#htmlcaption1 Deus, força e luz O evangelho ensinado e vivenciado ha 99 anos

quarta-feira, 28 de junho de 2017

A origem do saber Hindu

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Do grupo dos exilados de Capela, os hindus foram os primeiros a chegar. Depois, vieram os egípcios e depois os Israelitas como afirma Emmanuel. Não por acaso todas as línguas ocidentais têm como origem comum o sânscrito, a língua hindu antiga. Esse grande povo, segundo Emmanuel, era um povo de profetas e iniciados.

Ainda hoje o Hinduísmo guarda em sua dimensão oculta o saber da Doutrina Secreta e a religião praticada pela maioria reflete em alguma medida essa sabedoria profunda. A orientação hindu é a de que cada indivíduo deve seguir a sua própria fé. Uma orientação semelhante a de Kardec.

O Hinduísmo é a religião mais antiga do mundo com registros escritos e bem estruturados. Ensina que existem ciclos evolutivos como os yugas que duram 4,32 milhões de anos! E nós, aqui, nos debatendo com os nossos 30 mil anos…Rs…

As almas exiladas naquela parte do Oriente muito haviam recebido da misericórdia do Cristo, de cuja palavra de amor e de cuja figura lumi- nosa guardaram as mais comovedoras recordações, traduzidas na beleza dos Vedas e dos Upanishads. Foram elas as primeiras vozes da filosofia e da religião no mundo terrestre, como provindo de uma raça de profetas, de mestres e iniciados, em cujas tradições iam beber a verdade os homens e os povos do porvir, salientando-se que também as suas escolas de pensamento guardavam os mistérios iniciáticos, com as mais sagradas tradições de respeito.

Emmanuel, em A Caminho da Luz, Editora Feb

O Hinduísmo fundamenta-se na existência de um Deus único, muito antes de existir o povo Israelita e o Egípcio no mundo terreno. Também aceita como válido todos os sistemas de crença e permite a crença em vários deuses que também são entendidos como atributos ou manifestações do Deus Único. Isso é algo belíssimo. Shiva, por exemplo, é o destruidor das formas. Em uma linguagem espírita, diríamos que ele é a representação da Lei da destruição na definição de Kardec. É a dimensão de Deus, o atributo do Criador que destrói para renovar.

Há algo bem interessante. Os europeus são deste grupo como já dissemos. Eles são o grupo mais revoltado deste grupo, os que “fugiram de casa” e foram para Europa. Shiva é também representado segurando um tridente, que simboliza a arma com a qual ele destrói a ignorância. O que fizeram os arianos rebeldes? Transformaram o tridente de Shiva em arma do diabo medieval! Rs… Vai ser assim ruim de entendimento pra lá! Rs… Mas tem algum sentido, vejamos. O que mais tememos? O que mais teme um espírito inferior? Ser revelado como inferior, ter alguém ou algo que destrua sua ilusão de grandeza. Portanto, para estes, o tridente de Shiva que destrói a ignorância é a arma do diabo! Rs….

Vou tentar expressar a grandeza deste povo apresentando alguns princípios do Hinduísmo extraído do livro Hinduísmo For Dummies de Amrutur V. Srinivasan que traduzi para você.

Existe um ser supremo chamado Bramam, a realidade primeira de todo o universo;

A verdade é o objetivo da vida que significa integrar-se com Deus.

O objetivo da vida, de acordo com os hindus, é voltar para Bramam, a Realidade, ao perceber a nossa verdadeira natureza. Essa meta é definida como moksha: a libertação de repetidos ciclos de nascimentos e mortes. O objetivo é realizar a unidade, a unidade com Bramam. Por essa razão, o Hindu ora: “Asato ma sat gamaya”, que significa “Conduza-me do irreal para o real.”

Os espíritos que atingiram moksha, em linguagem espírita, são aqueles que não mais precisam reencarnar. São espíritos que superaram o estado de erraticidade. O que liberta do ciclos das encarnações? Segundo o Cristo, a Verdade, a Realidade. E você achou que o Espiritismo é uma conjunto de novidades! Rs… Continuemos.

Os Vedas são os livros do conhecimento sagrado. Eles são compostos de quatro livros: Rig Veda, Yajur Veda, Atharva Veda e Sama Veda. Precisamos que estudiosos e estudantes espíritas que se dediquem ao estudo sério deste elevados livros para que ampliemos nossa capacidade de compreender a mensagem de nosso Mestre que viveu em uma cultura oriental e não ocidental. Certamente, poderemos aprender muito do Evangelho, se buscarmos a Doutrina Secreta nas escrituras hindus.

Você sabe de onde vem o conceito de Karma? E você sabe o que é Dharma?! Isso é interessante.

