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segunda-feira, 20 de março de 2017

A reencarnação e a metempsicose


A lei das vidas sucessivas – Reencarnação ou Palingenesia – Palin = outra vez; Gênese = nascer – sempre foi conhecida e divulgada no seio da humanidade. A Doutrina dos Espíritos não a desvendou, tampouco inventou esta lei, pois esta é uma legítima representante de um dos eternos princípios de Deus.
Vários pensadores do passado, entre tantos: Pitágoras, Sócrates, Platão…, explicavam e defendiam a necessidade de se ter muitas vidas para viabilizar o desenvolvimento de todas as potencialidades do Espírito, a unicidade da existência não seria razoável, afirmavam, pois seria um fator determinante e impeditivo para atingir-se a evolução plena.
Como se comprova na vasta literatura espírita, bem como entre outras correntes do pensamento filosófico, tais quais: Hinduísmo, Rosa Cruz, Teosofia…, após o fenômeno da morte biológica do corpo, algo subsiste. A reencarnação significa o retorno desta porção remanescente, o Espírito, a personalidade individualizada, o ser pensante, em uma nova passagem pela matéria, em outro e novo corpo, por meio de um renascimento, via fecundação biológica, em outro tempo, com período de duração entre vidas muito variável.
Esta lei é fundamentalmente justa e misericordiosa, permitindo a todos nós, após a nossa criação na simplicidade e ignorância, ter tantas vidas quantas forem necessárias para alcançar a perfeição relativa a ser alcançada mais cedo ou mais tarde, esta é uma das pouquíssimas fatalidades no conjunto de regras divinas.
Como muitos conceitos, este também sofreu o mau do entendimento equivocado, quando há bom tempo atrás imaginou-se por razões diversas que Espíritos chegados ao reino hominal, pudessem, sob certas condições, “reencarnar” em corpos animais e vegetais, e não somente em hominais. Esta seria, em resumo, a tese da Metempsicose: Meta – além de; Psique – alma.
Esta outra visão da doutrina da reencarnação caminhou pelos tempos afora, e ainda faz adeptos e seguidores em pleno século XXI. Sendo esta possibilidade real, esclarece a Doutrina, representaria um retrocesso na marcha ascensional do Espírito, conforme se depreende de (1):
  1. Poderia encarnar num animal o Espírito que animou o corpo de um homem? “Isso seria retrogradar e o Espírito não retrograda. O rio não remonta à sua nascente.” (Negritamos.)
  2. Embora de todo errônea a ideia ligada à metempsicose não terá resultado do sentimento intuitivo que o homem possui de suas diferentes existências? “Nessa, como em muitas outras crenças, se depara esse sentimento intuitivo. O homem, porém, o desnaturou como costuma fazer com a maioria de suas ideias intuitivas.”
A possibilidade de um Espírito ocupar um corpo animal, após haver passado por esta fase em sua jornada evolutiva ainda como princípio espiritual, não se coaduna com a proposta divina de evoluir continuamente sem retrocessos. Parece-nos evidente do ponto de vista do Espiritismo, pois, como bem registra a resposta à primeira questão, “o rio não remonta à sua nascente”, em outras palavras, se já fomos animais, não o seremos mais, enquanto, na segunda pergunta, Allan Kardec inicia o texto enfatizando: “Embora de todo errônea…”.
Há, na diversificada literatura espírita, pelo menos duas boas explicações de onde e como nasceu a crença na Metempsicose:
  1. Pode-se encontrar no livro A Caminho da Luz (2), ditado por Emmanuel, elucidativa explicação sobre os antigos Egípcios, povo exilado de Capela, terem aceitado perfeitamente a reencarnação como uma possibilidade concreta para alcançar a evolução programada por Deus, contudo, tinham o sentimento, ou mesmo intuição, de haverem sido “punidos”, pois existia um sentimento coletivo de perda do paraíso, a sua amada Capela, assim, elaboraram uma teoria segundo a qual, se falhassem novamente na observação das leis divinas, a ponto de serem mais uma vez degredados para uma condição inferior àquela submetida no planeta Terra de então, só lhes restaria, como “punição” última, reencarnarem em animais! Ajuizaram: o que poderia haver de pior do que conviver com a humanidade daquela época, com pessoas de hábitos rudes e brutos, sem o mínimo verniz de civilização?
