#htmlcaption1 Deus, força e luz O evangelho ensinado e vivenciado ha 99 anos

sexta-feira, 30 de março de 2018

Quem é Ismael?

Ismael
Perfil: Quem é Ismael?

Neste dia é celebrada a fundação da Sociedade de Estudos Espíritas Deus, Cristo e Caridade, sob a inspiração de Ismael, Guia Espiritual do Brasil. Mas afinal, quem é Ismael?
De acordo com Carlos Campetti [1], a primeira referência sobre Ismael consta no livro Gêneses, da Bíblia, em seu capítulo 16, que conta a história de Saraí, esposa de Abraão, que por conta da idade, seria estéril. Saraí pediu então que sua escrava Hagar concebesse um filho para o marido e nasceu Ismael. Muitos anos mais tarde, Saraí inesperadamente também concebe um filho, Isaac, o que deixa a relação entre as duas mulheres conturbada. Saraí pediu que Abraão dispensasse Hagar e Ismael de seu convívio, porém o homem se compadece, afinal, era seu filho. Por isso, Abraão vai conversar com Deus, que o tranquiliza, afirmando que Ismael seria o líder de uma grande nação e que ele poderia mandá-lo para fora junto com sua mãe sem se afligir. Ismael, mais tarde é referenciado como a origem dos povos árabes.
O Ismael bíblico é considerado por estudiosos espíritas no assunto como o mesmo descrito pelo Espírito Humberto de Campos no livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”. Hoje, com própria passagem do tempo, Ismael também passou pelo processo de evolução, não tendo os mesmos caracteres psicológicos e morais de milênios atrás, ou seja, progrediu, como é a destinação natural do espírito. Humberto Campos relata que ele é, atualmente, um dos mais comprometidos trabalhadores do Cristo, mais consciente do seu papel, que na verdade se iniciara desde sua última encarnação no plano terrestre.
Em Coração do Mundo, Pátria do Evangelho [2], é relatado que Ismael recebe do próprio Jesus a incubência, juntamente com uma plêiade de Espíritos de escol, de implantar a Terra nova, estabelecer o Bem em nosso planeta, guiar a sociedade na senda do progresso moral, através do estabelecimento em definitivo do Evangelho, tendo o Brasil como ponto central de difusão da mensagem do Cristo.
Na obra, Humberto de Campos registra que a missão específica de Ismael para com o Brasil, assinalada por Jesus, seria implantar em nosso país o seu Evangelho e espalhá-lo daqui para o mundo. Ismael, assim, esteve na liderança espiritual de nossa nação desde o descobrimento, zelando pelo povo brasileiro em todos os acontecimentos, mesmo os mais conturbados (afinal, ainda estamos num mundo de provas e expiações).
A própria formação do nosso povo, inicialmente pelos indígenas (que eram os mais simples de coração) e depois com os africanos (aqueles sedentos da justiça divina, a expressão dos humildes e dos aflitos) e europeus (que trouxeram os avanços do campo da ciência e outros conhecimentos), ainda que por caminhos tortuosos, seria um passo importante para formação da alma coletiva do nosso povo e a concretização do caminho espiritual planejado para o Brasil.
A chegada em solo brasileiro de grupos de homeopatas, grupos de estudos de fenômenos espirituais (mesmo antes de Hydesville), dentre outros, também foi um trabalho atribuído aos esforços de Ismael e sua equipe, o que por fim culminou com o enraizamento da recém revelada Doutrina Espírita em nossas terras. “Deus, Cristo e Caridade” é a bandeira de Ismael, que inspirou muitas formações de casas espíritas no nascedouro do Espiritismo em terras pátrias. Mais tarde, também inspirado por Ismael, em 1884 é criado o embrião da atual Federação Espírita Brasileira, com um grande ideal de unificação e paz.
Embora nosso país seja o maior em contingente de espíritas, onde a doutrina tem mais vulto, isto não quer dizer, entretanto, que a única forma da implantação deste Bem maior no planeta seja missão única e exclusiva do Espiritismo. Independente da religião, credo ou filosofia, todos aqueles que praticam o ensinamentos do Evangelho, que fazem o Bem ao próximo, que se esforçam para atenuar a dor do outro, para ver o sorriso no outro, estão fazendo presente no plano terrestre os preceitos divinos, realizados nos ensinamentos do Cristo.
Ismael sempre convida a todos, em suas comunicações, a vivência real da fraternidade entre os espíritas, ao cessar da violência entre todas as pessoas, e a que todos se unam e se amem verdadeiramente como irmãos.

– Ismael, manda o meu coração que doravante sejas o zelador dos patrimônios imortais que constituem a Terra do Cruzeiro. Recebe nos teus braços de trabalhador devotado da minha seara, como a recebi no coração, obedecendo a sagradas inspirações do Nosso Pai. Reúne as incansáveis falanges do Infinito, que cooperam nos ideais sacrossantos da minha doutrina e inicia, desde já, a construção da pátria do meu ensinamento.
[Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho - pelo Espírito Humberto Campos, psicografia de Chico Xavier]

Em breve, nos cinemas: Nosso Lar 2 – Os mensageiros

“Em primeira mão a FEB recebeu a notícia da continuação do grande sucesso dos cinemas! Vem aí, Nosso Lar 2 – Os mensageiros. Em breve a obra ditada pelo Espírito André Luiz  ao médium Chico Xavier estará nos cinemas de todo o País, com direção de Wagner de Assis.
Os Mensageiros relata experiências de Espíritos que reencarnaram com instruções específicas para atingir o aprimoramento pessoal, mas que nem sempre foram bem-sucedidos em suas tarefas. Confira aqui um pouco mais sobre esta empolgante história.”
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Nosso Lar 2 - Os Mensageiros

DIVALDO FRANCO – os espíritos que voltarão a reencarnar na Terra


Divaldo Franco nos informa acerca dos espíritos que estão reencarnando na Terra (crianças índigo e cristal), originários de um dos orbes da estrela Alcione, da constelação das Plêiades. Ademais, esclarece que irão reencarnar, dentre outros: Krishna, Sidarta Gautama (Buda), Bezerra de Menezes, Joanna de Angellis, etc etc etc… Emmanuel encontra-se encarnado e vive em São Paulo.
ASSISTA A PALESTRA COMPLETA: https://www.youtube.com/watch?v=WMZy9-sD_CY (link corrigido)

