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domingo, 25 de março de 2018

A Música e a harmonia do ambiente

Quem não adora ouvir uma música suave, como a Ave Maria de Schubert? A música toca direto na alma. Parece que aquela melodia perpassa por todo o nosso corpo, acalmando as emoções, estabilizando e harmonizando-nos.
Estamos num planeta onde ainda emitimos muitos pensamentos e sentimentos negativos que tornam a nossa psicosfera muito pesada, então, para facilitar a aproximação das inteligências espirituais superiores ao nosso meio, inclusive na hora em que fazemos o Evangelho no Lar, a música é uma grande harmonizadora de energias, cuja ação não podemos enxergar ou apalpar, mas podemos sentir sua vibração a nos facilitar a elevação de nossos pensamentos à Deus.
A música tem o poder de mexer fundo em nossas emoções, nossa mente é, naturalmente, afetada por ela, desde os primórdios.
Na sua rica obra A Música Segundo o Espiritismo, Ery Lopes (1) coloca o que o grande maestro Gioachino Antonio Rossini nos comunicou do mundo espiritual: (…) quando é dado ao Espírito inferior deleitar-se com os encantos das harmonias superiores, o êxtase o arrebata e a prece lhe penetra o íntimo. O encantamento o transporta às elevadas esferas do mundo moral; ele entra a viver uma vida superior à sua e assim desejara continuar viver para sempre. … Com isso, vemos a Música se somar às ferramentas de auxílio para a depuração dos Espíritos.
E falando sobre a harmonia, Ery coloca: “Sopesando os infinitos estágios, as entidades têm diferentes graus de aptidões para vivenciar a Harmonia. Os mais evoluídos, os virtuosos, amantes do bem e do belo – ecoando Rossini – são capazes de vibrar junto com a composição sem nenhum empecilho. Quando na hora de compor, podem criar (…) obras-primas capazes de penetrar as mais endurecidas almas, de comovê-las. Em contrapartida, os primários têm os sentidos limitados, o que os impede de compreender em absoluto a essência harmônica e, na tentativa criadora, produzem peças que exprimem o que realmente são, na variedade de seus pensamentos e gostos, sendo suas crias (…) ora licenciosas, ora obscenas, ora cômicas, ora burlescas; comunicarão aos ouvintes os sentimentos que exprimirem e os perverterão, em vez de melhorá-los. Parodiando um famoso aforismo popular, diríamos: Dize-me que música tu aprecias que te direi quem tu és!”
Segundo Ery, Rossini profetizou que o Espiritismo haverá de depurar a arte, transformando-a, pois é tudo de origem divina. (…) os ouvintes que o Espiritismo dispuser a receber facilmente a harmonia gozarão, ouvindo a música séria, de verdadeiro encanto; desprezarão a música frívola e licenciosa, que seduz as massas. Quando o grotesco e o obsceno forem varridos pelo belo e pelo bem, desaparecerão os compositores daquela ordem, porquanto, sem ouvintes, nada ganharão, e é para ganhar que eles se emporcalham.
Bem diz Ery, nesta mesma obra citada acima: Portanto, iludem-se aqueles que encerram os atributos da Música apenas ao escopo do mero entretenimento.
Todavia, Ery coloca que o que temos é uma vulgar imitação da verdadeira harmonia que é intuído do mundo espiritual, pois não dispomos ainda uma audição a altura, ou instrumentação que consiga acessar a verdadeira harmonia celestial. Ele cita a questão 251 do Livro dos Espíritos, de Kardec:
– São sensíveis à música os Espíritos?
“Aludes à música terrena? Que é ela comparada à música celeste? A esta harmonia de que nada na Terra vos pode dar ideia? Uma está para a outra como o canto do selvagem para uma doce melodia. Não obstante, Espíritos vulgares podem experimentar certo prazer em ouvir a vossa música, por lhes não ser dado ainda compreenderem outra mais sublime. A música possui infinitos encantos para os Espíritos, por terem eles muito desenvolvidas as qualidades sensitivas. Refiro-me à música celeste, que é tudo o que de mais belo e delicado pode a imaginação espiritual conceber.”
Têm sido divulgados pela mídia, vídeos de crianças geniais em tenra idade tocando piano e outros instrumentos numa desenvoltura e beleza impressionantes. Está acontecendo um renascimento fantástico da música clássica no planeta todo, pois precisamos da harmonia da arte maior, pelo menos a que conseguimos acessar por nosso instrumento carnal, para elevar a qualidade da nossa vibração. Não é novidade para, pelo menos nós, Espíritas, a reencarnação de grandes gênios da música para esta transição que vivemos agora. Trata-se de um renascimento da música.
Sabemos de quantas crianças foram tiradas das ruas, das drogas, e acharam na música e na arte a salvação de suas vidas, graças aos músicos voluntários que se dispuseram a ensiná-las. Vemos muitos exemplos disso no mundo, no Brasil, nas favelas do Rio de Janeiro, etc.
Estudos científicos mostram que a música ativa certas regiões do nosso cérebro que estão envolvidas no movimento, planejamento, atenção, aprendizado e memória. A música também provoca a liberação de dopamina no cérebro, que melhora o nosso humor e reduz a nossa ansiedade, também induzindo ao prazer, alegria e motivação. Fortifica o sistema imunológico, alivia a dor e a ansiedade. E mais, quando os cirurgiões escutam suas músicas favoritas, suas performances melhoram em eficiência. A música ajuda na produção do hormônio cortisol, relacionado ao estresse, que melhora o uso da glicose no cérebro, dando-nos mais energia e, ainda aumentando a disponibilidade de substâncias necessárias para a reparação de tecidos cerebrais danificados. Quando escutamos músicas que gostamos, sentimos vontade de sermos melhores para com os outros. Uma música relaxante pode baixar a pressão cerebral, ajudar pessoas que sofrem de dor de cabeça crônica e enxaqueca, como também ajuda as crianças que sofrem de epilepsia, diminuindo as crises de convulsões em pacientes; previne o desenvolvimento de zumbido crônico no ouvido; melhora a duração e intensidade de nossa concentração, melhora nosso desempenho em tarefas repetitivas. Escutar música clássica antes de dormir reduz a insônia; crianças com TDAH têm um desempenho melhor em matemática, quando escutam música. Se alguém pesquisar mais pela internet, poderá achar mais informações sobre os benefícios da música.
Assim como, quando rezamos, elevamos os nossos pensamentos a Deus, que elevemos também então a qualidade da música que escutamos, pois estaremos cooperando para uma melhor psicosfera de nosso planeta Terra, beneficiando física e espiritualmente a nós mesmos e a todos que estiverem desfrutando dela. Isso é caridade também.
Maria Lúcia Garbini Gonçalves
Nota do Autor:
(1) Ery Lopes é um músico autodidata, compositor, cantor e instrumentista, atuando na divulgação do Espiritismo e voluntário na Associação Espírita Dr. Bezerra de Menezes, além de colaborador do Portal luz Espírita. http://www.luzespirita.org.br

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