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sexta-feira, 3 de março de 2017

Psicanálise, uma visão atual

| Sueli Maria de Oliveira |
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Compreender o homem em sua totalidade é uma tarefa complexa e necessita de desprendimento dos conceitos rígidos, confortáveis e de fácil aceitação. A visão do homem como tábua rasa é uma tentativa de tornar impenetrável sua essência, a verdadeira causa de suas alegrias e bem estar, seus sofrimentos físicos e psicológicos.
Não é possível compreender o ser, sem reconstruir toda a história da personalidade seguindo o processo de sua formação. O subconsciente é um armazenamento de todas as experiências vividas de forma individual e específica de cada ser, cuja somatória constitui sua sabedoria inata.
A nova psicanálise segundo P. Ubaldi, atualmente exercida em alguns de seus aspectos, por muitos profissionais da área, principalmente os que se dedicam à Psicologia Transpessoal, leva em conta as questões filosóficas e espirituais nos tratamentos das neuroses e psicoses, buscando um sistema filosófico mais completo e explicativo, orientado pelo funcionamento universal. Existe uma Lei maior que abrange e coordena todas as outras, há uma hierarquia entrelaçada dos fenômenos, assim também se dá com os conflitos, que só poderão ser solucionados em função do conhecimento das causas remotas, pessoais e coletivas, específicas e universais. A cura de uma dor só pode ocorrer se penetrarmos nela, conhecendo sua origem, entendendo-a como um longínquo fenômeno ético, religioso, biológico, evolutivo e social. O homem só pode ser curado se visto sob o ângulo de sua totalidade.
Desde Freud e seus seguidores Adler, Rank, Jung, Stekel, a psicanálise sofreu modificações importantes, revelando as facetas fundamentais da personalidade humana, num processo de complementabilidade. Destes, Jung, chegou a uma concepção mais ampla, referindo-se aos princípios gerais de uma lei superior: "muitas neuroses do homem moderno nascem de ofensas que o consciente gerou nos arquétipos. Então, estes reagem do inconsciente, perturbando o equilíbrio psíquico do indivíduo. Atinge-se a cura, ajudando o doente a individuar os símbolos do seu próprio subconsciente" (Jung, in O arquétipo é um uma presença eterna).
A afirmação acima está de acordo com o pensamento de Pietro Ubaldi, a violação da Lei de Deus, desenvolvida no seu livro Queda e Salvação. Ubaldi afirma que a desobediência à Lei desencadeia uma reação, expressa como dor, que é vivenciada pelo transgressor. Ao empregar uma determinada intensidade de forças personais nas suas ações, contrárias aos princípios imutáveis da Lei de Deus (os arquétipos), receberá de volta com a mesma energia. Deste choque nascem as doenças nervosas e psicológicas, conseqüência do desequilíbrio que o individuo gerou dentro de si mesmo. A Lei imutável busca reconduzir o ser, que fez mau uso de sua liberdade, a retomar a ordem universal.
A Lei é amorosa, misericordiosa, porém justa e suas reações são inevitáveis. O ser passa de elemento ativo, no momento em que aplica o impulso de revolta contra a lei, para elemento passivo, quando essa força reage e retorna a sua origem, O ser sofre na maioria das vezes pela ignorância e desconhecimento das leis, não tendo como evitar as conseqüências de seus atos, que é a doença ou os desequilíbrios. Assim as neuroses e complexos se manifestam como automatismos, fora do controle da personalidade errante. O determinismo nada mais é do que o livre arbítrio já gasto. A semeadura nos é livre, mas a colheita obrigatória.
Para Jung o ser pode obter a cura mediante o autoconhecimento, percorrendo o caminho da individuação dos símbolos de seu inconsciente, podendo deduzir a partir das características dos impulsos atuais suas origens no passado, observando como ocorrem as manifestações do inconsciente.