Karma, sabemos, é a ação que retorna para quem a desenvolveu. É ação e reação.

Dharma é algo que ensina muito. Dharma se refere a natureza de cada ser, a conduta saudável de cada criatura. Por exemplo, o Dharma de um tigre a caçar e alimentar-se da presa, o Dharma de uma vaca é alimentar com leite seu filhote. O Dharma dos seres humanos? Servir! O ser humano que não serve aos outros trai sua natureza mais profunda. Lembrei que algo que você conhece: Fora da caridade não há salvação. Fora do Dharma não há salvação. Fora da essência humana não há salvação. Gostou? Eu achei fantástico.

A tolerância é outro valor central do Hinduísmo.

Por isso, os hindus modernos aceitam que todas as religiões contém a verdade. Um hino Hindu afirma este ponto de vista, comparando todas as religiões a vários caminhos que guiam para Deus. Elas são como centenas de rios e córregos que terminam por se misturar todos com o oceano.

Para quem conhece a Doutrina Secreta, nenhuma novidade! O Hinduísmo como afirma Emmanuel é a origem de tudo o que chamamos ciência e filosofia em nossa civilização.

Contudo, há um lado triste na história deste grupo. Apesar de todos estes elevadíssimos ensinos, como muitos de nós no Espiritismo, esse povo permitiu ser dominado pela ilusão de superioridade. Isolaram-se dos que mais sofriam, passaram a ter atenção para as questões que distanciam do amor e da caridade; prenderam-se aos formalismos, a moral de fachada, que separa e oprime. Criaram regras que não estavam em sintonia com o amor de Deus. Assim, surgiram as castas. Um sistema de discriminação social emocionalmente devastador. Assim esse belo e elevado povo, fracassou em sua missão mais sublime, a fraternidade verdadeira.

Esse, para mim, é um importante alerta. Estamos aprendendo amar? Relembro a sábia e forte palavra de Paulo, ainda que eu tenha todos os dons e conheça todos os mistérios sem amor, isso nada vale. Amemos.

Prece do Alvorecer - Divaldo por Joanna de Angelis


Lugar de Amor














Acordei quando a manhã se vestia de luz para receber o dia. O sol, espreguiçando-se por detrás das nuvens, derramava seus raios mornos pela terra.


Abrindo a janela, senti uma grande alegria e desejei orar ao Criador de todas as coisas, ao Pai de todos nós. Queria dizer tantas coisas!

Mas como se pode, sendo tão pequeno, dizer coisas grandiosas a quem é tão onipotente?

Desejei abraçar o dia e servir, fazer algo útil, bom, especial.

Como se pode agradecer ao pai generoso por tantas dádivas senão buscando se tornar um servidor para as suas criaturas?

Entre a timidez e a emoção, com o coração a cantar em descompasso no peito, comecei:

Meu Deus e meu Senhor. Eu gostaria tanto de poder colaborar contigo. Eu gostaria de ser um jardim de flores, de todas as cores, para embelezar a terra.

Mas, na pobreza que minha alma encerra, se não puder ser um jardim, deixa-me ser uma rosa solitária, em uma fenda da rocha, colocando beleza no painel nobre da natureza.

Eu gostaria de ser um canteiro perfumado, aonde as abelhas viessem colher o néctar, para produzir o mel que alimentaria bocas infantis.

Eu gostaria de ser um trigal maduro, para colocar pão na mesa da humanidade. Mas, é demais para mim.

Como não poderei ser uma seara, ajuda-me a ser o grão, que caindo no chão, se multiplique num milhão. E me transforme em pão para os meus irmãos.

Eu gostaria de ser um pomar de frutos maduros para acabar com a fome. Mas na pobreza que me consome, te venho pedir para ser uma árvore desgalhada, projetando sombra na estrada. Talvez alguém, em passando de mansinho, por esse caminho possa me dizer "olá". E respondendo, eu estenda a mão e me ofereça: "sou teu irmão, sou teu amigo."

Eu gostaria de ser como uma chuva generosa, que caísse na terra porosa e reverdecesse o chão. Mas, como não conseguirei, então, te pedirei para ser um copo de água fria que mate a sede de quem anda na desesperação.

Eu gostaria de ser um riacho que descesse a encosta da montanha cantando, por entre as pedras, ofertando linfa refrescante às árvores que protegem o solo.

Meu Deus! Eu gostaria de ser como a via-láctea de estrelas para que as noites da Terra fossem mais belas e a dor debandasse, na busca de um novo dia.

Mas, na minha pequenez, sem conseguir, te quero pedir para ser um pirilampo na noite escura, iluminando a amargura de quem anda na solidão.

