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quarta-feira, 7 de março de 2018

O AMOR


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O AMOR


A vivência do amor é apenas uma necessidade passageira ou algo a que estamos fatalmente destinados? Na nota explicativa da questão 938, de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, temos as seguintes considerações de Allan Kardec:

A Natureza deu ao homem a necessidade de amar e de se sentir amado. Um dos maiores prazeres que lhe sejam concedidos sobre a Terra é o de reencontrar corações que se simpatizam com o seu, o que lhe dá as premissas de uma felicidade que lhe está reservada no mundo dos Espíritos perfeitos, onde tudo é amor e benevolência. 

Suas palavras estão intrinsecamente associadas a uma das muitas definições do que seja o amor: “Sentimento que impele as pessoas para o que se lhes afigura belo, digno ou grandioso. ”

O que é amar? Como esse sentimento se manifesta?

Na Primeira Epístola aos Coríntios (13:1-13), o Apóstolo Paulo traz um dos mais belos cânticos sobre o que seja o genuíno amor:

Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.

Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, nada serei.

E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entre o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso se aproveitará.

O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 

Em suas palavras, o Apóstolo se refere a nove virtudes do amor.

A primeira a ser elencada é a paciência quando diz que “o amor é paciente”; e a paciência é a “virtude de quem suporta males e incômodos sem queixumes nem revolta. ” 
        
No entanto, tal virtude não representa a omissão ou a submissão diante das inconvenientes atitudes alheias, mas trata-se, na realidade, de um equilíbrio mental e emocional que permite à pessoa sustentar a serenidade e a firmeza na condução de qualquer relacionamento, até mesmo naqueles marcados por sérios conflitos. O Espírito Emmanuel afirma:

A verdadeira paciência é sempre uma exteriorização da alma que realizou muito amor em si mesma para dá-lo a outrem, na exemplificação. 

Tolerância. Por isso é que o amor “não se exaspera”.

A tolerância, segunda virtude do amor, é o “direito que se reconhece aos outros de terem opiniões diferentes opostas às nossas. 

O tolerante é aquele que, por aceitar e compreender que cada indivíduo possui sua própria maneira de pensar, sentir e comportar-se, age com tato, cautela e benevolência, procurando extrair dos outros o que eles, intimamente, possuem de melhor.

Benevolência, pois o amor “é benigno”.

A criatura benigna é aquela que se compraz em fazer o bem. Como a afetuosidade e a gentileza são as suas principais características, ela mesma se satisfaz ao promover a satisfação alheia.

O genuíno amor sempre nos possibilita desejar o melhor a quem quer que seja, impulsionando-nos a tomar as devidas atitudes para que os benefícios realmente se concretizem. Dessa forma, ele não é somente sentimento, mas, sobretudo, ação. O Espírito André Luiz afirma: “O verdadeiro amor, para transbordar em benefícios, precisa trabalhar sempre”.  

Incondicionalidade do amor. Esta é, portanto, sua quarta virtude, porque, de acordo com o apóstolo Paulo, o amor “não procura seus interesses”.

Amor incondicional, por definição, é aquele que não impõe condições – seja por meio de chantagens, cobranças ou exigências – para que possa existir ou expressar-se. É, portanto, a atitude de quem não espera por recompensas ou retribuições pelos benefícios que oferece a outrem. Hammed alerta:

Somos nós mesmos que nos iludimos, por querer que as criaturas deem o que não podem e que ajam como imaginamos que devam agir. 

Quem ama intensamente só pode acreditar, confiar, aceitar e ter a esperança de receber amor de volta.

Mas não existem garantias. Quem guarda seu amor para o momento em que tiver certeza de receber amor igual corre o risco de esperar para sempre.

Quando deixamos de impor condições para amar, damos um enorme passo na direção do aprendizado do amor.

Mas como renunciar às nossas exigências e desenvolver o amor em seu estado mais puro? Acredito que a melhor forma de aprender a amar é mergulhando profunda e intensamente na vida. Como começar?

Acho que uma boa maneira é abrindo-se para o amor, estando atento para suas manifestações, procurando não deixar passar uma ocasião de manifestá-lo.

E convencendo-se de que, por mais difícil que pareça ser, você é capaz de mudar. Confie em si e trabalhe, invista.

Maturidade, esta quinta virtude é quando o amor “não arde em ciúmes”.
        
