#htmlcaption1 Deus, força e luz O evangelho ensinado e vivenciado ha 99 anos

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Os espíritos influenciam os fenômenos da natureza?

terremoto
ALEXANDRE FONTES DA FONSECA
Analisamos, à luz dos conhecimentos atuais da Ciência e da Doutrina Espírita, a questão sobre a ação dos espíritos nos fenômenos da natureza. Apesar dos espíritos confirmarem tal influência esse assunto foi pouco discutido
 pelo codificador em razão dos poucos conhecimentos científicos, existentes à época, a respeito de tais fenômenos.
Graças ao desenvolvimento das disciplinas científicas conhecidas como Teoria do Caos e Complexidade podemos retomar a questão. Neste artigo, argumentamos que a influência ou ação dos espíritos num fenômeno natural de larga escala como, por exemplo, uma tempestade, não requer, do ponto de vista físico, uma grande quantidade de energia, em comparação com a magnitude do fenômeno em si. Em termos espíritas isto significa que não há necessidade de uma grande quantidade de fluido animalizado para realizar-se tal influência, o que a torna um evento perfeitamente possível. Utilizamos os conceitos de Caos e Complexidade para entender como isso pode ser possível.
PALAVRAS–CHAVE: Caos; Complexidade; Influência dos espíritos na natureza; fenômenos atmosféricos; efeitos físicos; fenômenos físicos.
I – INTRODUÇÃO
Em “A Gênese”, Capítulo XV item 45, Kardec apresenta uma passagem evangélica intitulada “Tempestade Acalmada”[1]. Nesta passagem Jesus e os discípulos estavam passando de uma margem à outra de um lago, em um barco, quando fortes ventos surgiram e os discípulos, assustados, pediram ajuda ao Mestre. Este, segundo a narrativa evangélica, se dirigiu aos ventos e às ondas apaziguando-os. Jesus, então, aproveita a oportunidade para falar-lhes sobre a fé. Kardec, no item 46 da referência acima e Caibar Schutel[2] comentam a passagem. Kardec, neste item, admite que não se conhece os “segredos da Natureza para afirmar se há, ou não, inteligências ocultas que presidem à ação dos elementos”. Caibar Schutel vai mais além afirmando que “todos os fenômenos sísmicos e atmosféricos são dirigidos por seres inteligentes encarregados das manifestações da Natureza”[2]. Em ambas as citações os autores afirmam a possibilidade da atuação dos espíritos sobre o fenômeno de uma tempestade mas, conforme veremos adiante, não existe na literatura espírita nenhuma explicação sobre como seria tal atuação.
tempestade
De todos os fenômenos conhecidos pelo ser humano, de uma maçã que cai ao chão, até os mais belos fenômenos luminosos observados no Universo, temos que lembrar que as leis que estão por trás de cada um deles são leis naturais e, portanto, de origem divina. Ao longo da história, o ser humano tentou compreendê-las através da observação e estudo dos fenômenos naturais que ocorriam. Em 1687, um salto ocorreu na maneira como estudar e entender tais fenômenos. Galileu, em Diálogos Sobre os Dois Sistemas de Mundo e, de modo mais formal, Isaac Newton, em Principia Mathematica Philosophiae Naturalis, inauguraram uma nova maneira de se fazer Ciência ao descreverem, matematicamente, os fenômenos mecânicos da natureza. Esta se desenvolveu rapidamente trazendo luz e progresso a toda a humanidade.
Os conhecimentos científicos consistem na forma pela qual se entende as leis naturais que regem os fenômenos materiais. Por isso, o uso que vamos fazer de conceitos modernos da Ciência (Teoria do Caos e Complexidade), na tentativa de entender como os espíritos podem atuar em um determinado fenômeno natural, não diminuem em nada o carácter natural tanto dos fenômenos quanto das leis.
Neste artigo, portanto, apresentaremos uma forma pela qual os espíritos poderiam exercer uma ação sobre os fenômenos da Natureza de larga escala, como uma tempestade, baseando-se nos conceitos de Teoria do Caos e Complexidade.
É sabido que os fenômenos da atmosfera, em torno dos quais trabalharemos, são sistemas caóticos e complexos[3]. Um sistema é dito caótico[4] quando extremamente sensível a pequenas perturbações(a) . Como exemplo, considere um jogo de bilhar com a mesa cheia de bolas. Se o jogador, ao dar uma tacada, errar um pouco a direção desejada, o resultado final, que é o movimento das bolas, será completamente diferente daquele previsto se a tacada fosse correta, e não apenas um pouco diferente, como se poderia pensar. Este tipo de dinâmica, sensível às condições iniciais, é chamada de caótica. Como consequência, perde-se, efetivamente, o poder de prever o que vai acontecer após a tacada se o jogador não tiver total certeza de qual será a sua direção.
tempestade