Eu gostaria de ser um poeta, um artista, um trovador. Quem sabe um cantor, um esteta, orador para falar da magia e da beleza da tua glória.

Mas, como eu quase nada sou, como me falta o verbo, a mestria, então, eu te peço, Senhor, para ser o companheiro da criatura deserdada.

Deixa-me caminhar pela estrada e estender a mão a quem anda solitário e triste. Deixa-me ser-lhe a mão de sustento e lhe dizer: "sou teu irmão, estou contigo. Vem comigo."

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Sonho ou saida do corpo?


Você sente um vazio na alma?


“É que nós temos um buraco emocional, que nos faz exigir demais dos outros… a nossa carência é tamanha que não nos contentamos com o que o outro pode nos oferecer, queremos e exigimos dele sempre mais e mais…”
Esse trecho é o resumo de um diálogo entre duas irmãs narrado por uma paciente que gentilmente concedeu permissão para compartilhar um pouco da sua história. Ela estava prestes a operar da vista e encontrava-se apreensiva quanto aos procedimentos que teria que passar. Há algum tempo começou a observar pontos obscuros na visão e depois teve diagnosticada uma “erosão na retina” que, se não cuidada, poderia levá-la a perder a visão. Sem adentrar pelas características técnicas da patologia, que fogem ao nosso propósito, ela explicava ser “um buraco na vista” que precisaria ser preenchido para voltar a enxergar.
Muitas vezes as feridas emocionais fazem com que vejamos a vida de forma distorcida, e por conta do ego nem sempre preparado para lidar com essas feridas, buscamos substitutos para lidar com o vazio decorrente, muitas vezes através de comportamentos compensatórios.
No caso da paciente, o uso da razão passou a ser o seu aliado principal ao longo da vida. Tornou-se uma profissional muito bem-sucedida, referência no país e no exterior. Destacou-se mais do que todos na família, e era bastante intensa em sua produtividade. Mas uma crise depressiva veio retirá-la por um tempo da “batalha”.
Foi a forma que a psique encontrou de fazer com que prestasse atenção em partes importantes que havia deixado para trás em sua jornada, enquanto priorizava as conquistas alavancadas pela razão. Necessitava resgatar sua vida emocional, que vivia crises constantes e afetava sobremaneira seus relacionamentos: quando estes conseguiam se sustentar, iam de mal a pior. Exigia demais dos outros, e era difícil aceitá-los nas suas limitações. É difícil aceitar a sombra do outro quando não aceitamos a nossa própria.
A parada foi a oportunidade de fazer uma busca diferente. Aproximou-se mais da religião, buscou o auxílio da terapia e da psiquiatria e ampliou os cuidados com a saúde. Começou a olhar de forma consciente para o passado, tentando refazer a trilha da vida e encontrar respostas para suas crises. Reviu relações familiares, abandonos, violência, mas também reconheceu os limites de cada personagem nessa trilha. Descobriu que todos, em sua história, também possuíam suas feridas, e que o mais importante era resolver crescer com e apesar delas.
Durante a turbulência, passou a viver algo mágico e novo: tornou-se mãe adotiva. E uma das maiores preocupações era “não errar com a filha como haviam feito com ela”. Mas no caminho da vida nós “erramos”, assim como “erram conosco”, o que é natural por conta das nossas limitações, em muitos sentidos. Mas isso não pode servir como desculpa para não trilharmos o caminho da vida e enfrentar os desafios naturais que ela nos apresenta. O amor maternal, desenvolvido por escolha própria, impulsionou ainda mais sua busca interna.
Parte dessa trilha exige que construamos novas lentes de ver e perceber a vida. Afinal, como já dizia o poeta da alma Rubem Alves: “o ato de ver não é coisa natural; precisa ser aprendido.”
Recorrendo ao olhar simbólico da psicossomática, aprendemos que a psique manifesta no corpo os seus sintomas, como forma de nos fazer prestar a devida atenção a eles. Assim sendo, a cirurgia nos olhos torna-se parte simbólica do tratamento que ela busca para alma, e o preenchimento do “buraco” nos olhos é comparável ao que vem fazendo na terapia e na vida como um todo, esforçando por se compreender e aprimorar o relacionamento consigo mesma e, como consequência, começa a sentir que o relacionamento com os outros também se aprofunda.
Seus “olhos de ver” estão se ampliando, embora ainda oscile emocionalmente em alguns momentos, o que é natural face ao tempo em que permaneceu distante de si.
E como bem disse o poeta Gilberto Gil, é necessário encontrar as “lentes do amor” para que a cura se efetive: “Abrir o ângulo, fechar o foco sobre a vida. Transcender pela lente do amor. Sair do cético, encontrar um beco sem saída. Transcender pela lente do amor”.
Não foi à toa que o maior psicoterapeuta de todos os tempos elegeu o Amor como ensinamento mais importante, e que certamente é o remédio mais poderoso para preencher os vazios da alma.

