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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

A lição dos Banquetes Magnéticos

Antes de iniciar a missão de elaboração do Pentateuco espírita, em 1823 com apenas 19 anos, Allan Kardec teve a atenção voltada para os fenômenos magnéticos passando a frequentar os trabalhos da Sociedade de Magnetismo de Paris.
O Magnetismo assumiu tal relevância à época de Kardec que em todo dia 23 de maio, aniversário natalício de Franz Anton Mesmer, estudioso do Magnetismo Animal, realizavam-se dois banquetes anuais reunindo a nata dos magnetizadores de Paris, conforme registro na Revista Espírita de 1858.
Como participante, o Mestre de Lyon indagava: Por qual motivo a solenidade comemorativa era sempre celebrada em dois banquetes rivais, onde cada grupo bebia a saúde do outro e onde, sem resultado, erguia-se um brinde à união?
O fato se “justificava”, pois, havia uma cisma entre os simpatizantes e praticantes do Mesmerismo.
Refletia ainda: Tem-se a impressão de que estão prestes a se entenderem. Por que, então, uma cisão entre homens que se dedicam ao bem da humanidade e ao culto da verdade? Têm eles duas maneiras de entender o bem da humanidade? Estão divididos quanto aos princípios de sua Ciência? Absolutamente. Eles têm as mesmas crenças e o mesmo mestre, que é Mesmer, desencarnado em 1815. Se esse mestre, cuja memória invocam, atende a seu apelo, como o cremos, deve sofrer ao ver a desunião dos discípulos.
Os magnetizadores buscavam através de técnicas com movimentação ou imposição de mãos transmitir os salutares fluidos magnéticos, visando a cura de quantos os procuravam, vindo deste fato o questionamento do Sábio de Lyon, afinal o objetivo era nobre, restituir a saúde aos doentes, como poderiam divergir sobre este intento?
Continuando a raciocinar: Por mais inofensiva que seja essa guerra não é menos lamentável, embora se limite aos golpes de pena e ao fato de beber cada um no seu canto. Gostaríamos de ver os homens de bem unidos por um mesmo sentimento de confraternização. Com isso a Ciência Magnética lucraria em progresso e em consideração.
E quem não gostaria? A perplexidade do Codificador se justificava plenamente, pois não podia compreender como adeptos da Ciência do Magnetismo pudessem se dividir, deixando para a posteridade, exemplo pouco edificante.
Isto se deu há décadas atrás, o Sábio Gaulês acabara de publicar O livro dos Espíritos, em 1857, contudo, o fato apresenta um paralelo surpreendente ao momento atual. Mudou o foco, os adeptos são outros, mas a cisão continua agora entre os seguidores da própria Doutrina dos Espíritos.
A espiritualidade tem enviado vários chamamentos, entretanto, cremos, não tem surtido o efeito desejado, pois as divisões continuam, seja na prática, na teoria ou em ambas, apesar dos livros básicos espíritas serem exatamente os mesmos, nada mudou.
Cada agremiação espírita quer possuir a sua verdade. Argumentam ser a Doutrina de inteira liberdade, e não estão errados, mas concluem equivocadamente que cada qual deve decidir como: praticá-la, interpretá-la, quais livros seguir…, esquecem-se de que liberdade deve sempre ser acompanhada por responsabilidade.
De onde estiver Kardec seguramente estará refletindo sobre a situação, com a agravante de que agora não se trata apenas do seguimento de praticantes do Magnetismo, mas de todo o conjunto do movimento espírita brasileiro.
Como evitar tal quadro? Uma possível sugestão, talvez a mais eficaz, seria manter-se fiel aos conceitos contidos nas obras básicas, e só seguir outras literaturas comprovadamente espíritas.
Rogério Miguez

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