quinta-feira, 29 de março de 2018

Subjugação espiritual: um sério desafio às ciências da alma

obsessão espiritual
MEDICINA E ESPIRITUALIDADE | Dr. Vitor Ronaldo
“A subjugação é uma constrição que paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz agir a seu mau grado. Numa palavra: o paciente fica sob um verdadeiro jugo.” (Allan Kardec)¹
Embora o Espiritismo, na condição de doutrina organizada, conte com mais de cento e cinquenta anos de existência, os frutos de suas pesquisas mediúnicas em campo experimental ainda não sensibilizaram os bancos acadêmicos, especialmente, o vasto domínio das ciências da saúde.
Enquanto perdurar a postura materialista, por parte daqueles que fazem ciência, expressiva parcela dos lidadores da saúde estará de mãos atadas diante da possibilidade de um distúrbio espiritual, desafio constante e de alta prevalência, conforme se constata nas instituições espíritas que se dedicam ao labor assistencial mediúnico.
O advento do Espiritismo descortinou novos horizontes à medicina integral, ou seja, aquela vertente que leva em consideração a realidade espiritual do ser. A não aceitação do espírito imortal, como parte integrante da complexidade humana, certamente, confunde o raciocínio clínico, pois, no confronto com certas condições mórbidas, não há como o facultativo elaborar um diagnóstico de certeza quando o transtorno revela uma ressonância vibratória com o passado; um caso típico de desajuste reencarnatório, ou mesmo, um processo grave de obsessão espiritual.
Vez por outra, a mídia divulga notícias impactantes de crimes inomináveis que, se analisados pelo prisma espírita, sugerem a possibilidade de uma interferência espiritual negativa, a atuar como causa incentivadora do comportamento delinquente. A bem da verdade os espíritas identificados com a obra de Allan Kardec, sabem que os processos obsessivos se classificam de acordo com o grau de constrangimento fluídico exercido pelos obsessores.
influência espiritual
Assim sendo, a opressão imposta varia desde a obsessão simples, na qual os sintomas incomodativos são de pouca monta, até a subjugação espiritual, tipo extremo de constrangimento psíquico e orgânico em que o indivíduo perde por completo o próprio senso crítico, a capacidade volitiva e o controle de gestos e atitudes, tornando-se um joguete nas mãos dos espíritos agressores.
Recentemente a imprensa divulgou lamentável ocorrência. Num gesto tresloucado, uma infeliz mulher assassinou o próprio filho e, em seguida, suicidou-se. Eis a notícia veiculada em 11/4/2009 por Redação DN Online (RN).
“Mãe mata o filho e se suicida durante treinamento de tiro. A cena foi flagrada pelas câmaras de um centro de treinamento de tiro em Caselberry, na Flórida, Estados Unidos – e a notícia foi publicada pelo jornal britânico ‘Daily Mail’ na última quarta-feira (8). Segundo a reportagem, Marie Moore, de 44 anos, acreditava que era um ‘anti-Cristo’ e levou seu filho Mitchell, de 20 anos, para o que ele acreditava ser uma tarde de prática de tiro. Mas, no meio da prática, Marie mudou seu alvo e apontou a arma para o filho. Após atirar, ela desviou das câmaras e atirou contra a própria cabeça. Marie morreu pouco tempo depois de ser levada para o hospital e seu filho morreu na hora. Em nota ela escreveu: ‘Me desculpe. Eu tive que mandar meu filho para o céu e ir para o inferno’. De acordo com o ‘Daiyly Mail’, em áudios gravados antes do incidente, Marie afirma que planejava a morte do filho para ‘salvar o mundo da violência’. Ela diz que ouvia Deus falando pra ela: ‘Você tem uma arma. Você pode fazer isso’. ‘Eu tenho que morrer e ir para o inferno, só aí poderá existir milhares de anos de paz no Mundo’, explicava. Investigações da polícia revelaram que Marie tinha um histórico de doenças mentais. Nas fitas gravadas, ela conta sobre os períodos em que passou em hospitais psiquiátricos e sobre a miséria e tormenta mental que sofria.”
Pois bem. A notícia sugere algumas interpretações. Do ponto de vista da ciência, a autora dos delitos era portadora de um severo comprometimento psicopatológico, um distúrbio cerebral do metabolismo neurotransmissor, disfunção capaz de abolir por completo o seu juízo crítico, a ponto de conduzi-la ao cometimento de um assassinato frio seguido de suicídio. Por outro lado, de acordo com a concepção espírita, não se pode deixar de levar em conta o assédio obsessivo em grau extremo. Allan Kardec, em “O Livro dos Médiuns”, assim se expressa:
“A subjugação pode ser moral ou corporal. No primeiro caso, o subjugado é constrangido a tomar resoluções muitas vezes absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão, ele julga sensatas: é uma como fascinação.” (Allan Kardec)².
influência espiritual
Tudo leva a crer que a criatura era vítima de assédio espiritual crônico, visto que tentara o suicídio anos antes. Outro detalhe que fortalece a conjectura espírita é o fato de a enferma afirmar que se deixava guiar por uma suposta voz atribuída à divindade. Ora, ninguém, em sã consciência, admitiria a interferência divina no livre arbítrio da pessoa, a sugerir um gesto extremo de crueldade, pois qualquer tipo de violência se contrapõe frontalmente aos ensinamentos evangélicos revelados por Jesus.
A estranha “voz” que ecoava no interior de sua cabeça a persuadia a cometer o crime, matar o filho para “erradicar a maldade do mundo”. De forma idêntica, outros delinquentes, autores de delitos impiedosos, também se diziam influenciados por alucinações auditivas: vozes ressonantes que lhes recomendavam, com veemência, a prática de outras tantas absurdidades.
De acordo com o codificador, a obsessão é sempre obra de um mau espírito, daí o porquê das sugestões maléficas, sempre maléficas, visando ao arrastamento da vítima para o mal. Desde que o indivíduo apresente brechas kármicas e se situe numa condição perene de invigilância, torna-se presa fácil dos espíritos vingativos e perturbadores.
O querido Dr. Bezerra de Menezes considerava a obsessão espiritual como a doença do século (ele desencarnou em 1900). Todavia, diante da gravidade do transtorno, nós imaginamos tratar-se da enfermidade de todas as épocas, pois há registros de obsessão grave citados tanto no Velho Testamento (vide, p.ex., o caso de Nabucodonosor), quanto nos dias atuais, visto que as instituições espíritas registram um aumento assustador de casos complexos, decorrentes de técnicas sofisticadas e contundentes arquitetadas por integrantes das falanges sombrias de justiceiros, cientistas falidos e de mercenários cruéis, que, em se aproveitando da invisibilidade, atuam em nome do mal.
O ideal seria que os enfermos classificados como portadores de transtornos mentais recebessem, ao lado dos cuidados prodigalizados pela medicina, aqueles outros sugeridos pelo campo experimental do Espiritismo. As doenças físicas podem ser diagnosticadas por meio dos procedimentos laboratoriais em voga, e dos modernos recursos propedêuticos inseridos no âmbito dos diagnósticos pela imagem, a exemplo da tomografia, ressonância magnética, etc.
Contudo, a investigação da problemática espiritual carece de procedimento diferenciado, de metodologia ainda não ensinada nos bancos acadêmicos e que, por enquanto, se efetiva no recesso das instituições espíritas. É por meio do instrumental mediúnico que se pode devassar a intimidade energética do ser, identificar na matriz perispirítica a causa das desarmonias energéticas, assim como diagnosticar as ligações obsessivas, por mais sutis que sejam.
obsessão espiritual
Se a inditosa paciente estivesse sob efeito de um tratamento desobsessivo e submetida às regras da psicopedagogia evangélica, ter-se-ia evitado desfecho tão funesto? Eis a pergunta que honestamente nos fazemos, levando em conta a experiência da doutrina espírita nesses misteres, especialmente aqui no Brasil.
No presente momento, não há como negar a excelência do socorro espiritual conduzido por grupos mediúnicos assistidos por Espíritos de elevada linhagem moral.
Em nosso modo de ver, todo aquele portador de perturbação mental deveria receber, em ambiente médico, os cuidados previstos e os remédios prescritos por especialistas credenciados, pois o atual arsenal terapêutico disponibiliza drogas de altíssimo valor, e que não podem ser desprezadas no tratamento clínico dos transtornos mentais.
Por outro lado, o apoio religioso jamais poderia faltar e, caso os familiares decidissem pelo auxílio espírita, o mesmo deveria ser executado nas dependências da instituição espírita, sem que o esforço de cura ali desenvolvido conflitasse com a orientação médica. Assistiríamos, então, a uma espécie de convergência entre ciência e religião, na qual os facultativos cuidariam do corpo físico e as casas espíritas voltar-se-iam exclusivamente para os aspectos espirituais do caso.
Além disso, não olvidemos a existência de grupos mediúnicos que florescem à luz da doutrina consoladora, constituídos por adeptos afeiçoados aos estudos e compromissados moralmente com os ensinamentos evangélicos, a disponibilizar, gratuitamente, o auxílio imprescindível aos portadores de obsessões complexas.
obsessão espiritual
Lembramos aqui oportuna informação trazida pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, por meio da mediunidade de Divaldo Pereira Franco:
“Conhecemos, também, as técnicas de desobsessão de alta eficiência, que são aplicadas nas Instituições Espíritas e que constituem um passo avançado na terapêutica de socorro aos sofredores de ambos os lados da vida”.³
Bastante confortadora tal informação. Significa dizer que a ciência espírita também evoluiu em suas técnicas de abordagem espiritual. Só mesmo a desobsessão de alta eficiência, no dizer do sábio instrutor espiritual, para se contrapor aos esquemas sofisticados elaborados por mentalidades maléficas, cujos objetivos se concentram na disseminação da dor e do sofrimento humanos.
Apesar de algumas dificuldades, acreditamos que, logo mais, as subjugações espirituais, tão danosas ao patrimônio mental das criaturas, serão diagnosticadas com mais facilidade e precisão, para que sejam neutralizadas pelos Espíritos terapeutas, em obediência aos méritos e necessidades particulares da cada indivíduo.
Dr. Vitor Ronaldo é autor de “Desobsessão e Apometria – Análise à Luz da Ciência Espírita”, recentemente lançada pela Editora O Clarim. Trata-se de uma proposta com enfoque absolutamente doutrinário, destinada aos espíritas estudiosos, especialmente, aqueles que se dedicam às lides desobsessivas. O assunto é tratado de uma forma simples, objetiva, sem misticismos, crendices nem fantasias inaceitáveis.
Obras citadas:
1- KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns, capítulo XXIII, item 240. 9ª edição de bolso, FEB, 2006, p. 315.
2- Idem. O Livro dos Médiuns, capítulo XXIII, item 240. 9ª edição de bolso, FEB, 2006, p. 316.
3- MIRANDA, Manoel Philomeno & FRANCO, Divaldo Pereira. Loucura e Obsessão, capítulo 9. 3ª edição, FEBp, 1990, p. 117.