Pendencias de vidas passadas

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Os assuntos pendentes, que trazemos de vidas passadas e os que criamos e mantemos na vida presente, serão importantes oportunidades de tomada de consciência, amadurecimento e crescimento, se nos dispusermos a resolvê-los, no lugar de ignorá-los ou alegar que são problemas dos outros.

É comum termos alguns assuntos pendentes, em nossa vida. Algo que sabemos que devemos resolver, mas que vamos adiando.

O assunto foi focalizado, de uma forma delicada e inusitada, em um filme japonês, lançado no ano de 2015.

A trama envolve a morte, por afogamento, de Yusuke, mergulhando a esposa Mizuki numa espécie de torpor. Os dias se arrastam e ela realiza as tarefas mecanicamente, sem ânimo. Está morta em vida.

Por três anos consecutivos, ela prepara a comida preferida do marido, na data festiva que celebra os que partiram.

No terceiro ano, o Espírito do marido lhe aparece e diz que quer que ela conheça as pessoas com quem ele convive nos últimos anos.

Apesar da estranheza da situação, a esposa o acompanha numa jornada que altera completamente sua forma de encarar a vida e a morte.

Ele a leva para pequenas cidades e aldeias, onde gente simples vive em contato com a natureza, e lhe mostra a beleza de viver.

Por onde passam, Yusuke é recebido com grande alegria, e Mizuki descobre que ele havia ajudado muitas pessoas a enfrentar seus problemas e tristezas.

Ela compreende que aquelas pessoas também haviam morrido, mas não sabiam disso, e continuavam sua rotina até que conseguissem perdoar, serem perdoadas ou resolvessem assuntos pendentes que as preocupavam e retinham na Terra.

Yusuke as auxiliava a tomar conhecimento da sua condição, para que pudessem se libertar.

Nessa viagem-sonho, Mizuki se liberta da dor e da mágoa. Perdoa o marido e o deixa prosseguir sua jornada, enquanto ela volta à sua vida, na Terra.

* * *

Somos Espíritos imortais vivendo uma experiência terrena.

Desconhecemos quanto tempo permaneceremos aqui. Mas sabemos que temos uma missão a cumprir, uma caminhada a realizar.

Nesse caminho, contaremos com a ajuda de parentes e amigos, encarnados e desencarnados, e também daqueles a quem prejudicamos, que nos cobrarão a quitação de nossos débitos, além de uma mudança de postura e atitude.

Os assuntos pendentes, que trazemos de vidas passadas e os que criamos e mantemos na vida presente, serão importantes oportunidades de tomada de consciência, amadurecimento e crescimento, se nos dispusermos a resolvê-los, no lugar de ignorá-los ou alegar que são problemas dos outros.

Muitas vezes, a solução de um assunto pendente precisa apenas que paremos por um instante.

Que paremos de julgar e de condenar. Que paremos de odiar e de atacar.

Que paremos de criticar e de menosprezar. Que paremos de nos sentir vítimas.

Que tenhamos um olhar mais fraterno para o outro, tentando entender sua dor e o que a causou.

Dessa forma, nos será possível deixar de lado os sentimentos negativos e passarmos a emitir um sentimento mais fraterno, dissolvendo os nós que nos mantêm presos uns aos outros.

Resolver assuntos pendentes é abrir clareiras na consciência para ampliar nossa capacidade de amar e perdoar.

Isso nos permitirá a chance de evoluir, cumprindo nossa missão como Espíritos imortais.

