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terça-feira, 31 de maio de 2016

A mulher e o espiritismo


Por - Gilberto L. Tomasi

Voltando ao passado, vamos encontrar sempre o homem exercendo sobre a mulher o domínio do fisicamente mais forte. E, com isso, restringindo a atividade da mulher ao interior do lar, impedindo seu acesso à cultura e ao poder.
Antigamente se questionava até se a mulher tinha alma, e todos achavam que não. No velho  testamento,  livro de gênesis, fala que Deus ao criar o homem do pó da terra lhe soprou nas narinas o sopro da vida, e o homem passou a ser alma viva, e somente depois do homem Deus fez a mulher de uma costela de adão e não lhe deu o sopro da vida,logo, não teria alma e seria quando muito inferior ao homem.
A mulher também, segundo o velho  testamento era uma pessoa má, culpada de todos os males pois aceitou a sugestão da serpente e desviou Adão da obediência de Deus  e foi  expulso do paraíso.
Ainda hoje se encara o ser humano de modo diferente,    quando ele se apresenta como homem ou mulher. Existe até uma certa rivalidade entre os dois sexos, que além de não trazer benefício algum, atrapalha o desenvolvimento de ambos. Porém, o espiritismo a partir da publicação do livro dos espíritos, retoma o posicionamento de Jesus a respeito de homem e mulher, ambos filhos de Deus.
No Livro dos Espíritos, nós aprendemos que os espíritos não tem sexo na forma como entendemos na organização física, são os mesmos espíritos que animam o corpo dos homens e da mulheres. Os espíritos encarnam como homem ou mulher conforme sua necessidade de evolução.
Kardec , no Livro  a Gênese, enfatiza que   a reencarnação faz desaparecer os preconceitos entre os dois sexos e, Gabriel Delane no  livro o fenômeno espírita, comenta, que na Grécia antiga era comum a invocação dos deuses. Todos os templos possuiam mulheres encarregadas dessas invocações, não havia preconceito às mulheres.
Leon Dennis nos fala que  o corpo é apenas uma forma tomada por empréstimo, a essência da vida é o espírito. Neste sentido homem e mulher são favorecidos por iguais.
Assim, o moderno espiritualismo restabelece o mesmo critério dos celtas, quando afirma a igualdade dos sexos sobre.
Com relação à mediunidade, ambos os  sexos, excelentes médiuns, porém, é a mulher que parece ser autorizada a ter as mais belas faculdades psíquicas e, isso , reserva para a mulher um eminente papel na difusão do espiritismo.
Entretanto, devido as imperfeições humanas, mesmo para quem estuda de forma imparcial a figura da mulher ainda a vê como objeto de surpresa e algumas vezes de admiração.
Voltando à antiguidade, foram elas, as  mulheres, as célebres videntes e sibilas, ou seja, as médiuns.  A antiguidade pagã  teve sobre nós a superioridade de conhecer e cultivar a alma  feminina. Suas faculdades se expandiam livremente nos mistérios. Eram sacerdotisas no Egito, na Grécia, na Gália,por toda parte era a mulher o objeto de uma iniciação, de um ensino moral, era considerada quase um ser divino
A mulher era considerada a fada protetora, o gênio do lar, a custódia das fontes da vida.  havia respeito. Diziam os gregos e celtas: tal seja a mulher, tal é o filho, tal será o homem.é a mulher que desde o berço, quem modela o espírito das gerações.
É ela que faz o heróis, os poetas, os artistas, cujos feitos e obras permanecem através dos séculos. Ainda na antiguidade, na Grécia, em Roma, até os sete anos o filho permanecia no gineceu, sou seja, no aposento destinado as mulheres, sob a direção materna. Só, que para desempenhar tão sagrada missão educativa, era necessária a iniciação no grande mistério da vida e do destino. Era necessário o conhecimento da lei das preexistências e das reencarnações , porque é essa lei que dá a vida do ser, que vai desabrochar sob os cuidados maternos.
Esses maravilhosos poderes, esses dons do alto, a igreja ignorou na idade média, condenando as mulheres como bruxas e feiticeiras.
Mas, a situação da mulher na civilização contemporânea, também é difícil. Nem sempre ela tem para si os usos e as leis, a corrupção dos costumes e dos valores faz da mulher uma vítima da miséria, da prostituição etc..
Uma reação, começou a surgir sob a denominação de feminismo. Só que, se de um lado ele se acentua como legítimo em seu princípio, de outro lado exagera em seus objetivos. Ou seja: ao lado de justas reivindicações, o feminismo também exige propósitos que fariam da mulher, não mais mulher, mas uma cópia do homem.
Embora a mulher tenha os mesmos direitos do homem, tem  alguns deveres diferentes, com o a  maternidade. M movimento feminista desconhece o verdadeiro papel da mulher , e tende a desviá-la do destino que lhe está traçado.