(Trabalho publicado no Jornal Espírita da FEESP, nº 406 de junho de 2009)
Vitor Ronaldo Costa
(vitorrc@brturbo.com.br)

Como lidar com a dor da perda?

desencarne
MEDICINA E ESPIRITUALIDADE | Sérgio Vencio
Alguns fatos importantes :
1 – Vivendo em um País de maioria cristã acreditamos na continuação da vida após a morte.
2 – Como pessoas inteligentes e observadoras, sabemos que cada dia que passamos nos deixa mais próximo do plano espiritual.
3 – Sem dúvida, caminhamos nesse mundo rumo ao desencarne.
Porém, essa certeza e todos os conhecimentos já adquiridos pelo homem nem sempre são suficientes para acalentar o coração frente a dor da perda de um ente querido.
Uma pergunta óbvia. Porque a morte do corpo físico é vista de forma tão dolorosa pela maioria das pessoas ?A resposta é complexa, mas alguns pontos podem ser destacados.

Há um atavismo religioso importante, onde a morte é encarada como perda, como derrota, como fraqueza e não da forma verdadeira, ou seja, o retorno para a vida real, daonde saimos antes de reencarnar.

Engraçado pensar que a cada ciclo de nascimento e morte ocorrem situações diversas nos dois planos da vida. Senão vejamos: antes de renascer na Terra, vivemos em espírito no mundo espiritual, fazemos compromissos, planos, cultivamos amizades, amores, etc… No momento do nosso nascimento sentimos medo, insegurança, e todos os nossos amigos do plano espiritual se emocionam com a nossa vinda, antecipando a saudade da separação temporária. Na Terra é o inverso. Há festa, alegria, regozijo.
desencarne
Quando desencarnamos o contrário acontece. Os daqui choram e os de lá celebram.

Muito do sentimento de dor e perda vem do desconhecimento da vida espiritual. Porém essa situação poderia ser rapidamente revertida se houvesse interesse real das pessoas em aprofundar em temas sobre os quais a doutrina espírita vem falando há décadas. Exemplo maior disso é o livro Nosso Lar, psicografado por Chico Xavier em 1940 e que agora vai estreiar nos cinemas brasileiros com a promessa de se tornar um blockbuster.

Quando o desencarne nos afasta temporariamente de alguém querido, somos guiados pela dor e pelo medo da incerteza e isso nos mostra um futuro sem sentido e obscuro. A grande verdade porém é que podemos e devemos fazer diferente. Esse caminho porém não pode e não deve ser trilhado sozinho. É necessário a verdadeira humildade para encararmos de frente nossa dificuldade e pedir ajuda. Ajuda a Deus, aos amigos, aos que amamos, expor de forma verdadeira e sincera as nossas angústias e aceitar ser ajudado.
Na prática clínica do dia a dia vemos pactos inconscientes de infelicidade entre os que ficaram e os que foram para o outro plano. É como se dissesem, porque você “morreu” não posso mais ser feliz. Outro fato digno de nota é que muitos sofrem calados, achando que os que estão ao seu lado, sofrem mais que ele e não suportariam mais esse sofrimento. Ledo engano. Nada é mais maldoso do que julgar as pessoas que estão ao nosso lado como incapazes de suportar conosco os problemas.
Muitas pessoas se culpam por enfraquecerem frente a esse tipo de sofrimento, como se isso fosse coisa de gente sem fé e sem conhecimento religioso. A verdade é que nessa luta diária pela nossa evolução espiritual, cada um luta com as armas (qualidades) que tem e manifesta as dificuldades de forma diferente.
“Conhecereis a verdade e ela vos libertará!” Não tenha medo de enfrentar essa dificuldade, avance no crescimento espiritual, procure pessoas que possam te auxiliar, leia sobre o assunto, abra sua mente para um conhecimento que pode ser libertador. Não faça pactos com a tristeza.
Lembre-se que acima de todos nós, Deus nos governa baseado nas leis do amor. AMOR! Tudo está certo, na hora certo, do jeito certo. Se ainda não entendemos, isso só nos mostra o quanto somos ignorantes e pequenos. Mas o amor de Deus continua ao nosso alcance.
Paz e luz!

atendimento fraterno hoje quinta-feira

Hoje quinta-feira não haverá atendimento fraterno no C E perseverança no bem

quarta-feira, 28 de março de 2018

esta se aproximando o dia

Como saber se você está sofrendo Obsessão?

