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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Conversas Familiares de Além-Túmulo - MOZART

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                          Um de nossos assinantes nos comunicou as duas entrevistas seguintes, que se deram com o Espírito Mozart. Ignoramos onde e quando se realizaram; desconhecemos o interpelante e o médium; somos, pois, completamente estranhos a tudo isso. 
                         Notar-se-á, no entanto, a concordância perfeita existente entre as respostas obtidas e as que foram dadas por outros Espíritos sobre diversos pontos capitais da Doutrina, em circunstâncias inteiramente diferentes, seja a nós, seja a outras pessoas, e que relatamos em nossos fascículos anteriores e em O Livro dos Espíritos. Sobre tal analogia chamamos a atenção dos nossos leitores, que dela tirarão a conclusão que julgarem mais acertada.  
                 Aqueles, pois, que pudessem ainda pensar que as respostas às nossas perguntas são um reflexo de nossas opiniões pessoais, por aí verão se nessa ocasião pudemos exercer uma influência qualquer. Felicitamos as pessoas por meio das quais essas entrevistas foram obtidas, bem como a maneira por que as perguntas foram elaboradas. 
                       Apesar de certas falhas que revelam a inexperiência dos interlocutores, em geral são formuladas com ordem, clareza e precisão, e de modo algum se afastam da linha de seriedade, condição essencial para se obter boas comunicações. Os Espíritos elevados dirigem-se às pessoas sérias que de boa-fé desejam ser esclarecidas; os Espíritos levianos divertem-se com as pessoas frívolas. 
PRIMEIRA CONVERSA 
1. Em nome de Deus, Espírito Mozart, estás aqui? Resp. – Sim. 2. Por que és Mozart, e não um outro Espírito? 
Resp. – Foi a mim que evocastes: então vim. MAIO D E 1858 217
 3. Que é um médium? 
Resp. – O agente que une o meu ao teu Espírito. 
4. Quais as modificações, tanto fisiológicas quanto anímicas que, mau grado seu, sofre o médium ao entrar em ação intermediária?
 Resp. – Seu corpo nada sente, mas seu Espírito, parcialmente desprendido da matéria, está em comunicação com o meu, unindo-me a vós. 
5. O que se passa nele nesse momento? 
Resp. – Nada para o corpo; mas uma parte de seu Espírito é atraída para mim; faço sua mão agir pelo poder que meu Espírito exerce sobre ele. 
6. Assim, o médium entra em comunicação com uma individualidade espiritual diferente da sua? 
Resp. – Certamente; tu também, sem que sejas médium estás em contato comigo. 
7. Quais os elementos que concorrem para a produção desse fenômeno? 
Resp. – A atração dos Espíritos para instruir os homens; leis de eletricidade física. 
8. Quais são as condições indispensáveis?
 Resp. – É uma faculdade concedida por Deus.
 9. Qual o princípio determinante? 
Resp. – Não o posso dizer. 
10. Poderias revelar-nos as suas leis? 
Resp. – Não, não; não agora. Mais tarde sabereis tudo.
 11. Em que termos positivos poder-se-ia anunciar a fórmula sintética desse maravilhoso fenômeno? REVISTA E SPÍRITA 218 
Resp. – Leis desconhecidas que, por ora, não poderíeis compreender. 
12. Poderia o médium pôr-se em relação com a alma de uma pessoa viva, e em que condições? 
Resp. – Facilmente, se a pessoa estiver dormindo.32 
13. O que entendes pela palavra alma? 
Resp. – A centelha divina. 14. E por Espírito?
 Resp. – Espírito e alma são a mesma coisa. 
15. Como Espírito imortal, tem a alma a consciência do ato da morte, a consciência de si mesma ou do eu imediatamente após a morte? 
Resp. – A alma nada sabe do passado, nem conhece o futuro senão após a morte do corpo; vê, então, sua vida passada e as últimas provas que sofrerá; assim, não se deve lamentar o que se sofre na Terra, a tudo suportando com coragem. 
16. Após a morte acha-se a alma desprendida de todo elemento, de todo liame terrestre? Resp. – De todo elemento, não; tem ainda um fluido que lhe é próprio, que haure na atmosfera de seu planeta e que representa a aparência de sua última encarnação; os laços terrenos nada mais são para ela. 
17. Sabe ela donde vem e para onde vai? 
Resp. – A décima quinta resposta resolve essa questão. 32 Se uma pessoa viva for evocada em estado de vigília, pode adormecer no momento da evocação ou, pelo menos, sofrer um entorpecimento e uma suspensão das faculdades sensitivas; freqüentemente, porém, a evocação não surte qualquer efeito, sobretudo se não for feita com intenção séria e com benevolência. MAIO D E 1858 219 
18. Nada leva consigo daqui da Terra? 
Resp. – Somente a lembrança de suas boas ações, o pesar de suas faltas e o desejo de ir para um mundo melhor. 
19. Abarca num golpe de vista retrospectivo o conjunto de sua vida passada? 
Resp. – Sim, para servir à sua vida futura. 
20. Entrevê o fim da vida terrestre, o significado e o sentido desta vida, assim como a importância do destino que aqui se cumpre, em relação à vida futura?
 Resp. – Sim; compreende a necessidade de depuração para chegar ao infinito; quer purificar-se para alcançar os mundos bem-aventurados. Sou feliz; porém, ainda não me encontro nos mundos onde se desfruta da visão de Deus! 
21. Existe na vida futura uma hierarquia dos Espíritos? Qual a sua lei?
Resp. – Sim; é o grau de depuração que a marca: a bondade e as virtudes são os títulos de glória. 
22. Como potência progressiva, é a inteligência que nela determina a marcha ascendente? Resp. – Sobretudo as virtudes: o amor do próximo, especialmente. 
23. Uma hierarquia dos Espíritos faria supor uma outra de residência. Existe esta última? Sob que forma?
 Resp. – Dom de Deus, a inteligência é sempre a recompensa das virtudes: caridade, amor ao próximo. Os Espíritos habitam diferentes planetas, conforme seu grau de perfeição; aí desfrutam de maior ou menor felicidade. 
24. O que se deve entender por Espíritos superiores? 
Resp. – Os Espíritos purificados. R EVISTA E SPÍRITA 220 
25. Nosso globo terrestre é o primeiro desses degraus, o ponto de partida, ou procedemos de uma região mais inferior ainda? 
Resp. – Há dois globos antes do vosso, que é um dos menos perfeitos. 
26. Qual o mundo que habitas? Ali és feliz?
 Resp. – Júpiter. Nele desfruto de grande calma; amo a todos os que me rodeiam; não temos ódio.
 27. Se guardas lembrança da vida terrestre, deves recordar-te do casal A..., de Viena; já os vistes após a tua morte? Em que mundo e em que condições? 
Resp. – Não sei onde estão; não to posso dizer. Um é mais feliz que o outro. Por que me falas deles? 
28. Por uma única palavra, indicativa de um fato capital de tua vida, e que não podes ter esquecido, seria possível forneceres uma prova certa dessa lembrança? Intimo-te a dizer essa palavra. 
Resp. – Amor; reconhecimento.

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