  2. Outra razão pode ser encontrada em Estudos Espíritas (3), onde Joanna de Ângelis explicou existir, também no Egito antigo, o entendimento claro das imensas possibilidades no uso das faculdades mediúnicas, pelo menos entre os iniciados, ou ocupantes das posições mais altas na hierarquia egípcia. É possível, sob certas condições obsessivas, um Espírito ter o seu perispírito deformado, por exemplo, sob sugestão hipnótica. Não é incomum obsessores influenciarem sua vítima a acreditar ser um animal, desta forma, via dominação telepática continuada, o Espírito sob sujeição pode ter o seu invólucro semimaterial modificado da forma humanoide para um formato animalesco. Os pouco versados nos princípios divinos acreditaram assim estarem diante de um Espírito oriundo de uma encarnação anterior em corpo animal, agindo, portanto, tal qual um antigo integrante do reino dos irracionais. Muitos participantes regulares em reuniões de desobsessão na atualidade já podem ter observado aproximações de Espíritos desencarnados agindo e emitindo sons como animais, a conhecida zoantropia, a título de exemplo: morcegos, macacos, lobos…, entre outros.
Disseminada entre o povo, a crença na metempsicose se espalhou, atemorizando todos aqueles com as suas consciências culpadas devido a possíveis continuados delitos contra as leis eternas, a tese também serviu como freio a futuros deslizes.
Observa-se a grande diferença existente entre estas duas teorias. Uma é progressista, incentiva a melhora do Espírito tanto no aspecto intelectual, bem como no moral, não prevê retrocessos, enquanto a outra, sinaliza a possibilidade da punição obrigando o Espírito chegado ao reino hominal voltar aos reinos inferiores dos vegetais ou animais, para refazer etapas de aprendizado já plenamente superadas.
Imaginemos gênios da ciência, virtuosos artistas, pensadores, reencarnando em um vegetal! Como poderiam expressar os conhecimentos e habilidades construídas por muitas vidas, a custa de continuado esforço, situação esta provocada por uma falha moral, uma grave desatenção aos conceitos divinos?
Em A Gênese (4), o Espírito Galileu, assim se expressou em relação à evolução do princípio espiritual:
“O Espírito não chega a receber a iluminação divina, que lhe dá, simultaneamente com o livre-arbítrio e a consciência, a noção de seus altos destinos, sem haver passado pela série divinamente fatal dos seres inferiores, entre os quais se elabora lentamente a obra da sua individualização.” (Médium Camille Flammarion. ) (Negritamos.)
Os renascimentos sucessivos serão necessários enquanto o Espírito não alcançar um patamar de evolução tal, não o obrigando a de novo reencarnar para experimentar provas e expiações, este só voltará a ocupar um corpo de carne, após alcançar a plenitude da evolução, como missionário em prol da humanidade, tal qual fez Jesus, há dois mil anos atrás, e talvez em outras ocasiões como sugerido por Carlos Torres Pastorino (5). Assim, não nos preocupemos, pois, o ciclo de reencarnações terá fim, e este fim chegará tão mais depressa quanto forem os nossos esforços em aprender e principalmente praticar na totalidade os postulados de Deus.
É interessante destacar a bondade de Deus ao nos facultar inúmeras vidas, entretanto, esta dádiva não deve servir de motivo para deixarmos para depois o que podemos e devemos fazer agora, porquanto as oportunidades do momento atual mudam. Hoje a nossa vida se apresenta de uma maneira, em outra existência será modificada certamente, então, se presentemente temos tempo, facilidades materiais, entre outros “talentos”, nos empenhemos hoje por adquirir conhecimentos doutrinários indispensáveis e fundamentais para promover a nossa melhora moral e intelectual. Estudemos agora o Espiritismo, de preferência e prioritariamente as Obras Fundamentais escritas por Allan Kardec. Não deixemos para amanhã.
Rogério Miguez

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