Definição de Obsessão: é a ação prejudicial, insistente, dominadora, de um Espírito sobre outro. Em alguns casos, quando a ação é intensa e continuada, pode vir a causar reflexos prejudiciais no organismo do obsidiado.
Por que acontece?
– Por débito de um Espírito para com outro, originado nesta ou em outra vida;
– Pela afinidade que atrai um Espírito para outro. Nossas imperfeições atraem para junto de nós Espíritos com idênticas imperfeições, vícios e falhas morais, tais como: alcoolismo, maledicência, ambição e etc.
– Pela falta de ação no Bem, pois devemos fazer o Bem no limite de nossas forças, e que respondemos por todo o mal que resultar de não termos praticado o Bem. Incluímos aqui o não exercício da faculdade mediúnica, quando a possuímos.
Quanto ao seu agente:
– De desencarnado sobre encarnado: é a que mais costumamos notar;
– De encarnado obsidiando desencarnado;
– De desencarnado sobre desencarnado.
Como reconhecer quando alguém está obsediado:
– A pessoa demonstra alterações no campo das ideias e no comportamento, tanto físico como emocional;
– Quem tem conhecimento doutrinário espírita e um pouco de experiência no atendimento a obsidiados, reconhece os sinais dessa alteração.
Quando a obsessão se acentua, os sinais de alteração começam a ficar evidentes, tais como (Excetuando-se causas orgânicas, psicológicas, neurológicas):
– olhar fixo ou fugidio, sem encarar a ninguém;
– tiques e cacoetes nervosos;
– desalinho, desleixo ou excentricidade na aparência pessoal;
– agitação, inquietude, intranquilidade;
– medo e desconfiança injustificados;
– apatia, sonolência, mente dispersiva;
– ideias fixas;
– excessos no falar, no rir; mutismo ou tristeza;
– agressividade gratuita, difícil de conter;
– ataques que levam ao desmaio, rigidez, inconsciência, contorções etc;
– pranto incontrolável e sem motivo;
– orgulho, vaidade, ambição ou sexualidade exacerbados.
A cura da obsessão se dá pela ação:
– Do encarnado: que, sem se abater, suporta com paciência o assédio espiritual e, enquanto isso, toma atitudes salutares para ir se renovando moralmente e se exercitando na prática do Bem;
– Do desencarnado: que desanima por não obter os efeitos desejados ou se sente motivado a se modificar para melhor;
– De terceiros: que ofereçam ajuda competente, tanto ao obsessor quanto ao obsidiado com esclarecimentos sobre o porquê de seus sofrimentos e como se conduzir para se libertar e continuar a progredir.
Fernando Rossit
Recomendamos consultar a Bibliografia de Apoio:
[1] KARDEC, ALLAN. O Livro dos Médiuns;
[2] Estudo sobre Mediunidade, Therezinha de Oliveira.

Ligações cármicas

Sentimo-nos atraídos por outras pessoas por duas razões basicamente: afinidade ou compromissos espirituais.
Num primeiro momento, nem sempre é possível distinguir uma coisa da outra quando nos aproximamos de alguém com a intenção de consolidar um relacionamento mais íntimo (amizade, namoro, casamento…).
A dúvida é: – o que estou sentindo advém de uma “atração cármica” ou trata-se de um espírito amigo com o qual já me relacionei saudavelmente no passado?
“Quando duas pessoas se encontram nos caminhos da Vida e sentem, de forma imediata e automática, uma conexão/atração mútua e irresistível, pode tratar-se de uma situação de um relacionamento cármico entre os dois, que já vem de outras vidas”.
Talvez por isso é que muitos relacionamentos que inicialmente pareciam ter tudo para dar certo, acabam de forma dramática e muitas vezes trágica.
Mas por que será que isto acontece? E o que são encontros cármicos?
São encontros de almas que têm pendências de outras vidas para resolverem entre si.
A principal característica de um relacionamento cármico baseia-se no fato de que ambos os parceiros carregam emoções não resolvidas dentro de si, tais como culpa, medo, dependência, ciúmes, raiva, ressentimentos etc., trazidas de outras vidas e que precisam ser resolvidas na vida atual.
E a oportunidade de resolver dá-se exatamente pelo “reencontro” entre as duas almas.
Num reencontro cármico, a outra pessoa é-nos imediata e estranhamente familiar, mesmo que nunca a tenhamos visto nesta vida ou que não a conheçamos bem.
Este tipo de reencontro, muitas vezes, acaba por se transformar num relacionamento amoroso ou numa intensa paixão. E então as emoções que experimentamos podem ser tão avassaladoras, que acreditamos ter encontrado a “alma gêmea”.
Por causa da “carga emocional” não resolvida, estes dois seres sentem-se atraídos um pelo outro na vida atual e o reencontro é a oportunidade de resolverem o que ficou pendente e libertarem-se, para uma vivência mais plena e feliz.
Então o que acontece quando duas pessoas assim se encontram?
Dois seres com questões por resolver, quando se encontram sentem uma compulsão, quase que uma emergência em estar mais perto um do outro.
Entretanto, depois de algum tempo, por força dos problemas e atritos que inevitavelmente surgem no relacionamento atual (dessa vida), poderão repetir os mesmos padrões emocionais que causaram rompimentos e dores numa vida passada.
Uma nova existência juntos é a grande oportunidade para enfrentarem os problemas pendentes e lidar com eles de uma forma mais iluminada.
Ou não!
Tudo depende do grau de maturidade emocional de cada um e da vontade de superar as dificuldades do relacionamento.
Por isso, muitos casais acabam por se separar de forma dramática e dolorida, mesmo que o relacionamento tenha começado num aparente “mar de rosas” e, muitas vezes, nem eles mesmos conseguem perceber muito bem por que as coisas deram errado.
Este tipo de relacionamento, por causa da carga emocional e bloqueios que traz consigo, trará sempre grandes desafios muitos deles bem dolorosos, que virão à tona mais cedo ou mais tarde.
Após algum tempo, geralmente os parceiros acabam envolvendo-se num conflito psicológico, que poderá ter como base a luta pelo poder, o controle e a dependência, seja emocional, material, ou de outra natureza.
E o que isto significa? Significa que muitas vezes, estes dois seres acabam repetindo comportamentos ou criando situações que o seu subconsciente “reconhece” de uma vida anterior, onde essas pessoas podem ter sido amantes, pai e filho, patrão e funcionário, ou algum outro tipo de relacionamento.
Pode ser que, nessa vida anterior, um dos dois tenha aberto uma ferida emocional no outro, através infidelidade, abuso de poder, manipulação, agressão etc., tendo provocado cicatrizes profundas e trauma emocional.
O propósito espiritual deste tipo de “reencontro” para ambos os parceiros é que eles aproveitem esta oportunidade para fazer escolhas diferentes das que fizeram numa vida passada e aprendam um com o outro, tudo o que deve ser aprendido e absorvido, para a evolução de ambos.
Identifique se está neste tipo de relacionamento, aprenda as lições necessárias, cresça e amadureça.
Caso os parceiros sejam suficientemente maduros e evoluídos emocionalmente, o relacionamento cármico pode sim ser verdadeiramente benéfico, e transformador para ambos.
Fernando Rossit