Carta de Humberto de Campos para sua Psicografada por Chico Xavier

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CARTA À MINHA MÃE
Hoje, mamãe, eu não te escrevo daquele gabinete cheio de livros sábios, onde o teu filho, pobre e enfermo, via passar os espectros dos enigmas humanos, junto da lâmpada que, aos poucos, lhe devorava os olhos, no silêncio da noite.
A mão que me serve de porta-caneta é a mão cansada de um homem paupérrimo, que trabalhou o dia inteiro buscando o pão amargo e cotidiano dos que lutam e sofrem. A minha secretária é uma tripeça tosca à guisa de mesa e as paredes que me rodeiam são nuas e tristes, como aquelas da nossa casa desconfortável em Pedra do Sal.
O telhado sem forro deixa passar a ventania lamentosa da noite e desse remanso humilde, onde a pobreza se esconde exausta e desalentada, eu te escrevo sem insônias e sem fadigas, para contar-te que ainda estou vivendo para amar e querer a mais nobre das mães.
Quereria voltar ao mundo que deixei, para ser novamente teu filho, desejando fazer-me um menino, aprendendo a rezar com o teu espírito santificado nos sofrimentos. A saudade do teu afeto leva-me constantemente a essa Parnaíba das nossas recordações, cujas ruas arenosas, saturadas do vento salitroso do mar, sensibilizam a minha personalidade e, dentro do crepúsculo estrelado da tua velhice cheia de crença e de esperança, vou contigo, em espírito, nos retrospectos prodigiosos da imaginação, aos nossos tempos distantes. Vejo-te com os teus vestidos modestos, em nossa casa de Miritiba, suportando com serenidade e devotamento os caprichos alegres de meu pai. Depois, faço a recapitulação dos teus dias de viuvez dolorosa, junto da máquina de costura e do teu “terço” de orações, sacrificando a mocidade e a saúde pelos filhos, chorando com eles a orfandade que o destino lhes reservara, e, junto da figura gorda e risonha da Midoca, ajoelho-me aos teus pés e repito: – “Meu Senhor Jesus-Cristo, se eu não tiver de ter uma boa sorte, levai-me deste mundo, dando-me uma boa morte.”
Muitas vezes o destino te fez crer que partirias antes daqueles que havias nutrido com o beijo das tuas caricias, demandando os mundos ermos e frios da Morte. Mas, partimos e tu ficaste. Ficaste no cadinho doloroso da saudade, prolongando a esperança numa vida melhor no seio imenso da Eternidade. E o culto dos filhos é o consolo suave do teu coração.
Acariciando os teus netos, guardas com o mesmo desvelo o meu cajueiro, que aí ficou, como um símbolo plantado no coração da terra parnaibana, e, carinhosamente, colhes das suas castanhas e das suas folhas fartas e verdes, para que as almas boas conservem uma lembrança do teu filho, arrebatado no turbilhão da Dor e da Morte.
Ao Mirocles, mamãe, que providenciou quanto ao destino desse irmão que aí deixei, enfeitado de flores e passarinhos, estuante de seiva, na carne moça da terra, pedi velasse pelos teus dias de insulamento e velhice, substituindo-me junto do teu coração. Todos os nossos te estendem as suas mãos bondosas e amigas e é assombrada que, hoje, ouves a minha voz, através das mensagens que tenho para quantos me possam compreender. Sensibilizam-me as tuas lágrimas, quando passas os olhos cansados sobre as minhas páginas póstumas e procuro dissipar as dúvidas que torturam o teu coração, combalido nas lutas. Assalta-te o desejo de me encontrares, tocando-me com a generosa ternura de tuas mãos, lamentando as tuas vacilações e os teus escrúpulos, temendo aceitar as verdades espíritas, em detrimento da fé católica, que te vem sustentando nas provações. Mas, não é preciso, mãe, que me procures nas organizações espíritas e, para creres na sobrevivência do teu filho, não é preciso que abandones os princípios da tua fé. Já não há mais tempo para que teu espírito excursione em experiências no caminho vasto das filosofias religiosas. Numa de suas páginas, dizia Coelho Neto que as religiões são como as linguagens. Cada doutrina envia a Deus, a seu modo, o voto de súplica ou de adoração. Muitas mentalidades entregam-se, aí no mundo, aos trabalhos elucidativos da polêmica ou da discussão. Chega, porém, um dia em que o homem acha melhor repousar na fé a que se habituou, nas suas meditações e suas lutas. Esse dia, mamãe, é o que estás vivendo, refugiada no conforto triste das lágrimas e das recordações. Ascendendo às culminâncias do teu Calvário de saudade e angústia, fixas os olhos na celeste expressão do Crucificado e Jesus, que é a providência misericordiosa de todos os desamparados e de todos os tristes, te fala ao coração dos vinhos suaves e doces de Caná, que se metamorfosearam no vinagre amargoso dos martírios, e das palmas verdes de Jerusalém, que se transformaram na pesada coroa de espinhos. A cruz, então, se te afigura mais leve e caminhas. Amigos devotados e carinhosos te enviam de longe o terno consolo dos seus afetos e, prosseguindo no teu culto de amor aos filhos distantes, esperas que o Senhor, com as suas mãos prestigiosas, venha decifrar para os teus olhos os grandes mistérios da Vida.
Esperar e sofrer têm sido os dois grandes motivos, em torno dos quais rodopiaram os teus quase setenta e cinco anos de provações, de viuvez e de orfandade. E eu, minha mãe, não estou mais aí para afagar-te as mãos trêmulas e os cabelos brancos que as dores santificaram. Não posso prover-te de pão e nem guardar-te da fúria da tempestade, mas, abraçando o teu Espírito, sou a força que adquires na oração, como se absorvesses um vinho misterioso e divino.
Inquirido, certa vez, pelo grande Luiz Gama sobre as necessidades da sua alforria, um jovem escravo observou: – “Não, meu senhor!… a liberdade que me oferece me doeria mais que o ferrete da escravidão, porque minha mãe, cansada e decrépita, ficaria sozinha nos misteres do cativeiro.”
Se Deus me perguntasse, mamãe, sobre os imperativos da minha emancipação espiritual, eu teria preferido ficar, não obstante a claridade apagada e triste dos meus olhos e a hipertrofia que me transformava num monstro, para levar-te o meu carinho e a minha afeição, até que pudéssemos partir juntos, desse mundo onde tudo sonhamos para nada alcançar. Mas, se a Morte parte os grilhões frágeis do corpo, é impotente para dissolver as algemas inquebrantáveis do espírito.
Deixa que o teu coração prossiga, oficiando no altar da saudade e da oração; cântaro divino e santificado. Deus colocará dentro dele o mel abençoado da esperança e da crença, e um dia, no portal ignorado do mundo das Sombras, eu virei, de mãos entrelaçadas com a Midoca, retrocedendo no tempo, para nos transformarmos em tuas crianças bem-amadas.
Seremos agasalhados, então, nos teus braços cariciosos, como dois passarinhos minúsculos, ansiosos da doçura quente e suave das asas maternas, e guardaremos as nossas lágrimas nos cofres de Deus, onde elas se cristalizam como as moedas fulgurantes e eternas do erário de todos os infelizes e desafortunados do mundo. Tuas mãos segurarão ainda o “terço” das preces inesquecidas e nos ensinarás, de joelhos, a implorar, de mãos postas, as bênçãos prestigiosas do Céu. E, enquanto os teus lábios sussurrarem de mansinho – “Salve Rainha… mãe de misericórdia…” começaremos juntos a viagem ditosa do Infinito, sob o dossel luminoso das nuvens claras, tênues e alegres do Amor.
Extraído do livro Crônicas de Além Túmulo, Feb, cap. 34.
Humberto de Campos/Chico Xavier