O tratamento deve estar direcionado inicialmente para a investigação da causa da doença, sua raiz. O processo de cura se dá de dentro para fora, e é imprescindível conhecer a fonte do mal, corrigindo o impulso anti-Lei. O paciente deve ocupar uma postura ativa, consciente, caminhar com sua dor estudando-a, questionando-a, restabelecendo contato com a sua essência sagrada, a porção divina dentro de si mesmo, harmonizando-se com o todo num movimento a favor da Lei que representa o inicio da cura da doença desencadeada a partir da primeva revolta.
Para Ubaldi, a psicanálise só é eficaz se exercida de forma completa, compreendendo o ser integralmente, baseando-se num sistema universal. A visão cósmica explica as finalidades reais da vida e de sua evolução. Chegou o momento em que o trabalho psicanalítico deve adentrar o subconsciente e o superconsciente, colher desses ricos e inesgotáveis mananciais conteúdos para as novas construções do eu.
Para isso, o terapeuta antes de tudo, precisa vivenciar em si mesmo esse processo, percorrendo o difícil caminho rumo às profundezas de seu ser, abrindo suas feridas encobertas pelo véu da ilusão, isoladas pelas defesas do ego, pesquisando as camadas sobrepostas, trabalho de anos e anos de repressão, escavando e redescobrindo sua alma, num encontro consigo mesmo, voltando a superfície consciente, amadurecido e renovado, num processo infinito de idas e vindas. Só depois de descer aos seus porões conhecendo as suas fraquezas, necessidades e potencialidades, o terapeuta saberá aplicar com sabedoria, generosidade e humildade as técnicas da superação evolutiva, caminhando com o paciente no tratamento das neuroses, deslocando o indivíduo do seu nível biológico para outro superior, com todas as conseqüências decorrentes, em busca de seu amadurecimento. Na verdade só existe um remédio capaz de curar todos os males: nós mesmos.
Da esquerda para a direita:
Carl Gustav Jung - Nasceu na Suíça em 26 de julho 1875. Estudou medicina na Universidade da Basiléia, dando inicio a sua jornada, que o levaria a teoria do Inconsciente Coletivo. Jung entrou em contato com as obras de Sigmund Freud, passando a enviar as copias de seus trabalhos sobre a existência do inconsciente, confirmando algumas concepções freudianas, tendo conhecido-o pessoalmente em 1907. Faleceu 6 de junho de 1961, aos 86 anos. Até agora, no Brasil, foram publicadas 34 obras de Jung.
Pietro Ubaldi - Nasceu em 18 de Agosto de 1886, na cidade Roma (Itália), falecendo ao dia 29 de fevereiro de 1972 na cidade de São Vicente (SP), aos 83 anos de idade. Formou-se em Direito, falava, fluentemente, inglês, francês, alemão, espanhol, português, conhecia latim e grego. No verão italiano de 1932, começou a escrever A Grande Síntese, concluída em 23 de agosto de 1935, surgindo nos anos seguintes, o restante dos livros da primeira parte da obra, escritas na Itália: Grandes Mensagens, A Grande Síntese – Síntese e Soluções dos Problemas da Ciência e do Espírito, As Noúres – Técnica e Recepção das Correntes de Pensamento, Ascese Mística, História de Um Homem, Fragmentos de Pensamentos e de Paixão, A Nova Civilização do Terceiro Milênio, Problemas do Futuro, Ascensões Humanas, Deus e Universo.
Em 8 de Dezembro de 1951 veio para o Brasil, passando a residir em São Vicente, São Paulo. No ano de 1953 continuou a recepção dos livros, completando a segunda parte da obra, chamada brasileira, sendo estas: Profecias, Comentários, Problemas Atuais, O Sistema – Gênese e Estrutura do Universo, A Grande Batalha, Evolução e Evangelho, A Lei de Deus, A Técnica Funcional da Lei de Deus, Queda e Salvação, Princípios de Uma Nova Ética, A Descida dos Ideais, Um Destino Seguindo Cristo, Pensamentos, Cristo.
Sigmund Freud - Nasceu em Príbor, Viena em 6 de maio de 1856, falecendo em Londres, ao dia 23 de setembro de 1939. Foi um médico neurologista judeu-austríaco, fundador da psicanálise. Interessou-se inicialmente pela histeria e, tendo como método a hipnose. Mais tarde, foi influenciado por Charcot e Leibniz, abandonando a hipnose em favor da associação livre. Este elemento tornou-se a base da psicanálise.

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