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quinta-feira, 15 de março de 2018

Pedir e se posicionar

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Entender o ponto de partida do outro não significa ser passivo. Nem, simplesmente, mostrar a outra face, e deixar que a violência ou abuso, se for o caso, persista. Na comunicação não violenta, todos os envolvidos – seja um casal em crise ou líderes de etnias em guerra – colocam suas emoções e necessidades na mesa, e isso tenta ser conciliado. Você pode fazer um pedido, por exemplo. “Filho, fico preocupado quando você sai e não dá notícias. Quero que você se divirta, mas será que você pode mandar uma mensagem para avisar que está bem?”

É importante formular o pedido diretamente, da forma mais clara possível. Prefira dizer o que quer, e não o que não quer. Em seu livro, Rosenberg conta a história de uma mulher que disse ao marido “Gostaria que você passasse menos tempo no trabalho”. Algum tempo depois, ele anunciou a ela que tinha se inscrito em um curso de golfe. Também vale lembrar que o pedido não pode ser uma exigência. Se a pessoa sentir que é uma cobrança, só tem duas alternativas: se submeter ou se rebelar. Nas duas, a pessoa que pede é vista como coercitiva, e isto diminui as chances de o pedido ser atendido. Como diferenciar as coisas?  Simples: na reação caso a pessoa decida não nos atender. Se o pedido não for atendido, continua-se a conversa até chegar a uma solução que agrade a todos.

“A empatia é a compreensão respeitosa do que os outros estão vivendo”, escreveu Rosenberg. Para isso, é fundamental esvaziar a mente e ouvir com todo o nosso ser. E isso é difícil: requer se despir de ideias preconcebidas, estar completamente disponível para entender as razões do outro. “A agressividade dos outros se alimenta de um temor de não ser visto, reconhecido, amado, considerado”, diz Mattos. “Ela é um pedido desesperado por atenção”.

Em geral, em vez de escutar, queremos logo dar conselhos, encorajar, contar histórias semelhantes. Antes disso, porém, é importante dar tempo para que a pessoa se expresse, dizendo tudo o que está entalado. Não tente apressar: apenas ouça. O foco deve ser sempre na mensagem do outro. Se alguém diz: “De que adianta conversar com você? Você não entende nada!”, não leve para o pessoal, nem se defenda. Pergunte: “Você está infeliz porque gostaria de ser escutado?” Repita para a pessoa o que você acredita ser a emoção ou necessidade dela. Ela poderá então confirmar e se sentir, assim, mais escutada.

Passamos a vida toda reagindo a conflitos de maneira não compassiva. Isso não vai mudar de uma hora para  outra. A comunicação não violenta é um músculo que precisa de exercício. Tentar analisar sem julgar, perceber nossas emoções e necessidades, tudo isso pode ser treinado. Ao tentar praticá-la, vá no seu tempo. Afinal, à medida que oferecemos empatia aos outros, devemos também fazê-lo por nós mesmos, tendo paciência por nossas ações, nossos processos. Aos poucos, iremos perceber o poder transformador de se comunicar com mais respeito. E aí quem sabe conseguiremos, se não entender de onde vem tanto ódio no mundo, ao menos contribuir para que em nossas relações as coisas possam ser um pouco diferentes.

[1] CALLEGARI, Jeanne. Como ter melhores conversas. Vida Simples, São Paulo, SP, ano 14, n. 3, p. 16-23, mar. 2016. Jeanne Callegari é escritora e jornalista. Foi editora-assistente de Vida Simples até 2014. Acredita no potencial do diálogo e da escuta. [Nota da editora, p.22].

[2] O sufismo é uma corrente mística do islamismo. Seus praticantes são chamados sufis. (Nota do site)

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