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Assistência Espiritual Superior

Assistência Espiritual Superior
Muitos dos nossos irmãos de crença espírita ainda não conseguiram despojar-se dos velhos temores e medos que hoje já não são mais admissíveis para um seguidor de Jesus através da esclarecedora Doutrina Espírita, quando se constata que alguns chegam a temer mais a influência de Satanás nos acontecimentos da vida, do que acreditar no amor e na bondade de Deus, como se o mal e não o bem fosse o vencedor no duelo da perfeição do espírito imortal.
Chegam alguns a alardear a fragilidade das nossas possibilidades no exercício do bem, e a exaltarem a fortaleza das adversidades impostas pelos verdugos das forças negativas do mal, de quem se escondem acovardados e temerosos, não adiantando as inúmeras advertências dos prepostos do Cristo, para que creiam em si e em Deus, pois que o próprio Jesus já nos esclareceu para a verdade de que somos deuses, e faremos o que ele fez e muito mais.
Encontramos na literatura espírita farto material de estudo que nos esclarecem da ajuda que nos é dispensada em qualquer tarefa no bem, e que nos dá total segurança para a prática da caridade, sem nos preocuparmos com os adversários da Luz, que não passam de espíritos ignorantes, desviados da senda do amor, mas que, certamente, ao contato com a verdade imutável, mais cedo ou mais tarde a compreenderão e a seguirão como o único caminho para a salvação de suas almas transviadas.
Selecionamos nessa rica literatura alguns trechos de obras, que nos dão bem uma idéia de como somos ajudados, socorridos, orientados e etc. pelos prepostos de Jesus, responsáveis pela implantação do bem na Terra, sempre que decidimo-nos por abraçar uma tarefa qualquer na Seara sublime do amor e da caridade.
Livro: nos Domínios da Mediunidade Cap. 17
Hilário o amigo de André Luiz, pergunta ao instrutor Áulus, sobre uma atividade de passe que eles estão assistindo com grande quantidade de pessoas, aguardando para serem beneficiadas:
“P – Isso significa que não precisam temer a exaustão…
 R – De modo algum. Tanto quanto nós, não comparecem aqui com a pretensão de serem os senhores do benefício, mas sim na condição, de beneficiários que recebem para dar. A oração, com o reconhecimento de nossa desvalia, coloca-nos na posição de simples elos de uma cadeia de socorro, cuja orientação reside no alto. Somos nós aqui, neste recinto consagrado à missão evangélica, sob a inspiração de Jesus, algo semelhante à singela tomada elétrica, dando passagem à força que não nos pertence e que servirá na produção de energia e luz.
 – mais adiante… André Luiz comenta: Os passistas afiguravam-se-nos como duas pilhas humanas deitando raios de espécie múltipla, a lhes fluírem das mãos, depois de lhes percorrerem a cabeça, ao contato do irmão Conrado e de seus colaboradores.
 – mais à frente… Áulus esclarece: Analisada a questão nestes termos, todas as pessoas dignas e fervorosas, com o auxílio da prece, podem conquistar a simpatia de veneráveis magnetizadores do Plano Espiritual que passam assim, a mobilizá-las na extensão do bem. Não nos achamos à frente do hipnotismo espetacular, mas sim num gabinete de cura, em que os médiuns transmitem os benefícios que recolhem sem a presunçãode doá-los de si mesmos.
É importante não esquecer essa verdade para deixarmos bem claro que, onde surjam a humildade e o amor, o amparo divino é seguro e imediato”.