Um sistema é dito complexo[5] quando o seu comportamento é rico em possibilidades inesperadas e diversificadas, mesmo que sua estrutura não seja complicada, isto é, composta de muitas partes interliga- das entre si. A vida é um dos melhores exemplos de complexidade. As características do ser vivo mais simples, como uma ameba, exibem qualidades inesperadas e diversificadas. Apesar da vantagem da velocidade, nossos computadores, por exemplo, são menos complexos do que o ’cérebro’ de uma minhoca[6]. Se considerarmos que os gases que compõem a atmosfera são formados por partículas, aproximadamente, esféricas, podemos imaginar que milhares delas estão a todo momento se chocando como no jogo de bilhar acima exemplificado. A atmosfera, portanto, é um sistema que apresenta comportamento caótico e complexo por ser extremamente sensível a relativamente pequenas perturbações e por se manifestar em uma grande variedade de situações conhecidas como tempestades, tufões, ventos, frentes frias e quentes, etc. O grande físico Stephen Hawking, em seu mais novo livro intitulado “O Universo numa Casca de Noz”[6], expõe de forma poética este fato ao dizer que: “Uma borboleta batendo as asas em Tóquio pode causar chuva no Central Park de Nova Iorque”. Como ele mesmo explica, não é o bater das asas, pura e simplesmente, que gerará a chuva mas a influência deste pequeno movimento sobre outros eventos em outros lugares é que pode levar, por fim, a influenciar o clima. É por es- ta razão que a atmosfera é um sistema de difícil previsão e faz com que, pelo menos uma vez por semana, consultemos a Meteorologia sobre as condições do tempo(b).
Para realizar previsões no tempo, a Meteorologia se utiliza de ferramentas teóricas para calcular, com alguma precisão, o comportamento do clima a partir de um dado conjunto de medidas atmosféricas obtidas experimentalmente. Edward N. Lorenz propôs o primeiro modelo teórico[7] para a dinâmica da atmosfera, conhecido como o Modelo de Lorenz. A figura 1 mostra um exemplo do chamado atrator estranho ou borboleta de Lorenz que é uma solução das equações obtidas com o seu modelo.
Os espíritos influenciam os fenômenos da natureza?
Figura 1: Atrator estranho ou borboleta de Lorenz obtida resolvendo-se as equações diferenciais do modelo de Lorenz. x, y e z representam grandezas físicas como temperatura, pressão e velocidade das partículas.
Lorenz também demonstrou, em um artigo de 1982[8], que existe um limite para a previsibilidade de sistemas atmosféricos em largas escalas, que é em torno de 2 semanas. Isto quer dizer que não podemos confiar nas previsões do tempo feitas após este intervalo. Enfatizamos, portanto, que existe um limite para o conhecimento que o ser humano atingiu com relação a este problema. Essa informação será importante na discussão sobre a capacidade dos espíritos de realizarem melhores cálculos e previsões.
Este artigo está organizado da seguinte forma. Na seção II exporemos tudo o que encontramos nas obras básicas de Allan Kardec sobre a ação dos espíritos sobre os fenômenos da Natureza. Lembraremos algumas idéias básicas sobre fenômenos de efeitos físicos, já que qualquer atuação dos espíritos sobre os fenômenos da Natureza pertence a esta classe de efeitos. Na seção III, mostraremos que esta atuação é perfeita- mente plausível e requer pouco fluido animalizado. Finalmente, na seção IV nós resumimos os resultados apresentando as principais conclusões.
II – O QUE DIZ O ESPIRITISMO
Além das citações feitas do livro A Gênese e do livro de Caibar Schutel a respeito de uma passagem evangélica onde Jesus “controla” uma tempestade, as questões de 536 a 540 do Livro dos Espíritos[9] falam sobre o assunto. Existe, ainda, uma pequena menção ao tema na Revista Espírita de setembro de 1859[10], intitulada “As tempestades” que não acrescenta em nada o conteúdo presente nas questões de 536 a 540 acima citadas. Por isso, vamos nos ater, apenas, ao Livro dos Espíritos. Transcreveremos algumas destas questões, grifando aquilo que acharmos importante para a discussão proposta neste artigo. A primeira questão que nos interessa é a de número 536-a:
536 – A ESSES FENÔMENOS (DA NATUREZA) SEMPRE VISAM AO HOMEM ?
  • Algumas vezes têm uma razão de ser diretamente relacionada ao homem, mas frequentemente não tem outro objetivo que o restabelecimento do equilíbrio e da harmonia das forças físicas da Natureza.
536 – B CONCEBEMOS PERFEITAMENTE QUE A VONTADE DE DEUS SEJA A CAUSA PRIMÁRIA, (…); MAS COMO SABEMOS QUE OS ESPÍRITOS PODEM AGIR SOBRE A MATÉRIA E QUE ELES SÃO OS AGENTES DA VONTADE DE DEUS, PERGUNTAMOS SE ALGUNS DENTRE ELES NÃO EXERCERIAM UMA INFLUÊNCIA SOBRE OS ELEMENTOS PARA OS AGITAR, ACALMAR OU DIRIGIR.
  • Mas é evidente; isso não pode ser de outra maneira. Deus não se entrega a uma ação direta sobre a Natureza, mas tem seus agentes dedicados, em todos os graus da escala dos mundos.
537 -A (…), PODERIA ENTÃO HAVER ESPÍRITOS HABITANDO O INTERIOR DA TERRA E PRESIDINDO AOS FENÔMENOS GEOLÓGICOS ?
  • – Esses espíritos não habitam precisamente a Terra, mas presidem e dirigem os fenômenos, segundo as suas atribuições. Um dia tereis a explicação de todos esses fenômenos e os compreendereis melhor.
538 OS ESPÍRITOS QUE PRESIDEM AOS FENÔMENOS DA NATUREZA FORMAM UMA CATEGORIA ESPECIAL NO MUNDO ESPÍRITA, SÃO SERES À PARTE OU ESPÍRITOS QUE FORAM ENCARNADOS, COMO NÓS ?
  • Que o serão, ou que o foram.
538 – A – ESSES ESPÍRITOS PERTENCEM ÀS ORDENS SUPERIORES OU INFERIORES DA HIERARQUIA ESPÍRITA ?
  • Segundo o seu papel for mais ou menos material ou inteligente: uns mandam, outros executam; os que executam as ações materiais são sempre de uma ordem inferior, entre os espíritos como entre os homens.
539 NA PRODUÇÃO DE CERTOS FENÔMENOS, DAS TEMPESTADES, POR EXEMPLO, É SOMENTE UM ESPÍRITO QUE AGE OU SE REÚNEM EM MASSA ?
  • Em massas inumeráveis.
540 OS ESPÍRITOS QUE AGEM SOBRE OS FENÔMENOS DA NATUREZA AGEM COM CONHECIMENTO DE CAUSA, EM VIRTUDE DE SEU LIVRE ARBÍTRIO, OU POR UM IMPULSO INSTINTIVO E IRREFLETIDO ?
  • Uns sim; outros não. (…) (sobre os espíritos mais atrasados) … Primeiro, executam; mais tarde, quando sua inteligência estiver mais desenvolvida, comandarão e dirigirão as coisas do mundo material; (…)”
