção do caráter. A educação acadêmica já demonstrou que, além do êxito profissional, não agrega valores ético-morais na formação de todos. As crianças e jovens necessitam de algo além da possibilidade de ascensão social para efetivamente experimentarem a felicidade relativa e possível aqui na Terra.
Diário de um Fantasminha me faz lembrar de um desenho animado que passava na televisão anos atrás: “Gasparzinho, o fantasma camarada”, um fantasminha que não queria assustar as pessoas. O personagem do seu livro também é assim?
Adeilson Salles – O nosso Fantasminha quer atenção e amor dos pais e amigos por se sentir invisível e desprezado por aqueles que ama. E depois que ele desencarna e não está mais diante dos olhos físicos das pessoas é que a história de fato começa, de forma muito emocionante e cativante. Bernardo, o Fantasminha, passa a ajudar os seus amigos e tenta protegê-los. Essa história é a primeira desse personagem adorável e ele apenas está começando a revelar do seu jeito muito especial as coisas da vida espiritual.
A humanidade passa por momentos muito complicados nesses tempos. Quais os assuntos abordados no livro que podem ajudar os pais e educadores de uma maneira geral?
Adeilson Salles – O livro é um alerta a todos educadores, quanto à necessidade de se priorizar a educação espiritual e a relação com as crianças. Não me refiro à educação acadêmica; meu objetivo com a história do Bernardo, o personagem principal, é ressaltar a necessidade de se conviver com nossas crianças e jovens.
Esse público leitor, assim como o Fantasminha (Bernardo), sofre as angústias desse tempo de abandono, que ocorre muitas vezes a partir do próprio lar. Grande parte das crianças e jovens tem suas necessidades materiais satisfeitas, mas sentem fome de carinho e atenção.
Ao me referir à educação espiritual, falo sobre a valorização do ser e da vida. O público infantojuvenil está carente de valores ético-morais, que ofereçam limites e apontem direção, e que principalmente transmitam segurança. Imagine uma criança ou jovem, que é “invisível” dentro da própria casa ou na escola? Os pais nunca têm tempo, e quando têm não conseguem enxergar o ser integral que tem necessidades além do tênis e da escola paga.
Existem pais que estão esquecendo os filhos dentro dos carros, imagine quantos jovens não são esquecidos em suas baladas? Já que não existem limites e a educação de hoje é excessivamente permissiva. O livro trata de amizade, da relação pais e filhos, vida após a morte, tudo isso com uma linguagem pedagogicamente adequada para assuntos tão delicados.

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