Morte prematura: entender para aceitar

criança de fralda
MEDICINA E ESPIRITUALIDADE | Sérgio Vencio
No dia a dia da prática médica, o tema que mais impressiona a todos provavelmente é o da morte prematura. Conviver diariamente com pacientes acima dos 80 anos de idade que apresentam problemas crônicos de saúde e caminham para o desencarne, soa a todos nós como algo absolutamente fisiológico, por maior seja a dor dos familiares na hora da despedida.
Porém quando o assunto é o desencarne de crianças, adolescentes e adultos jovens que se dirigem ao plano espiritual antes dos pais, nem sempre a racionalidade que o Espiritismo traz pode ser suficiente para acalentar a alma dos que ficam.
O termo “morte prematura”, talvez não seja adequado, pois não podemos pensar em uma espiritualidade superior onde as coisas são feitas de improviso. Evidentemente nos referimos aqui a prematuridade do ponto de vista físico, ou seja, desencarnar jovem e não desencarnar antes do tempo programado.
Jesus foi um exemplo de morte prematura, desencarnando antes de sua mãe. Mas durante todo o seu apostolado, ele deu mostras de sobra, que sabia antecipadamente o que aconteceria. (Mateus 26, João 2:19). Aliás esse fato foi narrado várias vezes no velho testamento, em especial por Isaias. Saber por antecipação não o impediu de levar a cabo sua missão, pois várias vezes ele afirmou que o que lhe interessava acima de tudo era realizar a vontade do Pai.
Para os pais que enxergam na morte do filho o fim de tudo, o sofrimento parece mesmo não ter fim, porém um outro caminho, de mais amor e paz interior pode existir. Entender o mecanismo pelo qual as doenças ocorrem é fundamental para se libertar da tristeza imensa que invade a vida dos familiares.
Enquanto houver a crença de que Deus levou, que Deus quis, como se houvesse um Senhor de barbas brancas sentado em uma mesa apertando botões coloridos escolhendo quem vai e quem fica, distribuindo benesses e concessões, castigos e punições, não vamos conseguir sair do lugar.
morte prematura
A mesmice atávica do benefício para quem é bonzinho e castigo pra quem é do mal, não aplaca mais as nossas dúvidas e incertezas. Até porque, se olharmos com cuidado, quem de nós pode ser classificado como evoluído ou inferior? Todos sem exceção temos qualidades e defeitos. Como escolheria então Deus?
Como explicar que uma criança de dois anos de idade, que nem teve tempo de fazer coisas boas ou ruins tenha um câncer com metástases e desencarne após 6 meses de tratamento? Punição para os pais? Resgate de um carma familiar? Acreditar nessa hipóteses é diminuir Deus a um tirano despótico sem sentimento, que castiga um inocente para punir os pais. Que tipo de amor é esse? Pois João evangelista nos define Deus da única forma que podemos compreender. “Deus é amor!”
A resposta é uma só. Cada um responde por atos praticados em outras vidas, resgatando pelo amor, as dívidas do passado e caminhando com passos cada vez mais sólidos em direção ao Pai. Não há punição, mas oportunidade. Não há fim, mas continuidade da vida, e vida plena, vida espiritual. É muito mais lógico pensar que se em outra vida, eu lesei tanto meu corpo espiritual por atitudes e vícios, nessa vida eu limpo meu corpo espiritual, drenando para a carne, para o corpo físico aquilo que me faz mal.
Se você vivenciou essa situação, a primeira coisa a fazer é parar de se questionar o que você fez de errado. Não há nada de errado. Está tudo certo. Jesus nos dizia que quem quisesse seguí-lo deveria pegar sua cruz e ir. Bom, chegou o momento. É a sua chance de mostrar a ele (Jesus) que você entendeu a lição. Creia que seu filho, seu familiar, seu amigo que desencarnou continua mais vivo do que nunca, e com certeza mais feliz, porque drenou para o corpo físico algo que o impedia de crescer. Veja, a lição é clara, Deus não puniu ninguém, foi uma cobrança automática imposta por compromissos do passado. Não houve castigo, houve libertação.
criança no plano espiritual
No processo de aceitação e entendimento que ocorre após a morte prematura, o primeiro item é não remar contra a maré. Não lute contra a correnteza. Não se desespere, não aja como se a vida tivesse acabado. Aceite suas limitações, chore, mas sem desespero. Procure ajuda.
Abra seu coração com pessoas que estão ao seu redor, consulte um psicólogo, reuniões de terapia de grupo, e deixe a ferida ir cicatrizando aos poucos. E acima de tudo, não faça disso uma desculpa para deixar de viver. Você não precisa se matar aos poucos como se dissesse para a pessoa querida que desencarnou “olhe, gosto tanto de você que eu também vou morrer”. A isso chamamos de suicídio e não amor.
Confie e se entregue nas mãos desse Pai amoroso, que nos acolhe e alivia. E lembre-se, o melhor remédio para as nossas dores é aliviar a dor do próximo. Converta esse sentimento de dor em algo sublime como a ajuda aos necessitados. Em prol daquele que desencarnou primeiro e da sua própria evolução espiritual, transmute o sentimento e passe a ser um seareiro do Cristo. Dia virá que você será capaz de olhar pra trás e entender tudo que a vida queria lhe ensinar com esse fato.

segunda-feira, 26 de março de 2018


Como manter o coração puro? | VISÃO ESPÍRITA

coração puro
TV MUNDO MAIOR | Haila Vicente
“Mas o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque eu o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração”
Está claro com essas palavra de que Deus não se importa com a nossa aparência, mas sim com o nosso coração. Enxerga muito além do que podemos compreender. E o amor para conosco é infinito.
Mas como manter o coração livre, sem amarguras, ou ódio e ter um coração puro?
A pureza do coração é inseparável da simplicidade e da humildade. Exclui toda idéia de egoísmo e de orgulho. Por isso é que Jesus toma a infância como emblema dessa pureza, do mesmo modo que a tomou como o da humildade.
Ele quer que não tenhamos nenhum sentimento de vingança e ódio, por isso diz para temos corações puros, e ser livre de toda energia negativa. Como são as crianças. Por isso também que Jesus estava certo quando diz “Deixai que venham a mim as criancinhas e não as impeçais, por que o reino dos céus é para os que se lhes assemelham. Digo-vos, em verdade, que aquele que não receber o reino de Deus como uma criança, nele não entrará.”