Estas questões juntamente com o que nós assinalamos e grifamos, servirão de base para a nossa discussão. De modo a organizarmos os argumentos, vamos enumerar os pontos principais:
  1. Os espíritos são os agentes de Deus na execução de seus desígnios. Portanto são os espíritos que agem sobre os fenômenos da Natureza quando isso é necessário.
  2. Os agentes (os espíritos) existem em todos os graus da escala evolutiva. Existem, então, os que dirigem, mandam e comandam; e os que executam a ação sobre os fenômenos. Isso significa que os que mandam e dirigem, devem ter capacidade de coordenar, calcular, prever as consequências da atitude a ser tomada pelos que executam a tarefa.
  3. Os espíritos se reúnem em massas para a realização do fenômeno.
Antes de passarmos para a seção onde explicaremos como os espíritos podem controlar os fenômenos da Natureza, vamos rever alguns princípios básicos necessários para que ocorram efeitos físicos. Do capítulo IV da segunda parte do Livro dos Médiuns[11], retiramos os seguintes princípios:
  • Um espírito só pode mover um corpo sólido se ele combinar uma porção do fluido universal com o fluido que se desprende do médium apropriado a esses efeitos.
  • Um espírito pode agir sem que o médium, doador do fluido animalizado, perceba.
  • Um espírito pode agir tanto sobre a matéria mais densa quanto sobre o ar ou algum líquido.
De posse destes princípios básicos da Doutrina Espírita podemos analisar a influência dos espíritos sobre os fenômenos da Natureza sabendo que esses fenômenos são caóticos e complexos.
III – INFLUÊNCIA DOS ESPÍRITOS SOBRE A NATUREZA
Como vimos anteriormente, os espíritos superiores ensinam que são os próprios espíritos os agentes de Deus nos fenômenos da Natureza. Vimos também que espíritos superiores (os que dirigem) e inferiores (os que executam) se unem na execução dos desígnios divinos. Vamos, nesta seção mostrar que, diante de um fenômeno de larga escala, como uma tempestade, não é necessário que os espíritos atuem em cada porção do espaço onde ocorre o fenômeno. Faremos uma estimativa da ordem de grandeza do volume de uma tempestade em uma região do tamanho de uma pequena cidade de modo a percebermos a inviabilidade de se atuar em todo o espaço. Em seguida discutiremos, com base nos conhecimentos atuais da ciência, uma proposta sobre como os espíritos poderiam influenciar um fenômeno destes atuando em uma região espacial bem menor.
Consideremos uma cidade que ocupe uma área de 100 km² (uma área quadrada de lado igual a 10 km). Consideremos um conjunto de nuvens de tempestades que se formem a uma altura 3 de 5 km. Basta multiplicarmos pela área para obtermos uma estimativa do volume de espaço onde a tempestade ocorrerá: 100 x 5 = 500 km³. Um metro cúbico (1 m³) é o volume de uma caixa d’agua de 1000 litros. Uma unidade de quilômetro cúbico (1 km³) equivale a um volume de 1.000.000.000 de metros cúbicos (1 bilhão m³) que equivale a mesma quantidade de caixas d’água de 1000 litros. São 1000 bilhões, ou 1 trilhão de litros de volume para cada km³ de espaço. Imaginemos que um espírito deseja influenciar ou atuar sobre um litro de água ou ar de modo a produzir, por exemplo, algum movimento. Um litro é um volume de espaço considerável quando pensamos neste tipo de fenômeno. Suponha que um médium seria suficiente para fornecer fluidos necessários para produzir-se tal efeito físico. Imaginemos, agora, que para influenciar uma tempestade inteira seria preciso atuar em mais de 1 trilhão de litros de uma mistura de ar, vapor de água e água líquida. Quantos médiuns seriam necessários para produzir-se um efeito, mesmo que pequenino, em todo este volume ? Imaginemos, ainda, que uma tempestade pode estar ocorrendo em milhares de cidades espalhadas pelo mundo ao mesmo tempo. Lembremos também que para afastar uma tempestade, por exemplo, é preciso não só atuar na região onde ela ocorre mas, nas regiões vizinhas pois elas podem estar enviando frentes frias ou úmidas ou algo do tipo, e é preciso, portanto, atuar nestas regiões também. A figura 2 abaixo nos dá uma ideia da ordem de grandeza de um fenômeno de uma tempestade.
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Figura 2: Uma tempestade se aproximando de uma cidade. Compare o tamanho do conjunto formado por nuvens e chuva com o tamanho dos prédios.
Tudo isso nos leva a crer na inviabilidade de se realizar tal influência da maneira descrita acima. Mesmo uma massa inumerável de espíritos, conforme o ponto número 3, atuando sobre todo o espaço seria in- suficiente para realizar-se uma influência que culminasse num efeito preciso. Porém, a história é outra se levarmos em consideração a dinâmica dos sistemas formados pela atmosfera. Sabemos que esta dinâmica é caótica o que significa que tais sistemas são extrema- mente sensíveis à pequenas perturbações em algumas de suas partes. Isso nos leva a imaginar que, se pudéssemos calcular com precisão o efeito de cada perturbação imposta numa pequena região do espaço (ou em mais de uma, porém poucas, regiões do espaço), pode- ríamos controlar e até conduzir o fenômeno total a um resultado desejado. Vimos na seção anterior que os espíritos superiores comandam a influência sobre os fenômenos. O princípio 2 nos leva crer na capacidade destes espíritos de calcularem e decidirem a