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sábado, 10 de março de 2018

QUESTÃO DO DIVÓRCIO

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Richard Simonetti - Do Livro: Em busca do homem novo

                 “Dele se acercaram os fariseus e, para o tentarem, lhe perguntaram: — É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo? Respondeu Jesus: — Não tendes lido que o Criador desde o princípio os fez homem e mulher, e disse: “Por esta razão o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne?” 
              Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou, não o separe o homem. Replicaram-lhe: — Por que, então, mandou Moisés dar carta de divórcio e repudiar a mulher? Respondeu Jesus: — “Por causa da dureza de vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres, mas não foi assim desde o princípio. 
                 Eu vos digo que aquele que repudiar sua mulher, salvo em caso de infidelidade, e casar com outra, comete adultério. Aquele que repudiar sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira; e se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério.” (Mateus 19: 3 a 9)
             Ao tempo de Jesus vigorava na Palestina a poligamia. O homem, desde que suficientemente rico para pagar o dote, podia casar-se quantas vezes o desejasse. Respeitáveis patriarcas apontados como modelos de virtude, dentre eles Salomão e David, tiveram elevado número de esposas.
              Eram tempos difíceis para a mulher, que não passava de escrava do marido, objeto de seus capricjios. Ele podia livrar-se dela quando bem o desejasse. Bastava que a infeliz desagradasse a.qle. Até um prato de comida menos saboroso podia ser motivo para a
dissolução do casamento, formalizada mediante carta de divórcio, que o marido entregava à esposa. Um patrão não demitiría a empregada com maior facilidade.
            Jesus combate esse barbarismo elevando o casamento à condição de compromisso sagrado perante Deus, não podendo, por isso estar sujeito aos caprichos masculinos. Impunha, assim, o respeito à dignidade feminina, estabelecendo as bases da monogamia cristã.
       Entretanto — completa Jesus — no princípio não era assim. A respeito desta observação, Allan Kardec, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, diz que na origem da Humanidade, quando òs homens ainda não estavam pervertidos pelo egoísmo e pelo orgulho e viviam segundo a Lei de Deus, as uniões, derivando da simpatia e não da vaidade ou da ambição, nenhum ensejo davam ao repúdio.
           Jesus admite a separação apenas por adultério, quando o respeito e a confiança, indispensáveis à estabilidade conjugal, são irremediavelmente comprometidos. Lares em tal situação não se desfazem somente quando um dos cônjuges — o traído — consegue munir-se de elevado espírito de tolerância e compreensão, já que o casamento está morto, destruído pela irresponsabilidade do outro.
       A Doutrina Espírita também se manifesta contrária à dissolução do casamento, mostrandonos os ascendentes espirituais que presidem a formação do lar — cadinho purificador onde se reúnem afeiçoados e desafetos de vidas anteriores, a fim de consolidarem afeições e desfazerem aversões, ensaiando fraternidade. Amigos e inimigos, vítimas e verdugos, comparsas e rivais ressurgem na condição de filhos, cônjuges, pais, irmãos — personalidades velhas encarnando novas personagens, em reencontros marcados pelo Destino, que nada mais é senão a projeção, no presente, do que fizemos no pretérito.
          Sofrimentos e alegrias, lágrimas e sorrisos, esperanças e frustrações misturam-se nas experiências domésticas, oferecendo-nos a oportunidade de melhorarmos a própria vida, refazendo-a com o resgate do passado e a edificação do futuro. Se fracassarmos, repetiremos as experiências em comum, como alunos indisciplinados que tornam à escola para rever lições não assimiladas.
           Justamente porque a indissolubilidade do casamento é uma questão moral que pede orientação da inteligência, em processo de conscientização, será ocioso pretender-se mantê-lo indissolúvel com a força de dispositivos legais. Quando um casal chega a extremos de desentendimento, a ponto de tornar impossível a vida em comum, nenhuma lei logrará o prodígio de mantê-los juntos. O que ela pode e deve fazer é regulamentar a separação, ratificando-a perante a sociedade e assegurando a proteção aos filhos com a definição das responsabilidades dos pais.
          Seguindo esta mesma linha de raciocínio podemos dizer que o divórcio nada tem a ver com a estabilidade do lar, pois apenas oferece àqueles que se separam a possibilidade de refazerem suas vidas em experiências afetivas legais sob o ponto de vista social. Negar este direito é desconhecer as necessidades básicas do ser humano.
            A afirmativa de que o divórcio age contra a Família não encontra apoio na realidade. Casamento e descasa-mento, união e separação nada têm a ver com leis civis. O homem e a mulher unem-se porque se amam; separam-se porque deixaram de se amar. Nenhuma estatística demonstrou jamais que em países onde não há o divórcio os casais pensem melhor antes de assumirem o compromisso matrimonial. Nem se provou que haja maior número de separações em países divorcistas.
           Há quem situe o desquite, proclamando-o mal menor. Dir-se-ia mais exatamente o contrário. O desquite favorece o amor livre. Em tal regime as novas uniões, após a dissolução do casamento, fazem-se sem nenhum sentido de responsabilidade, sem nenhum compromisso legal. Um casal vai morar junto pelo tempo que julgar conveniente, sem cogitar de estabilidade ou dever. São uniões geralmente efêmeras que se sucedem com a inevitável colheita de frustrações e angústias.
            É preciso que façamos tudo por garantir a integridade do Lar. A Família é o convite perene da Vida em favor das realizações mais nobres. Unam-se nesse propósito as religiões! 
          Ergam-se os baluartes das Virtudes! Falem bem alto os exemplos de paciência e devoção, compreensão e tolerância, preservando a dadivosa árvore do amor conjugal.
Inútil,  porém, intentar prender os casais com a força de dispositivos legais. Fechar a porta do casamento pelo lado de fora é tentar tapar o sol com a peneira. Ficaria bem na Idade                Média, época de coações e servidão, mas não tem razão de ser na atualidade, quando o Homem, ensaiando discernimento, é chamado ao exercício do direito de decidir sobre sua própria vida, sem outros aguilhões que não sejam os impostos pela consciência.

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