Poderia ser injusta essa comparação, considerando-se que o espírito da criança pode ser muito antigo.
Mas tudo é sábio nas obras de Deus, a criança vem para nos mostrar que existe amor, compaixão, carinho e pureza na humanidade e dentro de nós adultos. Basta estarmos em constante cuidado e alimentar esse amor com Deus, é disso que nós precisamos para evoluirmos espiritualmente.
Valoriza as coisas boas que o universo te dá, ame ao próximo como a ti mesmo e vá aos poucos conquistando a pureza que existe dentro de você.

domingo, 25 de março de 2018

Como ter melhores conversas

Por Jeanne Callegar

Melhores_conversas
Em tempos de ofensas sendo destiladas em toda parte, a chamada comunicação não violenta nos ensina a buscar nossa humanidade compartilhada, apesar das diferenças e a aprender a ouvir

Janeiro de 2016.  A tarifa do ônibus e do metrô aumenta em São Paulo, chegando a R$ 3,80, e as pessoas vão às ruas protestar. As manifestações são combatidas pela polícia militar, que lança bombas de gás e balas de borracha contra as pessoas, participantes ou não. Um jovem de 19 anos precisa fazer uma cirurgia, porque uma bomba rompeu um tendão de sua mão; outro foi atropelado por cinco motos e atirado ao chão.

Sexta-feira, 13 de novembro de 2015. Chegam as primeiras notícias dos atentados em Paris, em que mais de 100 pessoas foram assassinadas por membros do Estado Islâmico, organização jihadista baseada na Síria (...).

Julho de 2015. A jornalista Maria Júlia Coutinho, a Majú, que apresenta a previsão do tempo no Jornal Nacional, é alvo de comentários racistas no Facebook. “Não bebo café para não ter intimidade com preto”, diz um dos insultos.

Todos os dias, vemos relatos como esses nos noticiários dos jornais e nas redes sociais. Situações que mostram o quanto a humanidade pode ser agressiva, violenta, preconceituosa. Entre a indignação e a perplexidade, é fácil cair no desânimo, pensar que o ódio venceu. Afinal, ele não está presente apenas nos atos cometidos contra manifestantes ou nos atentados terroristas em outro continente. Não. O sentimento está em nossas conversas e relações, diariamente. Um dia é o político que afirma que “ninguém gosta de homossexual”; no outro, a discussão com o amigo do trabalho que tem uma posição política oposta à sua. Em uma semana, um índio é espancado até a morte nas ruas de uma capital; na outra, um debate infrutífero no almoço de domingo sobre a redução da maioridade penal. Um dia brigamos com o marido por causa da louça suja na pia; no outro, o filho bate a porta, chateado porque não conseguiu permissão para sair. As vozes se exaltam, as opiniões se polarizam. Tudo se torna um eu-contra-eles, uma partida de perde-perde, em que falhamos em conciliar posições, necessidades, ideias.

Quando nos deparamos com essas situações, reagimos como fomos ensinados. Se um motorista nos fecha na rua, brigamos. Se o filho desobedece, gritamos. (...) E assim seguimos, firmemente atados às nossas convicções, em um diálogo de surdos. Mas o que aconteceria se, em vez de reagir como normalmente fazemos, pudéssemos fazer diferente? Se, em vez de raiva, gritos e ironias pudéssemos exercitar a escuta, praticar empatia, tentar entender genuinamente o ponto de vista do outro? Será que não conseguiríamos resultados melhores?

 Conexão e linguagem

É essa a aposta da chamada comunicação não violenta, uma abordagem para lidar de forma mais compassiva com os relacionamentos humanos, das relações íntimas aos conflitos políticos globais mais complexos. Criada pelo psicólogo americano  Marshall Rosenberg, nos anos 1960, a comunicação não violenta nada mais é que uma forma de se comunicar que aumente a chance de conexão entre as pessoas.

Eu sei. Talvez você esteja meio cético ao ler isso. Talvez esteja pensando, ao ver essa expressão, que isso é uma coisa hippie, em que as pessoas se vestem de branco, dão as mãos e nada muda, de fato. Talvez ache que é sinônimo de passividade. Mas as formas tradicionais de resposta não são suficientes para dar conta dos conflitos que vivemos. É hora, talvez,  de tentar alguma outra coisa.

Aos 9 anos de idade, a família de Rosenberg mudou-se para Detroit, nos Estados Unidos. Pouco tempo depois, eclodiu na cidade um confronto racial no qual 40 pessoas foram mortas. No olho do furacão, Rosenberg e sua família passaram três dias trancados em casa. Essa e outras experiências levaram o garoto, quando cresceu, a se interessar pelas causas da violência e o que motiva as pessoas a praticá-la.

“Enquanto estudava os fatores que afetam nossa capacidade de nos mantermos compassivos, fiquei impressionado com o papel crucial da linguagem e do uso das palavras”, escreveu Rosenberg em Comunicação Não-Violenta: Técnicas Para Aprimorar Relacionamentos Pessoais e Profissionais (Ágora), livro-referência para quem quer se aprofundar no assunto. O psicólogo foi buscar na ahimsa – a não violência – de Gandhi os princípios para uma nova abordagem de comunicação. E Gandhi, como se sabe, não era nada passivo: por meio de protestos não violentos e desobediência civil, como greves, boicotes a produtos ingleses e marchas, ele conseguiu liderar o país rumo à independência.

A comunicação não violenta se baseia na ideia de que, quando falamos, estamos sempre expressando necessidades profundas, compartilhadas pelos outros. Toda pessoa, seja de direita ou esquerda, homem ou mulher, religioso ou ateu, tem necessidade de abrigo, segurança, alimento, amor. Também precisamos de reconhecimento, carinho, aceitação, pertencimento, intimidade, liberdade, entre muitas outras coisas. Não é fácil olhar para alguém que acaba de nos ofender e ver ali uma pessoa como nós, com necessidades semelhantes. Mas se queremos realmente causar mudanças, precisamos tentar.

“Respeito significa olhar de novo”, diz o especialista em CNV, Dominic Barter, inglês radicado no Rio de Janeiro, ao explicar a origem da palavra. “Re” significa que algo vai acontecer de novo; “spect” significa ver. “Em um primeiro contato com outra pessoa, a primeira coisa que notamos são nossas diferenças”, diz ele. “Notamos como a cor da pele é diferente, as roupas, as opiniões. Para ouvir respeitosamente, precisamos olhar outra vez, com mais cuidado, e procurar não aquilo que nos diferencia, mas o que nos une”, afirma ele, que há décadas ensina e aplica a comunicação não violenta em diversas regiões de conflito do globo, inclusive em presídios brasileiros e nas favelas cariocas.

Observar com neutralidade

“Para além das ideias do certo e errado, existe um campo. Eu me encontrarei com você lá”, escreveu o poeta sufi (13) Rumi. Quando nos damos esse tempo para perceber o outro, podemos ver as coisas com mais clareza, evitando os julgamentos de valor. Segundo a comunicação não violenta, é importante reconhecer a diferença entre observação e avaliação. Isso porque, quando julgamos a ação do outro, a tendência é que ele sinta aquilo como uma crítica. Ora, o ser humano não gosta de ser criticado; em vez de refletir sobre o que dissemos, sua tendência será se defender. E, assim, a comunicação se rompe.