melhor atuação. Na introdução nós comentamos sobre o progresso que a ciência humana já fez neste campo e seus limites. Acreditamos que seja perfeitamente possível aos espíritos superiores calcular com muito maior precisão os efeitos de uma dada perturbação em uma dada região do espaço. Assim, desde que o sistema é caótico, bastaria aos espíritos atuarem numa porção de espaço muito pequena, possivelmente bem menor do que 1 % do volume total. Apesar de não podermos estimar qual seria esse tamanho (lembremos que a nossa Ciência ainda não consegue fazer isso), podemos afirmar, com toda a certeza, que não seria necessário atuar-se sobre toda a região do espaço. Desta forma, não seria necessário uma grande quantidade de fluido animaliza- do para que a atuação espiritual ocorra. Isso, enfim, significa que a influência dos espíritos sobre os fenômenos da Natureza passa a ser algo perfeitamente viável.
IV – CONCLUSÕES
Na questão número 536 (não transcrita na seção II) Kardec pergunta aos espíritos se os grandes fenômenos da Natureza, como terremotos e tempestades, possuem um fim providencial e os espíritos respondem que “Tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus”. Não foi nosso objetivo, neste artigo, discutir os aspectos morais que levariam aos espíritos a influenciarem tais fenômenos. No entanto, cabe refletirmos que determinados acontecimentos desta natureza influenciam de maneira muito significativa na evolução dos povos levando ao desenvolvimento tanto moral quanto intelectual de seus indivíduos.
No artigo da referência [3], o Dr. Ross N. Hoffman afirma ser possível, num futuro, relativamente, próximo, controlar-se os fenômenos da atmosfera terrestre. Com base nas teorias do caos e no desenvolvi- mento do que se chama “Controle do Caos”[3] ele propõe um esquema similar ao que expomos aqui, para o que poderia ser um controle de tais fenômenos. Se a ciência humana já cogita esta possibilidade, podemos dizer que tais conhecimentos já estão desenvolvidos nos planos espirituais superiores.
Como vimos na seção 3, a união do avanço intelectual dos espíritos superiores com a natureza caó- tica e complexa da dinâmica dos fenômenos da natureza permite que entendamos, de modo mais plausível, como a influência dos espíritos sobre os fenômenos da natureza pode ocorrer. Esta proposta está de acordo com o que os espíritos disseram na questão de número 537-a, a respeito sobre a explicação e a compreensão destes fenômenos.
Ainda resta um ponto que devemos comentar. É sobre a questão do número de espíritos necessários à influenciação (ponto 3). Este ponto diz que os espíritos que atuam nos fenômenos da natureza o fazem em grupos numerosos. Apesar de que, conforme demonstramos, não é necessário agir sobre toda a região do espaço para influenciar uma tempestade, isto não significa que tal influência seja simples e que apenas um espírito seja necessário. Conforme descrito em Missionários da Luz, Cap. 10[13], um efeito físico como a materialização de uma garganta requer a colaboração de uma grande equipe de espíritos. Portanto, para se efetuar uma ação numa porção do espaço com grande precisão não é de se estranhar que se necessite movimentar um grande número de colaboradores desencarnados.
Por fim, lembramos que este trabalho apresenta uma forma pela qual os espíritos poderiam influenciar os fenômenos da natureza. Não pretendemos que ela seja a única solução ou a solução final para a questão. Apesar de não ser comum pensarmos na Mecânica Quântica como modelo teórico para tais fenômenos, um estudo sobre as possibilidades de sua aplicação ao problema exposto aqui merece atenção. Isso será considerado em uma futura publicação.
AGRADECIMENTOS
O autor agradece a D. Floriza S. A. Chagas, Dr. Alexandre C. Gonçalves, Dra. Hebe M. L. de Souza, Sr. Henri Barreto, Dr. Zalmino Zimmermann e ao Prof. Dr. Silvio S. Chibeni pela leitura crítica deste compuscrito e por valiosas sugestões e incentivos.
REFERÊNCIAS
[1] A. Kardec, A Gênese, Editora IDE, (1992).
[2] C. Schutel, Parábolas e Ensinos de Jesus, Editora CASA EDITORA O CLARIM, 12 a Edição, (1987).
[3] R. N. Hoffman, Bulletin of the American Meteorological Society, 83, p.241, (2002).
[4] E. Ott, Chaos in Dynamical Systems, Cambridge Uni- versity Press, (1993).
[5] Y. Bar–Yam, Dynamics of Complex Systems, Perseus Books, (1997).
[6] S. Hawking, O Universo Numa Casca de Nóz, Editora Mandarim, 2 a Edição, (2002).
[7] E. N. Lorenz, Journal of Atmospheric Science, 20, p.130, (1963).
[8] E. N. Lorenz, Tellus, 34, p.505, (1982).
[9] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, Editora Edições FEESP, 9 a Edição, (1997).
[10] A. Kardec, Revista Espírita, 8, p.276, (1859).
[11] A. Kardec, O Livro dos Médiuns, Editora Edições FEESP, 1 a Edição, (1984).
[12] M. M. F. Saba, Física na Escola, 2, p.19, (2001).
[13] A. Luiz, Psicografia de F. C. Xavier, Missionários da Luz, Editora FEB, 26 a Edição, (1995).
(a) A palavra “perturbação” aqui deve ser entendida como alguma pequena influência que gera uma pequena alteração num determinado sistema.
(b) Ainda sim, nos surpreendemos com as variações!
© Nuvens de tempestades possuem uma base a 2 ou 3 km de altitude e o topo em até 20 km[12]. Em nossas estimativas tomamos um valor hipotético de 5 km, mas se considerarmos o limite superior de 20 km a questão da inviabilidade da influência dos espíritos fica, apenas, mais evidente.