O ciúme trata-se de uma inquietação mental e emocional que ocorre diante da possibilidade – ainda que irreal – de perder algo que julgamos ser nosso por direito. Mas é justamente no campo afetivo que ele mais se expressa e desenvolve-se.

Certo grau de ciúme é bastante natural em muitos de nós. Paulo, entretanto, refere-se ao ciúme doentio, pois esse excessivo desassossego mental e emocional faz sofrer quem o alimenta e quem o suporta, prejudicando consideravelmente a relação. O psicanalista de origem suíça Valério Albisetti ensina:

O ciúme faz parte de uma visão possessiva do ambiente, do outro, de si.
É neurose.
É uma doença.
Não faz crescer.
Viver com o ciumento significa, na verdade, não ter vivido.

Baseia-se na insegurança do próprio eu, em sua não completa, correta e sadia evolução.

Quem acredita que sentindo ciúme tem amor está no caminho errado. O amor é respeito pelo outro, pelas suas escolhas, quaisquer que elas sejam.

Desconfie da pessoa que tem ciúme de você. Ela quer dominá-lo, possuí-lo, não o amar, pois o ciumento usa o ciúme como arma para manter a outra pessoa em seu poder.


Respeito, porque o amor “não se conduz inconvenientemente”.
        
No tumulto de nossas emoções, agimos inadequadamente quando não fazemos uso do bom senso, do equilíbrio e do respeito em nossas relações com dos demais, esquecendo que “nossa liberdade termina onde começa a do outro”. Em nome do amor, não temos o direito de ultrapassar os próprios limites, de invadir a privacidade alheia, de cercear-lhe a liberdade. Hammed:

Ter limites é o ato de concretizar nossos sentimentos e pensamentos sem subtrair os direitos dos outros, ou seja, é escolher atividades e tomar atitudes com respeito pelas pessoas e por nós mesmos.

Indivíduos descontrolados não possuem limites. Não respeitam as possibilidades, tampouco a individualidade dos outros. Invadem, de forma constante, nossa privacidade e transgridem nossos territórios emocionais, acreditando estar no direito de fazer isso.

A sétima virtude é a capacidade de perdoar, porque o amor “não se ressente do mal”.

Em diversas situações, ficamos “cozinhando” o nosso rancor, não deixando com que a raiva e o ressentimento, simplesmente, passem por nós. Não estamos errados em sentir tais emoções, mas, uma vez que insistimos em alimentá-las, torna-se imprescindível descobrirmos os motivos dessa necessidade, visando ao entendimento e à mudança dos aspectos de nossa personalidade que estão favorecendo essa permanência.
  
O que realmente sustenta uma vida de amor é nosso desejo de permanecer num espaço amoroso e de reagir com amor nos momentos difíceis. É muito fácil amar quando tudo vai bem e se está rodeado de pessoas amigas. É completamente diferente sentir amor pelos outros (ou pela própria vida) em meio ao caos ou quando nos sentimos agredidos pelas atitudes dos outros – quando você é criticado, quando as pessoas invadem seu espaço ou quando lhe respondem com indiferença a um gesto generoso. 

Lealdade, pois “o amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade”.

A pessoa leal é ética em tudo o que sente, pensa e faz. Suas atitudes, portanto, estão sempre alicerçadas na honestidade, na sinceridade e, acima de tudo, na fidelidade. Tal é o sentido do seguinte ditado: “viva de forma que, quando pensarem em justiça e integridade, pensem em você”.

E, por fim, a nona virtude é a humildade, porque o amor “não se ufana, nem se ensoberbece”.

Ufanar-se e ensoberbecer-se significa tornar-se orgulhoso, envaidecido. Dessa forma, a humildade coloca um selo nos lábios para que não fiquemos nos vangloriando de nossos gestos de paciência, tolerância, benevolência, incondicionalidade, maturidade, respeito, perdão e lealdade para com os demais.

Se o inverso, porém, ocorrer, eles poderão sentir-se coagidos a nos retribuir de maneira idêntica.

O apóstolo Paulo, depois de descrever as nove virtudes do genuíno amor, oferece-nos uma síntese do que ele é capaz: “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.

É somente através da real vivência desse sentimento-atitude que nos fortalecemos no sentido de relevar os atritos que muitos de nossos relacionamentos ainda carregam, numa tentativa de construir vinculações afetivas verdadeiramente enriquecedoras e gratificantes.
        
Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre a multidão de pecados. (Pe 4:8)





“AMA, TRABALHA, ESPERA E PERDOA ”

Assim seja

Ana Catharina Pessoa.

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