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segunda-feira, 13 de março de 2017

O Desafio da Unificação Espírita

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O Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, decidiu atender a pedidos de espíritas de diversas partes da França e foi ao encontro dos confrades de ideal onde pode constatar algo que parece ainda se repetir nos dias de hoje: o crescimento disforme do movimento espírita. Segundo Kardec: “Se há regiões onde as ideias espíritas parecem germinar à medida que são semeadas, outras há onde penetram mais dificilmente, em virtude de causas locais, ligadas ao caráter de seus habitantes e, sobretudo, à natureza de suas ocupações. Nestes últimos lugares, os espíritas estão espalhados, isolados; mas aí, como alhures, são raízes que, cedo ou tarde, se desenvolverão, como atualmente já ocorre nos centros mais numerosos[1].
E isso se dá a nível mundial. Enquanto a França, berço da Codificação Espírita, registra atualmente cerca de 60 Centros Espíritas, o Brasil lidera o ranking com aproximadamente 14 mil. Contudo, mesmo no Brasil, a constatação de Kardec ainda no século XIX se faz notória.
No Piauí o cenário exige profundas reflexões. A capital concentra o maior movimento com cerca de 43 CE’s, enquanto todo o interior soma apenas 37. Parnaíba, no litoral do estado e distante 330 km da capital, é o segundo maior movimento com 09 Casas Espíritas. O Piauí possui 224 municípios, uma população de mais de 3 milhões de habitantes e uma área de mais e 251 mil quilômetros. As cidades do interior que possuem Centros Espíritas são distantes umas das outras e o acesso da Federativa a esses municípios tem se dado de forma lenta.
Fora todos esses dados, o Piauí é ainda o estado mais católico em percentual populacional somando mais de 85% enquanto os espíritas somam apenas 0,3%.
Nos últimos anos a Federação Espírita Piauiense tem conseguido aproximar as casas espíritas criando as Uniões Municipais, Distritais e os conselhos regionais que devem integrar o Conselho Federativo Estadual que, por sua vez, analisa, debate e viabiliza a realização, não só das ações de integração, mas, também, de disseminação dos conhecimentos espíritas a partir da realização de atividades norteadas pela Federativa, mas viabilizadas pelas Casas.
Uma constatação preocupante é a forma como se dá a criação de Centros Espíritas no Piauí que, na mais das vezes, observa apenas o aspecto mediúnico e doutrinário desconhecendo ou deixando de lado a natureza jurídica de uma sociedade espírita e sua devida adesão à Federativa do estado.
Outra dificuldade ainda encontrada é a forma de pensar movimento espírita ligado a prédios e reuniões de idealização, mas com pouca ação efetiva. Movimento espírita significa o somatório de ações realizadas pelos Centros Espíritas nas comunidades onde estão inseridos. Não importa o tamanho do centro, nem quantas vezes ele funciona por semana, mas sim, se sua atividade acompanha o pensamento de Kardec através do estudo de suas obras e de que forma isto tem sido repassado aos que o frequentam. E justamente para nortear essas ações é que tem papel fundamental a Federativa estadual que deve mesmo é utilizar-se de plataformas variadas de comunicação fazendo com que aquilo que é construído como bases para o movimento espírita a nível nacional, através do trabalho realizado pelo Conselho Federativo Nacional, chegue até aos Centros Espíritas e em condições de ser viabilizado.
A uniformidade não deve ter relação com ingerência. Devem as sociedades espíritas permanecer livres para sua formação estatutária, muito embora, devam reconhecer que existem preceitos básicos e comum a todos os ditos espíritas e que devem compor tal documento. E este assunto, estatuto social, ainda é um tabu no meio espírita, quando ainda é possível encontrar concepções arcaicas com estreita ligação à ideia de poder, como por exemplo, nos critérios para eleição de Presidente da instituição. E isto é algo que se verifica desde Centros Espíritas a mesmo Federativas estaduais e a própria Feb.
Sabemos que Jesus está no leme; não fora isto e muitas oportunidades de redenção teriam escapado de nossas mãos ante nossa imprevidência. Sabemos que os benfeitores espirituais nos dirigem e que a eles devemos todo o progresso espírita que já conquistamos. Mas, também sabemos que, de nossa parte, ainda há muito o que vencer em nós mesmos, superando o farisaísmo ainda vigente em nossas consciências e que teve início na formação religiosa de outrora. Sabemos ainda que o planeta tem uma destinação e, nesta hora derradeira de vivência transitória, devemos fazer nossa parte enquanto consciências individualizadas, mas, também coletivas, cuja corrente que nos une é o ideal espiritista de difusão da Boa Nova através das obras que decodificam os sinais de Jesus para a edificação do Reino de Deus em nós e no orbe.
É chegada a hora de unir e unificar em definitivo o movimento espírita brasileiro, mas não com normas e padronização, antes sim com fraternidade, aproximação e humildade. É preciso superarmos os muros de casas espíritas, federativas e mentais para realizarmos um trabalho que nos faça caminhar de mãos dadas. Ninguém imagina Jesus em gabinetes. Nosso lugar é em sociedade, respeitando a lei dos homens, mas sobretudo, a de Deus que pede amarmo-nos uns aos outros sem rótulos, cargos, patentes e endereço.
[1] KARDEC, Allan. Viagem Espírita em 1862. Brasília (DF): Feb, 2005.
fonte; site caridade e fê de parnaiba

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