Espiritismo, Espiritualismo e Cultos Afro-brasileiros

UMBANDA
CELSO MARTINS E JAYME LOBATO SOARES
No item I – Espiritismo e Espiritualismo, da Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, constante de O Livro dos Espíritos Kardec esclarece:
“Para as coisas novas necessitamos de palavras novas, pois assim o exige a clareza de linguagem, para evitarmos a confusão inerente aos múltiplos sentidos dos próprios vocábulos. 
As palavras espiritual, espiritualista, espiritualismo tem uma significação bem definida; dar-lhes outra, para aplicá-las à Doutrina dos Espíritos, seria multiplicar as causas já tão numerosas de anfibologia. Com efeito, o espiritualismo é o oposto do materialismo; quem quer que acredite haver em si mesmo alguma coisa além da matéria é espiritualista; mas não se segue daí que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível.
umbanda
Em lugar das palavras espiritual e espiritualismo empregaremos, para designar esta última crença, as palavras espírita e Espiritismo, nas quais a forma lembra a origem e o sentido radical e que por isso mesmo tem a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, deixando para espiritualismo a sua significação própria. Diremos, portanto, que a Doutrina Espírita ou Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se o quiserem, os espiritistas.
Como especialidade O Livro dos Espíritos contém a Doutrina Espírita; como generalidade liga-se ao Espiritualismo, do qual representa uma das fases. Essa a razão porque traz sobre o título as palavras: Filosofia Espiritualista.”

Espiritualismo

Doutrina filosófica que admite a existência de Deus e da alma. Contrapõe-se ao Materialismo, que só admite a matéria.
Segundo o Materialismo no ser humano só haveria o corpo físico. Até as funções superiores como a memória, o raciocínio, as emoções, os sentimentos poderiam ser reduzidos a simples reações físico-químicas do sistema nervoso, do sangue, das glândulas internas. O Universo seria formado por acaso e seria explicado dentro das leis das ciências exatas (Matemática, Física, Química, Astronomia etc.). Esta é a tese do Materialismo Filosófico, que não deve ser confundido com o Materialismo Pragmático e Hedonista adotado por aquele que, embora se diga até mesmo religioso, só quer mesmo é gozar os prazeres da vida terrena, nem que seja em cima da miséria alheia.
Todos os religiosos, como aceitam a Alma e Deus, são, por isto mesmo, espiritualistas.
Assim, a pala espiritualista tem significado muito vasto, abrangendo o católico, o protestante, o umbandista, o candomblecista, o israelita ou judeu, o islâmico ou mamometano etc.
allan kardec
Em lugar das palavras espiritual e espiritualismo empregaremos, para designar esta última crença, as palavras espírita e Espiritismo, nas quais a forma lembra a origem e o sentido radical e que por isso mesmo tem a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, deixando para espiritualismo a sua significação própria. Diremos, portanto, que a Doutrina Espírita ou Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se o quiserem, os espiritistas.
Como especialidade O Livro dos Espíritos contém a Doutrina Espírita; como generalidade liga-se ao Espiritualismo, do qual representa uma das fases. Essa a razão porque traz sobre o título as palavras: Filosofia Espiritualista.”

