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quarta-feira, 25 de abril de 2018

Nem todo espiritualista é espírita






A sobrevivência da alma sempre foi atestada em nossa história, porquanto, médiuns sempre os houve, em consequência, “aquilo” que sobrevivia à chamada morte, não se sabendo, exatamente, o que era, a todo o momento pôde ser observado por muitos.
Deste fato, ainda nos primórdios de nossa civilização, surgiram as primeiras ideias espiritualistas, diversificaram-se ao longo do tempo, coexistindo com certa harmonia nos dias atuais.
No século XIX, surge a formalização de uma doutrina espiritualista reunindo de forma metódica informes sobre esta realidade espiritual através de observações práticas continuadas feitas por muitos médiuns e pesquisadores, tudo muito bem estruturado e acabado por Allan Kardec: o Espiritismo.
Embora se apresentando como mais uma ideologia espiritualista, difere de outros sistemas semelhantes, fato este não percebido por muitos espiritualistas, tampouco por muitos espíritas.
No contexto do espiritualismo, doutrina diametralmente oposta ao materialismo, por defender a existência e primazia do espírito sobre a matéria, base de todas as religiões, embora nem todo espiritualista acredite em um Deus único, este geralmente crê:
1. Na existência de um princípio espiritual e imaterial, dissociado da matéria corpórea;
2. Na imortalidade deste princípio, ou seja, na sua sobrevivência;
3. Na conservação de sua continuada individualidade após a morte.
Nota-se nesta tríade de princípios, que a crença na existência de uma alma, termo, frequentemente, empregado no contexto religioso, não implica na aceitação da possibilidade do retorno desta alma do mundo dos mortos se manifestando no mundo dos vivos, como demonstrou e ensina o Espiritismo, um dos seus postulados.
E mais, nem todos adeptos da conservação da individualidade do princípio espiritual são espíritas, pois há aqueles espiritualistas entendendo que este princípio retornando ao mundo dos mortos, do qual saiu antes de aqui chegar, esta última também uma proposta espírita, embora individualizado, acaba por se fundir a um todo, como uma gota retirada de um oceano ao retornar ao mesmo, perdendo desta forma esta sua identidade. Esta ideia não é comungada pelo Espiritismo, pois este sabe: após a individualização do princípio espiritual, ato realizado apenas por Deus, o Espírito jamais se perderá ou se desintegrará.
Desta forma, embora a Doutrina espiritista aceite os três postulados citados anteriormente, fazem parte da crença espírita, entre outros não listados, nem todo espiritualista comunga algumas especificidades espíritas.
Além disto, há espiritualistas não aceitando Deus como a inteligência única, causa primária de todas as coisas, como o Espiritismo O compreende, pois alguns creem em muitos deuses, outros ainda acreditam fazer parte da divindade.
Mais um ponto não compartilhado por todos os espiritualistas é a crença na reencarnação, também um postulado espírita, aceito e bem conhecido no passado por várias culturas. Muitos, cremos mesmo a maioria dos cristãos, não aceita a volta do princípio espiritual em uma nova vida, com um novo corpo, em um outro momento de sua existência, tantas vezes quantas forem necessárias para se atingir a perfeição. Alguns defendem a tese da ressurreição, porém, não representa a mesma ideia, pois esta aceita a volta do espírito em nova vida, mas com o mesmo corpo, contudo, a ciência já demonstrou ser este mecanismo não factível; outros ainda admitem a possibilidade do retorno do espírito, após a sua morte, integrando o reino animal, ou seja, ocupando um corpo de um irracional, a teoria da metempsicose, mais uma hipótese não comtemplada pelos postulados espíritas.
Pode-se afirmar assim: todo espírita é necessariamente espiritualista, mas nem todo espiritualista é obrigatoriamente espírita.
Fazendo nossas as palavras de Deolindo Amorim:
Tentar esclarecer não é demolir, é procurar servir à Verdade, respeitando as ideias alheias. (1)
Rogério Miguez
Referências Bibliográficas:
(1) AMORIM, Deolindo. O Espiritismo e as Doutrinas espiritualistas. 4 ed. Rio de Janeiro: CELD. 1989.



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