As observações ditas ao outro devem ser específicas da situação, se referindo àquele ato, não à pessoa. “É diferente eu dizer ‘Aquele desgraçado acabou com a vida da família inteira’ e falar ‘Ao sair de casa e usar drogas, aquele homem provocou uma reação de tristeza e desesperança, segundo o relato dos familiares’”, exemplifica o psicólogo Frederico Mattos.

Fácil não é. Muitas vezes, embutimos um julgamento sem perceber. “Você SEMPRE esquece a luz acesa!” Pode parecer uma frase neutra, mas o “sempre” traz uma carga acusadora, que pode não corresponder à verdade. Dizer “Nas últimas quatro vezes em que reparei, você deixou as luzes acesas” é mais objetivo e tem mais chances de não ser recebido como crítica.

Depois dessa formulação, é hora de observar as emoções que essa situação causa em você. Tristeza? Raiva? Vergonha? Fazer isso é mais complicado do que parece. Afinal não fomos treinados para prestar atenção em nossas emoções; pelo contrário, ouvimos a vida toda que elas nos atrapalham. O psicanalista Rollo May afirma que uma pessoa madura é capaz de diferenciar as muitas nuances dos sentimentos. Algumas experiências são fortes e apaixonadas, outras, delicadas e sensíveis, tais quais os trechos de uma sinfonia. Para a maioria das pessoas, porém, ouvir os próprios sentimentos é como ouvir as notas de um clarim. Não temos vocabulário para expressar o que se passa conosco.

Quando colocamos nossos sentimentos na mesa, nos abrimos para o outro, deixamos que ele enxergue nossa vulnerabilidade. E isso pode ser transformador. Mesmo que o outro não verbalize, podemos tentar perceber, por trás de seus gritos e acusações, as suas verdadeiras emoções. A mãe que critica a filha pode estar apenas se sentindo sozinha. O filho que tira notas baixas pode estar tendo problemas na escola. O tio que pede a volta da ditadura pode estar expressando seu medo da violência. Somos como crianças que, com fome, frio ou sujas, reagem do único jeito que sabem: chorando.


A raiz dos sentimentos


Quando você descobre a emoção que sente quando algo acontece, tem pistas muito valiosas sobre aquilo que a causou. “Onde há fumaça, há fogo”, diz Barter. “Nossas emoções são um sinalizador de nossas necessidades humanas básicas: se elas estão sendo atendidas, nos sentimos bem, gratificados. Se estamos mal, ficamos apreensivos, com raiva”, diz ele.

Aqui também a comunicação não violenta propõe uma mudança na forma de encarar os problemas. Por essa abordagem, as ações dos outros podem ser um estímulo, mas não a causa de nossas frustrações. “As pessoas não são perturbadas pelas coisas, mas pelo modo como as veem”, disse o filósofo grego Epicteto. Digamos que seu namorado desmarque um compromisso de última hora. Se você está ansiosa por encontrá-lo, a sua sensação imediata poderá ser de raiva. Mas, se você teve um dia cansativo, talvez, receba a notícia com bastante alívio. Tudo depende, enfim, do que esperamos.

Claro que não é possível deixar de ter expectativas e valores. Isso é o que nos faz únicos afinal. Mas, quando pensamos que cada pessoa tem suas próprias de certo e errado, fica mais fácil entender que, no mundo delas, aquilo que nos parece tão abominável e injustificável pode ter sua razão de ser.(...) Nós não precisamos concordar com isso, mas podemos ao menos  entender de onde aquela atitude vem.

Quando percebemos isso, fica mais fácil não ser afetado por essas questões. Ao mesmo tempo, ganhamos força para dizer com todas as letras, de forma não violenta, por que aquele ato nos magoa. Ironicamente, quanto mais não acusadores somos na expressão de nossas necessidades, mais fácil é tê-las atendidas.

Pedir e se posicionar


            Entender o ponto de partida do outro não significa ser passivo. Nem, simplesmente, mostrar a outra face, e deixar que a violência ou abuso, se for o caso, persista. Na comunicação não violenta, todos os envolvidos – seja um casal em crise ou líderes de etnias em guerra – colocam suas emoções e necessidades na mesa, e isso tenta ser conciliado. Você pode fazer um pedido, por exemplo. “Filho, fico preocupado quando você sai e não dá notícias. Quero que você se divirta, mas será que você pode mandar uma mensagem para avisar que está bem?”

É importante formular o pedido diretamente, da forma mais clara possível. Prefira dizer o que quer, e não o que não quer. Em seu livro, Rosenberg conta a história de uma mulher que disse ao marido “Gostaria que você passasse menos tempo no trabalho”. Algum tempo depois, ele anunciou a ela que tinha se inscrito em um curso de golfe. Também vale lembrar que o pedido não pode ser uma exigência. Se a pessoa sentir que é uma cobrança, só tem duas alternativas: se submeter ou se rebelar. Nas duas, a pessoa que pede é vista como coercitiva, e isto diminui as chances de o pedido ser atendido. Como diferenciar as coisas?  Simples: na reação caso a pessoa decida não nos atender. Se o pedido não for atendido, continua-se a conversa até chegar a uma solução que agrade a todos.

“A empatia é a compreensão respeitosa do que os outros estão vivendo”, escreveu Rosenberg. Para isso, é fundamental esvaziar a mente e ouvir com todo o nosso ser. E isso é difícil: requer se despir de ideias preconcebidas, estar completamente disponível para entender as razões do outro. “A agressividade dos outros se alimenta de um temor de não ser visto, reconhecido, amado, considerado”, diz Mattos. “Ela é um pedido desesperado por atenção”.

Em geral, em vez de escutar, queremos logo dar conselhos, encorajar, contar histórias semelhantes. Antes disso, porém, é importante dar tempo para que a pessoa se expresse, dizendo tudo o que está entalado. Não tente apressar: apenas ouça. O foco deve ser sempre na mensagem do outro. Se alguém diz: “De que adianta conversar com você? Você não entende nada!”, não leve para o pessoal, nem se defenda. Pergunte: “Você está infeliz porque gostaria de ser escutado?” Repita para a pessoa o que você acredita ser a emoção ou necessidade dela. Ela poderá então confirmar e se sentir, assim, mais escutada.

Passamos a vida toda reagindo a conflitos de maneira não compassiva. Isso não vai mudar de uma hora para  outra. A comunicação não violenta é um músculo que precisa de exercício. Tentar analisar sem julgar, perceber nossas emoções e necessidades, tudo isso pode ser treinado. Ao tentar praticá-la, vá no seu tempo. Afinal, à medida que oferecemos empatia aos outros, devemos também fazê-lo por nós mesmos, tendo paciência por nossas ações, nossos processos. Aos poucos, iremos perceber o poder transformador de se comunicar com mais respeito. E aí quem sabe conseguiremos, se não entender de onde vem tanto ódio no mundo, ao menos contribuir para que em nossas relações as coisas possam ser um pouco diferentes.

