#htmlcaption1 Deus, força e luz O evangelho ensinado e vivenciado ha 99 anos

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Que nos importa? Isso é contigo.

Que nos importa?  Isso é contigo. (1)
Eu juro por mim mesmo, disse Senhor Deus, que não quero a morte do ímpio, mas quero que o ímpio se converta, que deixe o seu mau caminho, e que viva.  (2)
Pensar a natureza do homem, do instinto a responsabilidade, tem sido um grande desafio àqueles que se debruçam sobre a evolução nos seus aspectos físicos, psíquicos, morais, emocionais, intelectuais e culturais. Ao longo da evolução hominal nos deparamos com um ser milenar que fora capaz de alterar não só a anatomia física, mas toda a anatomia social, a fim de ajustar-se e adaptar-se aos dispositivos evolutivos legítimos.
O homem, nos primórdios da história, um ser primitivo, animado, pensante passa a utilizar o raciocínio, ainda que instintivo, para grandes e profundas transformações no seu habitat. Consequentemente é ativada outras potencialidades do espírito que passa a se servir das percepções e consciência para tornar-se mais livre e senhor das ações que modificariam suas relações com o meio, com o semelhante e consigo mesmo.
Avançando milhares de anos nesse processo, que foi e continua sendo vagaroso, encontramos o homem do Século 21, que usa a razão para tomar decisões, que se serve da inteligência para evoluir em variados aspectos, porém, que tem se acomodado diante da responsabilidade de se servir do seu próprio entendimento para resolver seus pungentes conflitos existenciais. 
Mergulhados no abissal oceânico de conflitos, provas e expiações, o homem contemporâneo angustia-se, sofre, deprime-se e nega por desconhecimento a possibilidade de uma vida venturosa após a experiência física. O coração de muitos começa a esfriar, porque a iniquidade reprime a esperança. O evangelista Mateus ilustrou “e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.” (3)
A descrença nos valores da vida estuante é palpável. É visível. É triste, porém! O atlas da violência atualizado (2018) registra o número estarrecedor de 62 mil homicídios por ano no Brasil, país onde se difunde em abundância a literatura espírita. Segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde (SIM/MS), em 2016 houve 62.517 homicídios no Brasil. Isso implica dizer que, pela primeira vez na história, o país superou o patamar de trinta mortes por 100 mil habitantes. (4)
A violência é o mal do século, entretanto os homens, os seres inteligentes da criação, precisam acionar o “mecanismo da coragem” e avançar para que suas ações minimizem o impacto negativo das sombras que vigoram em cada um. A banalização do mal é a representação diáfana de uma sociedade moralmente despedaçada. O egoísmo, o orgulho, a insensibilidade são as metáteses que corroem o organismo social. 
O auto fascínio tem gerado o narcisismo e vai isolando o homem hodierno, remetendo-o para as cavernas pré-históricas das relações afetivas. Razão pelo qual, é indispensável a prática do amor consoante nos apresenta Jesus: “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros,” (5).
O que deve ser improvisado diante da panorâmica tão penosa de apatias que se instalou nos corações do homem?
O Espiritismo no seu tríplice aspecto: filosófico, científico e religioso é o caminho mais esperançoso e consolador que podemos trilhar, para reverter o quadro fúnebre que se apresenta. A Educação para o homem integral, em sua tríade, é o mais importante caminho na construção de uma convivência social mais amorosa. 
Tendo como referência tal perspectiva, o Espírito Emmanuel elucida: Podemos tomar o Espiritismo, simbolizado […] como um triângulo de forças espirituais. A Ciência e a Filosofia vinculam à Terra essa figura simbólica, porém, a Religião é o ângulo divino que a liga ao céu.” (6)
Portanto, atentemos para recomendação de Allan Kardec: “quem deseje tornar-se versado numa ciência tem que a estudar metodicamente, começando pelo princípio e acompanhando o encadeamento e o desenvolvimento das ideias.” (7) Estudar, meditar e compreender para que a intervenção seja pontual e segura.  A ciência que pretendemos dominar é a ciência do bem viver, de integrar-nos ao pensamento divino, de extinguir as sombras que jaz em nós.
O véu da ilusão e a cortina do engano tem impedido muitos homens de contemplarem sua verdadeira natureza: espiritual e coletiva. A queda de um só homem interfere o todo, porém continuamos a repetir como os fariseus e sacerdotes do passado: “Que nos importa? Isso é contigo.” (8) A tragédia do gólgota continua contemporânea.
Responsabilizemo-nos uns pelos outros, adotemos a coragem, sim a “coragem” que significa agir com o coração, e sermos bons e úteis ao Criador e aguardemos dias melhores, pois o homem atual continua sua marcha ascensional do instinto à autorresponsabilização dos atos. Tempos advirão em que caminharemos com a necessária lucidez consciencial ante o inevitável destino de plena felicidade espiritual.
Jane Maiolo

0 comentários:

Postar um comentário