A doutrina espírita nos mostra que o homem e  a mulher nasceram para funções diferentes, mas complementares No ponto de vista da ação social, da evolução do espírito, ambos são iguais e inseparáveis.
O espiritismo , veio  restituir à mulher o seu verdadeiro lugar na família e na obra social, indicando a sublime missão que lhe cabe desempenhar como : mediadora predestinada, verdadeiro traço de união que liga as sociedades da terra com as do um do espiritual. A grande sensibilidade da mulher, faz dela, o médium por excelência, capaz de exprimir, de traduzir os pensamentos, as emoções, os sofrimentos das almas, dos ensinos dos espíritos superiores.
A feição religiosa do espiritismo atrai a mulher e lhe satisfaz as aspirações do coração, as necessidades de ternura, que elas estendem para os entes desencarnados. A mulher consegue, ao mesmo tempo com seu poder de intuição, suas admiráveis qualidades morais. Ela esquece de si mesma, se sacrifica no trabalho de suas responsabilidades inerentes a sua missão de mediatriz.
Acontece porém, que o materialismo leva algumas mulheres a ver apenas seu organismo físico, fazendo dela mesma um ser inferior que a empurra ao sensualismo.
E, ao contato desse materialismo, a mulher se deixa influenciar pelo peso das influencias degradantes, se deprime e se priva de sua real função . Ela as vezes se torna escrava dos sentimentos, e suas virtudes desaparecem, e o sensualismo e a sedução se fazem presentes.
Infelizmente uma nova geração de mulheres se deixa influenciar por esse materialismo puro, não entendendo as reais necessidades do espírito e não entendendo que é sobretudo por seu intermédio que se afirma a comunhão com a vida espiritual. A vida provém da mulher e, sendo a fonte de vida, é dela também o processo de regeneração da raça humana.
E,sendo uma médium por excelência, ela serve de intermediária entre  a nova fé que surge (espiritismo) e a fé antiga que definha e vai desaparecendo, porque esse foi seu papel no passado, nos primeiros tempos do cristianismo, e ainda o é na época presente.
O espiritismo, coloca a mulher ao ponto mais elevado dos sentidos. Para o espiritismo, sua alma se ilumina, seu coração se torna o foco irradiador de terno sentimento e nobres paixões. No lar, ela assume a encantadora missão que lhe pertence. Feita de dedicação e piedade, seu importante papel de mãe, irmã e educadora.
O espiritismo coloca a mulher como uma das metades da humanidade, que homem e mulher se aliam e se equilibram no amor. O espiritismo passou a entender que os homens são irmãos, que o mais forte recebeu a força para proteger o mais fraco.
 Passou a entender que é um ser perfectível como o homem e suas aspirações são legítimas, seu pensamento é livre e nenhum poder do mundo tem o direito de escravizar os seus interesses e as suas paixões . A mulher  passou a ter direito à sua parte de atividade intelectual e, conseguiu porque aprendeu que existe uma lei mais poderosa do que todas as leis humanas., que é a lei do progresso, na qual toda criação está submetida.
Kardec, em artigo na revista espírita em  1868, já dizia que a emancipação da mulher seria a consequência da difusão do espiritismo, porque o espiritismo não funda seus direitos numa idéia filosófica generosa, mas sim, na identidade da natureza do espírito e, a lei da reencarnação vem provar esse princípio, pois, os mesmos espíritos podem reencarnar como homem ou mulher.
Portanto, o homem que escravizar a mulher, poderá ser escravizado por sua vez. E|, continua kardec:  os homens que trabalham pela emancipação da mulher,trabalham também pela emancipação geral e por consequência, em proveito próprio.
As mulheres tem um interesse direto na propagação do espiritismo, porque ele fornece apoio as suas causas com os mais poderosos argumentos que jamais foram invocados. A partir do momento que a mulher passou a se instruir,passou também a se libertar, foi pelo estudo que começo a alargar seus conhecimentos.
A mulher quer ser e será: a companheira inteligente do homem, sua conselheira, sua amiga, a instrutora de seus filhos, pois entende que o lar é o local de maiores resgates para o espírito.
Finalizando, desde 1857 com o lançamento do livro dos espíritos  a Doutrina Espírita vem defendendo direitos iguais para a mulher. Até então não se admitia posição contrária aos interesses religiosos e políticos e da classe masculina, mas, os espíritos chegaram até nós para mudar as trajetórias negativas do mundo, que não terão volta.