[1] CALLEGARI, Jeanne. Como ter melhores conversas. Vida Simples, São Paulo, SP, ano 14, n. 3, p. 16-23, mar. 2016. Jeanne Callegari é escritora e jornalista. Foi editora-assistente de Vida Simples até 2014. Acredita no potencial do diálogo e da escuta. [Nota da editora, p.22].

  • SENDO UM TRABALHADOR VOLUNTÁRIO. O trabalho voluntário na casa espírita é um empreendimento de luz voltado para a edificação do amor na Humanidade, atendendo às recomendações de Nosso Senhor Jesus Cristo de que devemos nos amar uns aos outros como Ele nos amou. Informe-se na livraria ou coordenação da recepção. Se preferir, procure um representante do núcleo de gestão de pessoas.
  • COMO COLABORADOR. Você pode doar-se colaborando com a sua experiência profissional, dentro de sua formação ou área de atuação, por exemplo, fazendo serviços como pintor, pedreiro, carpinteiro, cozinheiro, serviços de limpeza, eletricista, arquiteto, engenheiro, advogado, professor, médico, fisioterapeuta, músico, etc.

Juntos no tempo e nas ações pelo ideal espírita – Homenagem ao Balieiro

Juntos no tempo e nas ações pelo ideal espírita – Homenagem ao Balieiro
Conhecemos José Antonio Luiz Balieiro nos florescentes tempos das mocidades espíritas. Fato marcante foi em 1967 quando ele era o coordenador local em Ribeirão Preto da 1ª Confraternização de Mocidades e Juventudes Espíritas do Estado de São Paulo (COMJESP), promovido pela USE-SP. Integramos a mesa de encerramento do grande evento com palestra pelo Divaldo, porque naquela oportunidade havíamos sido selecionado no concurso de oratória, na categoria de expositor.
Tempos depois, na mesma cidade em 1992, Balieiro foi o coordenador local do 8º Congresso Estadual de Espiritismo e nós ocupávamos a presidência da USE-SP. Aquele Congresso foi marcante no desenvolvimento da temática Centro Espírita e nas inovações propostas pelo companheiro como o caderno do congressista, já incluindo o resumo de todos os temas abordados pelos expositores.
Na mesma época, com as esposas, ambos estávamos envolvidos no projeto de estimular estudos e ações relacionados com educação e família, contando com a coordenação de nossa esposa Célia como diretora do Departamento de Educação da USE-SP. Adalgiza Balieiro vibrava e na época publicou um livro relacionado com o tema. Muitos eventos foram concretizados, incluindo o lançamento nacional da Campanha Viver em Família, em janeiro de 1994, em São Paulo, e, surgiram livros com colaborações dos dois casais, como A família, o espírito e o tempo e Laços de família, editados pela USE-SP.
Durante sua gestão como presidente da USE-SP, comparecemos como secretário geral do CFN da FEB aos Congressos Estaduais de Espiritismo em Guarulhos, Serra Negra e Franca.
Ao assumirmos, interinamente, e numa situação emergencial a presidência da FEB, na sequência efetivado no encargo, Balieiro se colocou a disposição e atuou como nosso assessor para ações de unificação e do CFN. Sua atuação culminou ao ser aprovado pelo Conselho Federativo Nacional da FEB como coordenador geral do 4º Congresso Espírita Brasileiro. Dedicou-se com afinco nos preparativos dos quatro grandes eventos regionais simultâneos. O empreendimento foi coroado de êxito e muito bem avaliado em todas as regiões. Inovações na simultaneidade por regiões, na unificação de temas, na escolha regional dos expositores, no caderno do congressista e na sistemática de devolução em livros da FEB até o valor correspondente à taxa de inscrição. E o Congresso, em quatro etapas, foi superavitário. Mas, o mais importante foi o tema central que motivou e uniu os espíritas brasileiros: os 150 anos de O Evangelho segundo o Espiritismo. O maior esforço conjunto de divulgação dessa Obra Básica de Kardec!
No interregno de 50 anos, muitas outras somatórias de esforços se firmaram, sempre com a motivação de contribuir com o movimento espírita.
Além disso, Balieiro sempre manteve contribuição constante e foi dirigente de várias instituições e órgãos de unificação de Ribeirão Preto e região.
Registros diferentes, tristes e alegres, também aconteceram. Certa feita, após uma reunião noturna da diretoria da USE-SP, Balieiro e Adalgiza retornavam de carro para Ribeirão Preto. Ainda dentro da capital, houve um imprevisto com o veículo deles e eles telefonaram para nossa residência relatando o ocorrido e que não estavam encontrando hotel. Minutos depois estavam em nosso apartamento para o pernoite – e sem bagagens pelo fato inusitado – gerando um ambiente de risos no acolhimento em família.
Interessante que, no ano passado, face ao cancelamento de um voo, o casal Balieiro também nos recebeu de madrugada no lar deles em Ribeirão Preto e ainda ele se prontificou a nos conduzir até um evento espírita regional em Barretos.
De imediato à eleição da diretoria da FEB de março de 2015, Balieiro se isolou num hotel de Brasília e soubemos da sua dor e decepção. Superou com o trabalho em instituições de Ribeirão Preto e retornando à USE-SP na condição de vice-presidente.
Reencontramo-nos na ação espírita em diversos momentos na vasta seara paulista e, finalmente, no marcante 17º Congresso Estadual de Espiritismo, em junho de 2017, quando se comemorou os 70 anos da USE-SP. Na solenidade de homenagem aos colaboradores e ex-dirigentes, a presidente Júlia Nezu Oliveira referiu-se aos dois ex-presidentes da USE “ainda encarnados…” Balieiro e eu estávamos sentados lado a lado e nos cutucamos e rimos com o “ainda”. E, agora… ele se foi, tornei-me no “único”, compromisso e responsabilidade.
O fato é que na diversidade de situações de atuações no movimento espírita, em momentos de alegria e de tristeza, e sendo diferentes, ombreamos juntos uma tarefa alimentada pelo ideal espírita!
Assim, registramos nossa homenagem ao companheiro de jornada!
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José Antonio Luiz Balieiro (1942-2018), oriundo das Mocidades Espíritas nos anos 1960. Sempre foi ligado ou dirigente de instituições e Órgãos da USE Intermunicipal e Regional de Ribeirão Preto. Ocupou várias vezes a vice-presidência da USE-SP (na nossa gestão como presidente e na atual com Júlia Nezu Oliveira); exerceu a presidência da USE-SP (2006-2012). Durante nossa gestão como presidente interino e efetivo da FEB, foi assessor do CFN da FEB e do presidente. Foi membro do Conselho Superior da FEB, nas gestões Nestor Masotti e nossa. Coordenou em 2014, os muito bem sucedidos quatro eventos do 4o. Congresso Espírita Brasileiro, promovido pelo CFN da FEB. Afastou-se da FEB quando saímos da presidência. Casado com Adalgiza, tem filhos e netos. Desencarnou no dia 8 de março de 2018, em Ribeirão Preto.