Livro: Conduta Espírita Cap. 28
Quando aplicar passes e demais tarefas da terapêutica espiritual, fugir à indagação sobre resultados e jamais temer a exaustão das forças magnéticas.
Livro: Conduta Espírita Cap. 47
Em todos os instantes, reconhecer-se na presença invisível de Jesus, que nos ampara nas obras do bem.
Livro: Trilhas da Libertação
 Cap. Aflições e aprendizado:
O carro do amor não para, nem o amor jamais será vencido.
Cap. Providências Finais:
 O amor tem soluções de misericórdia para todas as ocorrências. É prematuro o momento para prognósticos de questões que fogem à nossa alçada.
Cap. Socorros de Emergência:
O exercício correto da mediunidade, a vivência dinâmica dos postulados espíritas constituem recursos preciosos para o trânsito seguro e lúcido entre as esferas física e espiritual.
 Cap. Sexo e Responsabilidade:
E quando for necessário dirimir qualquer dúvida, deve-se recorrer à oração, que é tônico de vida e fio invisível de Luz que liga o indivíduo aos dínamos geradores da força vital e de paz.
Cap. Últimas Considerações:
Tomando cuidado como dar de graça o que de graça se recebe, o ínclito Codificador do Espiritismo advertiu, elucidando que a mediunidade nobre jamais subirá aos palcos e a sua gratuidade, conforme lemos, é sempre condição sine qua non para merecer respeito, confiança e apoio espiritual relevante.
 Cap. Cilada Perversa:
A pesar de ainda se apresentar como planeta de provas e expiações, a Terra é uma escola de bênçãos onde aprendemos a desenvolver as aptidões e a aprimorar os valores excelentes do sentimento.

Livro: Aconteceu na Casa Espírita
 Cap. O Bem Vitorioso:
Segue confiante, na certeza de que amigos do Mais Alto te sustentam. E quando te sentires angustiado diante de situações inusitadas, quando tua alma for ferida pela incompreensão sabe que mãos intangíveis te sustentarão, que corações amigos te compreenderão e que uma plêiade de espíritos benéficos te haverão de inspirar!
Continua, portanto, zelando pela pureza doutrinária, evitando o personalismo, estimulando os estudos simples, que abrangem a maioria, para que a simplicidade que nos caracteriza continue nos permitindo avançar cada vez mais.
Livro: Devassando o Invisível
Cap. VIII:
… também a mediunidade, como participante dessas funções (sensoriais e perceptivas, ao que a observação indica), possuirá possibilidades de ação e sutilezas ainda desconhecidas dos estudiosos atuais.
Livro: Missionários da Luz
 Cap. 19:
Em todo o lugar onde haja merecimento nos que sofrem e boa vontade nos que auxiliam, podemos ministrar o benefício espiritual com relativa eficiência.

Considerações Finais
Oferecemos este singelo apanhado de considerações a respeito da assistência que recebemos da Espiritualidade maior, para que sirva de auxílio para os irmãos ainda temerosos quanto à capacidade de serem úteis aos benfeitores da espiritualidade que laboram na Seara de Jesus, para que guardem a certeza de que quando nos dedicamos à tarefa da caridade em benefício do nosso próximo, somos na verdade os primeiros a receber as benesses resultantes dessa nossa atitude, pois como nos ensinou Jesus, o amor cobre a multidão de pecados. Não esperemos ser perfeitos para começar a tarefa de auxílio aos carentes de toda ordem, pois como nos esclarecem os imortais da vida Maior no Livro dos Médiuns, em Capítulo XX:
9ª Qual o médium que se poderia qualificar de perfeito?
 “Perfeito, ah! bem sabes que a perfeição não existe na Terra, sem o que não estaríeis nela. Dize, portanto, bom médium e já é muito, por isso que eles são raros. Médium perfeito seria aquele contra o qual os maus Espíritos jamais ousassem uma tentativa de enganá-lo. O melhor é aquele que, simpatizando somente com os bons Espíritos, tem sido o menos enganado.”
Para finalizar, lembremo-nos da advertência que “A dúvida é, pois, veneno para a criatura” (Tiago 1 – 6/8).  Que Jesus nosso Modelo e Guia possa estar nos corações de todos nós para que possamos melhor representá-lo nas tarefas que tomamos parte em sua Seara, pois sabemos o quanto somos por ele auxiliados e quanto somos beneficiados no trabalho do bem em nosso próprio proveito e dos nossos irmãos em humanidade.
Francisco Rebouças
Nota do Editor:
Imagem em destaque disponível em <http://radioboanova.com.br/artigos/mediunidade-de-parceria-ressignificando-praticas-mediunicas/>. Acesso em 03DEZ2015.