Espiritismo

Doutrina filosófica também espiritualista, mas que se diferencia das outras correntes filosóficas por Ter características bem definidas, a saber:
a – concepção tríplice do homem: Espírito – Perispírito – Corpo Físico;
b – sobrevivência do Espírito como individualidade;
c – continuidade da responsabilidade individual;
d – progressividade do Espírito dentro do processo evolutivo em todos os níveis da natureza;
e – comunicação mediúnica disciplinada voltada para o esclarecimento e a consolação de encarnados e desencarnados;
f – volta do Espírito à matéria (reencarnação) tantas vezes quantas necessárias para alcançar a perfeição relativa a que se destina, não admitindo, no entanto, a metempsicose, ou seja, a volta do Espírito no corpo de animal para pagar dívidas, como aceita o Hinduísmo. Conforme o Espiritismo, o Espírito não retroagrada;
g – ausência total de hierarquia sacerdotal;
h – abnegação na prática do bem, ou seja, não se dobra nada por esta ou aquela atividade espírita;
i – terminologia própria, como por exemplo, perispírito, Lei de Causa e Efeito, médium, Centro Espírita, e nunca corpo astral, karma, Exu, Orixá, “cavalo”, “aparelho”, “terreiro”, “encosto”, vocábulos utilizados por outras religiões e que não têm cabimento no meio espírita;
j – total ausência de culto material (imagens, altares, roupas especiais, oferendas, velas etc.);
l – na prática espírita não há batismo nem culto ou cerimônia para oficializar casamento;
m – respeito a todas as demais religiões, embora não incorpore a seu corpo doutrinário os princípios e rituais delas;
n – a moral espírita é a moral cristã: “Fazer ao próximo aquilo que dele se deseje”.
Espiritismo, Sincretismo e Cultos Afro-Brasileiros
Na obra Africanismo e Espiritismo – Cap. I, Deolindo Amorim afirma:
“Tem-se procurado, aliás sem razão plausível, confundir o Espiritismo com velhas práticas afro-católicas, enraizadas no Brasil desde o período colonial. Argumenta-se, em defesa de tal suposição, que nas práticas africanas se verificam manifestações de espíritos, o que, no entender de muitas pessoas, é suficiente para dar cunho espírita a essas práticas. O raciocínio é mais ou menos este: onde há manifestações de espíritos, há Espiritismo; logo, as práticas fetichistas são também práticas espíritas, porque nelas se faz evocações de espíritos”.
espiritismo
“Eis aí uma preliminar discutível. Em primeiro lugar, o que caracteriza o ato espírita não é exclusivamente o fenômeno; em segundo lugar, o Espiritismo (corpo de doutrina organizado por Allan Kardec) surgiu no mundo em 1857, e quando suas obras chegaram ao Brasil, já existia o Africanismo generalizado, principalmente na Bahia.”
“Historicamente, como se vê, não é possível estabelecer qualquer termo de comparação, porquanto o Africanismo data da época muito recuada, ao passo que a Doutrina Espírita é do século passado…”(século XIX)
“O Africanismo tem ritual organizado, de acordo com suas tradições seculares, fundadas na crença em divindades peculiares a seu culto, enquanto o Espiritismo não adota ritual de espécie alguma, não tem forma de culto, nem adora divindades. É uma doutrina de base científica, propensa ao método experimental, de cogitações filosóficas muito elevadas, porque trata do destino da alma humana, preparando o homem para a prática do Bem, única estrada que conduz a Deus.”
“Muito deve o Brasil ao braço africano, cujo suor, com sacrifício e dedicação, regou os alicerces da prosperidade econômica do país. O africano trouxe para o Brasil os elementos de sua cultura, já muito velha àquele tempo. Deu-se logo a mesclagem cultural, mais esclarecida, atualmente, pelas investigações da Sociologia. Com o tempo, porém, o culto africano começou a desfigurar-se, perdendo as suas linhas originais, em conseqüência d gradativa e inevitável influência do Catolicismo. Fundiram-se, pois, três tipos diferentes na formação do Brasil: europeu, africano e aborígene. Entre os filhos da terra, os aborígenes, não havia uniformidade de usos e costumes, o que não deixa de refletir a forma de culto…”
“O Africanismo perdeu há longo tempo, no Brasil, seus traços primitivos. Formou-se no país uma cultura de fusão, disto resultando o sincretismo religioso: um pouco de Catolicismo, um pouco de Africanismo e um pouco de Espiritismo deturpado pelo misticismo popular.”
No Cap. II, o autor, informa:
“Não se discute que o objetivo do culto afro-católico, com todos os seus elementos religiosos e culturais, seja ou não o Bem; mas o que se acentua é que Espiritismo não se identifica nem se confunde com o Africanismo. A prática deste último obedece a prescrições ritualísticas, enquanto a prática espírita dispensa e rejeita qualquer fórmula sacramental, qualquer objeto de culto etc…”
“O Espiritismo encontrou, no Brasil, a preponderância do Africanismo e do Catolicismo, com um fator absolutamente favorável: o baixo nível intelectual das massas, educadas na superstição e sob o influxo da Religião Católica, que lhe imprimiu o apego aos ídolos, aos símbolos etc… Difícil tem sido ao Espiritismo reagir contra a propensão de grande parte de seus simpatizantes para o culto fetichista. Daí muita gente, que desconhece o assunto, que não sabe o que é Espiritismo, dizer que Espiritismo e Africanismo são sinônimos… Eis um erro que precisa ser desfeito. Umbandismo, ou qualquer outra forma de Africanismo não constitui modalidade do Espiritismo.
No Livro O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas no Cap. III Deolindo Amorim acrescenta:
“Apesar do aspecto comum – o caráter espiritualista – a Umbanda não se configura no corpo da Doutrina Espírita nem o Espiritismo se conforma à organização religiosa da Umbanda. À parte o fenômeno, que é ponto pacífico, devemos considerar os dois movimentos em seus campos adequados, sem confusão nem rivalidade: Umbanda deve ser compreendida como Umbanda e Espiritismo deve ser compreendido como Espiritismo”.
A propósito, cabe esclarecer que não existe espiritismo de mesa, alto espiritismo, baixo espiritismo, espiritismo de mesa branca, e outras expressões similares. Existe somente Espiritismo.
Aliás, ficam também esclarecido que a expressão Kardecismo não corresponde à realidade, pois a doutrina não é de Kardec. Allan Kardec organizou, codificou a Doutrina Espírita ou Espiritismo, que lhe foi passada pelos Espíritos encarregados de concretizar entre nós o Consolador prometido por Jesus.
Transcrevemos abaixo pergunta de um céptico e a resposta de Allan Kardec, constante da obra O que é o Espiritismo, que bem esclarece o assunto:
“V. – O senhor tinha razão de dizer que das mesas giratórias e falantes saiu uma doutrina filosófica, e longe estava eu de suspeitar as conseqüências que surgiram de um fato encarado como simples objeto de curiosidade. Agora vejo quanto é vasto o campo aberto pelo vosso sistema.
A.K. – Nisso vos contesto, caro senhor; dais-me subida honra atribuindo-me esse sistema quando ele não me pertence. Ele foi totalmente deduzido do ensino dos Espíritos. Eu vi, observei, coordenei e procuro fazer compreender aos outros aquilo que compreendo; esta é a parte que me cabe.
Há entre o Espiritismo e outros sistemas filosóficos esta diferença capital; que estes são todos obra de homens, mais ou menos esclarecidos, ao passo que, naquele que me atribuís, eu não tenho o mérito da invenção de um só princípio.
Dize-se: a filosofia de Platão, de Descartes, de Leibnitz,; nunca se poderia dizer: a doutrina de Allan Kardec; e isto, felizmente, pois que valor pode ter um nome em assunto de tamanha gravidade?
O Espiritismo tem auxiliares de maior preponderância, ao lado dos quais somos simples átomos.”
Leitura complementar:
  1. Espiritismo Básico – Pedro Franco Barbosa – FEB.
  2. O Espiritismo de A a Z – FEB.
  3. Manual e Dicionário Básico de Espiritismo – Ariovaldo Cavarsan e Geziel Andrade – EME.
  4. A Revelação da Chave – Raymundo Rodrigues Espelho – EME.
  5. O Além e o Aquém – Cristóvam Marques Pessoa – EME.
Capítulo do Livro “O Espiritismo ao alcance de todos”

