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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Revista Espírita 1858 » Janeiro » Visões

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Lemos no Courrier de Lyon:
“Na noite de 27 para 28 de agosto de 1857, um caso singular de visão intuitiva se passou em Croix-Rousse, nas seguintes condições:
“Há cerca de três meses o casal B..., dignos tecelões, movidos por louvável comiseração, recolheram em casa, como empregada, uma mocinha atoleimada, que vivia nas imediações de Bourgoing.
“Domingo passado, entre duas e três horas da manhã, o casal foi acordado pelos gritos lancinantes da empregada, que dormia num sótão contíguo ao quarto deles.
“Acendendo a lâmpada, a senhora subiu e encontrou a empregada debulhada em lágrimas e num indescritível estado de exaltação de espírito, torcendo os braços em terríveis convulsões e chamando por sua mãe que, dizia ela, acabara de ver morrer diante de seus olhos.

“Depois de haver consolado a pobrezinha como melhor lhe foi possível, a senhora voltou ao quarto. O incidente quase fora esquecido quando ontem, terça-feira, no período da tarde, o carteiro trouxe à senhora B... uma carta do tutor da mocinha, informando que na noite de domingo para segunda-feira, entre duas e três horas da manhã, sua mãe havia morrido em consequência de uma queda do alto de uma escada.
“A pobre idiota partiu ontem pela manhã para Bourgoing, acom­panhada pelo Sr. B..., seu patrão, a fim de receber o quinhão na herança de sua mãe, cujo fim deplorável vira tão tristemente em sonho.”
Os fatos desta natureza não são raros, e teremos frequentes ocasiões de descrever alguns de autenticidade incontestável. Por vezes se produzem durante o sono, como um sonho. Ora, como os sonhos não passam de um estado sonambúlico natural e incompleto, designaremos as visões que ocorrem nesse estado como visões sonambúlicas, para distingui-las das que se dão em vigília e que chamaremos visões pela dupla vista. Por fim, chamaremos de visões extáticas as que se verificam no êxtase. Geralmente têm como objeto seres e coisas do mundo incorpóreo. O fato que segue pertence à segunda categoria.
Um armador nosso conhecido, residente em Paris, há poucos dias contou-nos o seguinte:
“No último mês de abril, sentindo-me indisposto, fui passear com meu sócio nas Tulherias. Estava um dia magnífico; o jardim regurgitava de gente. De repente a multidão desaparece ante os meus olhos; não sinto mais o meu corpo e sou como que transportado, e vejo distintamente um navio entrando no porto do Havre. Reconheço-o como sendo o Clémence, que esperávamos das Antilhas. Vi-o atracar ao cais e distinguia bem os mastros, as velas, os marinheiros e os menores detalhes, como se eu lá estivesse. Então disse ao meu companheiro: ‘Eis o Clémence que chega. Receberemos notícia ainda hoje. Sua travessia foi feliz’. Chegando em casa, entregaram-me um telegrama. Antes de o ler declarei: ‘É o aviso da chegada do Clémence, que entrou no Havre às três horas’. O telegrama realmente confirmava a entrada, exatamente à hora em que me encontrava nas Tulherias”.
Quando as visões têm como assunto seres do mundo incorpóreo, aparentemente poder-se-ia levá-las à conta da imaginação, classificando-as de alucinações, porque nada lhes poderia demonstrar a exatidão. Mas nos dois casos referidos aparece a realidade mais material e positiva. Desafiamos todos os fisiologistas e todos os filósofos a que no-los expliquem pelos sistemas comuns. Só a Doutrina Espírita pode fazê-lo, por meio da emancipação da alma que, escapando momentaneamente das fraldas materiais, transporta-se para além da esfera de atividade corporal. No primeiro caso descrito, é provável que a alma da mãe tivesse vindo ver a filha e avisá-la de sua morte, mas no segundo o que é certo é que o navio não veio encontrar o armador nas Tulherias. Há que concordar que foi a alma deste que foi vê-lo no Havre.

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