A rejeição dói, mas não é o fim do mundo

Encarando o sofrimento
Quando escrevia o livro Evite a rota do suicídio, no trabalho de pesquisa, constatei que muita gente sai pela porta dos fundos da existência, consumando o triste ato do suicídio, porque teve seu afeto rejeitado.
Casamentos, namoros, relacionamentos de décadas findam-se e há pessoas que não conseguem lidar com o término. Muitas desesperam-se porque depositaram todas as suas esperanças no outro e viveram em função dele.
E neste desespero questionam:
E agora, o que farei sem ele (a)?
Como disse anteriormente alguns cometem o suicídio, outros tantos piram, literalmente e recusam-se a viver.
Claro que ser rejeitado não é “bolinho”, mas, convenhamos, está longe de ser o fim do mundo… É o fim, mas apenas de um relacionamento. Não pense você que quero malbaratar a sua dor, nada disto.
Ser rejeitado por alguém causa muita tristeza.
Entretanto, isto não quer dizer que não temos valor, mas, sim, que o outro optou por não estar conosco, o que é, diga-se de passagem, um direito dele.
Tenho visto muita gente desvalorizar-se porque foi preterido.
Bobagem. Vida que segue.
Dói? Dói muito, mas passa…
O conhecimento Espírita ajuda um bocado ao informar que ninguém pertence a ninguém.
Somos Espíritos em progresso e estamos sujeitos a passar por essas provas.
Se bem a suportarmos, esta dor no coração poderá deixar-nos mais fortes e preparados para, quem sabe no futuro, vivenciarmos um amor bem bacana, recíproco, sem que tenhamos de implorar atenção e carinho… Um amor daquele tipo 50% e 50%, os dois olhando na mesma direção e prontos para crescerem juntos.
Recordo-me da história de uma amiga a Sara. Casada há 10 anos com o Rafael, Sara voltou a estudar e convidou o seu amado. Ele não quis, preferiu ficar esperando-a no bar ao lado da faculdade. Sara foi progredindo, aprendendo, crescendo e seus horizontes abriram-se. Rafael ficou estagnado. Sara prosseguiu convidando-o a crescer, mas ele recusava-se. Estudar? Para quê? Aliás, já estava “velho” para aprender. Mas eis que após alguns anos ambos já não tinham mais assunto. Ela dizia para Rafael coisas sobre a terra, a água, o ar… E, como na música da Legião, ele nem fazia aulinhas de inglês.
Na questão de nº 300 de O livro dos Espíritos há interessante informação sobre almas que deixam de ser simpáticas. Num planeta como a Terra há o grande perigo de alguém evoluir e não mais nutrir simpatia pelos antigos amigos ou almas afins. Se alguém avança muito acaba afastando-se daqueles que não avançaram.
Foi o caso de minha amiga, penso que nem é preciso dizer que após anos juntos Sara e Rafael, separaram-se.
Claro, já não tinham nada a ver um com o outro.
E o Rafael, o que fez?
Disse que a rejeição dói, mas não é o fim do mundo.
E, por isto mesmo não ficou por ai desvalorizando-se.
Após o tombo da separação refletiu bem em sua vida e voltou a estudar.
Sara, vendo sua disposição em mudar decidiu dar-lhe mais uma chance e, pasmem, após legalmente separados casaram-se de novo, de papel passado e tudo, com direito a uma bela festa e lua de mel…
E quem um dia irá dizer que não existe razão para as coisas feitas com o coração…
Desvalorizar-se não é, pois, o caminho.
Mais vale refletir nas razões que levaram ao término da relação e avançar, como fez Rafael…
Wellington Balbo
Nota do editor:
Imagem ilustrativa em em destaque disponível em <http://www.getirelandwalking.ie/startwalkingtoday/>.
Acesso em: 13FEV2016.