PSICOLOGIA ESPIRITUALISTA

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A psicologia espiritualista, suscitada nos tempos modernos, ensina que o amar a si mesmo é o fator primordial para a felicidade.
Entretanto, como podemos observar num estudo apurado das causas da infelicidade, a falta de renúncia e de humildade, tem comparecido como a principal causa dos desencontros humanos, gerando separações e até mesmo alguns distúrbios psíquicos e emocionais.
É preciso muita cautela ao aceitarmos certos conceitos da modernidade.Nos moldes com que se estimula a autoestima e o amor a si mesmo por meio da literatura de autoajuda e dos tratados de psicologia moderna, esta postura pode significar apenas um nome bonito para disfarçar o orgulho e o egoísmo.
Emergindo da animalidade inferior para a condição de animal racional, o ser humano tende à egolatria, pois guarda ainda uma gama muito grande de impulsos característicos da animalidade.
O impulso egoísta nos animais é a força que os ajuda a manter a preservação das espécies, mas na condição humana, o egoísmo se transforma em um sentimento que comparece no cenário humano como a origem de todos os males que afligem a humanidade.
Aquele que realmente ama a si mesmo, se alimenta do propósito de evoluir espiritualmente, nem que para isso precise renunciar a si mesmo e aos seus sonhos mundanos, a fim de alcançar seu mais elevado destino que é a perfeição.
O Espírito é energia inteligente que se expande, se fortalece e se sutiliza à medida que se dá em benefício do meio onde atua.
Seja uma fonte geradora de valores! Principalmente valores da alma.
Nelson Moraes

Atendimento Fraterno hoje quinta-feira 28/09/2017 a partir das 19:30hs

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Hoje o atendimento no Centro Espirita Perseverança no bem, será realizado pelos médiuns da casa que incorporados atendem de forma individual e veem a necessidade de cada pessoa da assistência e conversa com o mesmo indicando o tratamento especifico no plano material e espiritual pois vivemos em ambos aspectos.

domingo, 24 de setembro de 2017

Como ocorre as cirurgias espirituais no Instituto de Medicina do Além?

cirurgia espiritual

Veja nas palavras do médium João Berbel como ocorre as cirurgias espirituais no Instituto de Medicina do Além, em Franca (SP), o mais conhecido do Brasil.



sábado, 23 de setembro de 2017

Terapia de vidas passadas


vidas passadas













ROGÉRIO MIGUEZ
Uma das providências de Deus para nos ajudar a bem conduzir as reencarnações é o conhecido provisório esquecimento do passado. Cientes desta dádiva de Deus, deveríamos aceitar esta determinação e com as informações doutrinárias à nossa disposição, entregarmos ao tempo o trabalho de nos tranquilizar diante desta ou daquela dificuldade inata que não encontramos imediata explicação.
Infelizmente, este parece não ser o caso. Vemos com frequência, questionamentos sobre este esquecimento dentro do meio espírita, justificando deste modo, segundo alguns, a busca por qualquer proposta sinalizando a recuperação de nosso equilíbrio psíquico, através da recordação destas vidas.
Entre estas propostas temos a Terapia de Vivências Passadas – TVP. A técnica viabiliza um mergulho do Espírito, quando reencarnado, em seu passado distante, na tentativa de recolher informações para explicar as razões de conflitos atuais. Munidos destas respostas, e caso sejam aceitas, acredita-se poder superá-los. Entretanto, cabe a lembrança de que os envolvidos no fato passado que ocasionou e inibição de agora, serão conhecidos. Como sabemos que as famílias, de modo geral, são constituídas de Espíritos que se relacionaram no passado, imaginemos as consequências se descobríssemos que nossos familiares e amigos mais íntimos estiveram envolvidos diretamente na  causa de nosso infortúnio presente?
vidas passadas
Acreditamos seja prudente conduzir as nossas observações considerando os postulados básicos do Espiritismo, não discutindo também os sucessos, os insucessos e os conhecidos inconvenientes desta prática.
O descortinamento do passado não foi incentivado pelo Espiritismo, embora tenha sido prevista a sua possibilidade, pois se a Doutrina se esmera – e alcança plenamente este objetivo –  em demonstrar a utilidade e a necessidade do esquecimento do passado, qual seria a razão de apresentar ou sugerir métodos para se recuperar a memória de vidas anteriores? Seria um contrassenso!
Relendo O Livro dos Espíritos (1): “Não pode o homem, nem deve, saber tudo. Deus assim o quer em Sua sabedoria”. Esta afirmação seria suficiente para nos aquietarmos. E mais, se a posição doutrinária era esta em 1857, data da publicação deste livro, já teria mudado neste século e meio? A Humanidade terrena avançou tanto assim para desconsiderar esta sábia diretriz divina? Adquirimos segurança íntima para nos vermos face a face com o nosso conturbado passado? Lembre-se de que a Terra é um mundo de Provas e Expiações, assim, não estão aqui geralmente encarnados Espíritos de escol.
A Doutrina nos orienta a tranquilizarmo-nos diante da dificuldade íntima, aguardando para, em futuro próximo, obter o total esclarecimento da situação. Todavia, tudo indica ser a posição espírita insuficiente, pois cada vez mais o tema é trazido à baila dentro das casas espíritas, como se fosse dever do centro prestar esclarecimentos profundos sobre esta técnica não espírita. Há mesmo quem defenda o exercício da terapia dentro da instituição, pois a Doutrina é reencarnacionista e a terapia trabalha com as nossas muitas vidas. Pelo fato da Doutrina ensinar o princípio da reencarnação, consequência necessária da lei de progresso, como concluir que deveria também abrigar o trabalho de terapeutas para tentar desvendar estas vidas? Indicação inequívoca de ser ainda o Espiritismo desconhecido para muitos. Vigiemos com muito cuidado as modernas propostas inovadoras.
Mudemos o nosso foco de reflexão para o argumento de que ninguém é obrigado a sofrer, deste modo seria lícito procurar qualquer recurso para se livrar da causa do problema. Paulo já advertiu: “tudo me é permitido, mas nem tudo convém (1 Coríntios 6:12)”. Somos livres, senhores de nosso livre arbítrio, mas, cientes estamos: a semeadura de agora determinará a colheita futura. E mais, na esteira do raciocínio de que ninguém é obrigado a continuar sofrendo, pode se esconder a tese da eutanásia e dos defensores do suicídio, ambos graves atentados contra o bem maior: a vida.
Seria oportuno indagar qual a razão de se contestar a lei de Deus sobre o esquecimento do passado, afinal, em última instância, é a realidade a se apresentar, ou seja: temos uma limitação psicológica ou física, uma inibição, um trauma, um medo inato, entre tantos outros exemplos a citar, e entendemos estar a raiz do problema em vidas passadas; por outro lado, embora aceitando o esquecimento como lei divina, como um postulado doutrinário, desejamos uma resposta e solução para o nosso incômodo agora! Seria razoável esta posição espírita? Afinal, e a nossa crença? Seria a nossa fé raciocinada insuficiente para nos tranquilizar? O aprendizado da Doutrina não é capaz de trazer a alegria às nossas vidas permitindo conviver com, ou mesmo superar os nossos conflitos interiores? Se o corpo de ideias do Espiritismo não basta para trazer solução a esta questão, precisamos refletir cuidadosamente sobre a nossa opção espírita.
Conforme ensina a Doutrina dos Espíritos, muitos de nós pedimos, antes de reencarnar, plenamente cônscios de que não nos recordaríamos claramente desta escolha, esta ou aquela limitação, para o nosso próprio bem, após um demorado trabalho de preparação e após discussões com Espíritos mais evoluídos encarregados do nosso processo reencarnatório. Lançamos mão, deste modo, de uma das formas de se quitar graves deslizes passados, entretanto, surpresos estaremos ao cabo de nossa jornada, descobrindo que não aceitamos mais as inibições, e através da TVP, em muitos casos por mera curiosidade, quebramos o compromisso assumido, feito por nós mesmos e com aqueles que nos ajudaram a decidir e definir a nossa vida, antes de aqui retornarmos. Ao solicitarmos, percebemos que precisávamos deste testemunho, não pedimos sem motivo, por outro lado, se nos foi imposto antes de reencarnar, tem o mesmo efeito, estou sendo rebelde às determinações divinas, sempre educativas, jamais punitivas. Ademais, o espírita está plenamente informado sobre a inexistência do acaso, portanto, não há sofrimento sem causa justa, pode ser uma expiação, uma prova, ou ambos.
vidas passadas
Quando o Espírito falha, parcial ou totalmente, em sua expiação ou prova, de modo geral será preciso refazê-la, retomar do ponto onde foi interrompida, assim, não nos parece razoável tentar modificar o curso de situações talvez plenamente acertadas no plano espiritual, através de buscas por informações passadas.  Na dúvida: Oração e Vigilância.
Se esta técnica fosse absolutamente necessária para bem viver, como fizeram os antigos, quando superaram as suas limitações e daqui saíram vitoriosos diante de si mesmos? A Humanidade e os Espíritos, de modo geral, são os mesmos. Se alcançamos vitórias no passado, sem a TVP, qual a razão de não podermos repetir a receita de sucesso empregada anteriormente? Estaríamos deixando-nos levar pelos modernismos e talvez esquecidos dos Espíritos protetores, dos Espíritos familiares? Pela prática da oração, estarão sempre ao nosso lado para nos tranquilizar com uma sugestão, uma intuição, para nos fortalecer a paciência, a convicção e a fé na justiça do Criador.
A Divina providência sugere: leitura, em momentos de crise, de uma mensagem destes livros espíritas tão bem escritos com todo o carinho, dedicação e amor, é como o refrigério da alma, da alma em sofrimento, talvez dilacerada pelas dúvidas e agonias atrozes, mas sempre capaz de se superar e vislumbrar novos horizontes; uma conversa mental sincera com os guias espirituais, é opção válida para trazer paz e tranquilidade em momentos de suprema revolta ou desânimo; o esquecimento de nós mesmos em contato com o sofrimento alheio, muita valia possui, pois quando nos ocupamos da dor do próximo, a nossa pode diminuir ou mesmo desaparecer, por encanto. Temos ainda a voz da consciência para nos advertir e nos guiar.
Se Deus determina o esquecimento das vidas passadas, também nos dá recursos variados para superar as consequências deste passado, permitindo-nos continuar com a alegria de viver apesar dos espinhos carregados. E quem não os tem? Se não fosse assim, Deus desejaria o nosso sofrimento, pois nos faz esquecer a causa de nosso infortúnio e nega recursos na vida presente para bem suportá-lo.
Alguns, todavia, têm recordações espontâneas de sua(s) vida(s), entretanto, este fato é uma condição de exceção, com um fim útil, talvez previamente acertado no plano espiritual, permitido por Deus, jamais representando a regra geral. Ademais, muitas vezes são fragmentos de vidas, raramente são longos trechos de lembranças. Regressão de memória para confirmar a lei da reencarnação é técnica válida, usada há bom tempo, mas com fins terapêuticos. Avaliemos com muito cuidado, usemos o nosso bom senso antes de optar por descortinar um passado que não sabemos se seremos capazes de enfrentar e conviver.
Lembremo-nos da bondade de Deus, dos recursos por Ele oferecidos. Podemos superar ou conviver com as nossas barreiras ou limitações, sejam elas quais forem, pois Deus não dá fardo maior para se carregar do que podemos suportar.
Experimentemos de hoje em diante esta variante: Trabalho, Vigilância e Paciência – TVP, quem sabe reencontraremos a nossa paz interior tão almejada.