#htmlcaption1 Deus, força e luz O evangelho ensinado e vivenciado ha 99 anos

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

A sua alma se encontra em aflição?

tristeza
É natural, neste mundo, com suas necessidades e peculiaridades, que as preocupações com o nosso entorno consumam boa parte de nossas energias.
São os compromissos financeiros a serem pagos, as atividades profissionais a realizar, a educação própria e a dos filhos a se construir.
Enfim, são muitos e os mais variados os compromissos com o dia a dia do mundo.
Somados a esses, os que efetivamente fazem nosso compromisso para conosco mesmo, assumimos outros, que são trazidos pelo barco da ilusão, e consentimos seu atracar nas praias de nossas vidas.
Assim, permitimo-nos ocupar o tempo na luta inglória contra os anos, na ilusão do não envelhecimento, esquecidos de que cuidar do corpo se faz necessário, sendo supérfluos os exageros.
Na busca do bem-estar físico, do salário que nos permita a vida confortável, deixamo-nos levar pelo exagero da ganância, pelo excesso da cobiça, usando as horas para amealhar, juntar moedas, ter fortunas.
E, quando percebemos, toda nossa vida está voltada para as coisas puramente materiais. Vivemos todas as horas de nossos dias para o mundo exterior, e só para ele.
Deixamo-nos lentamente esquecer da alma que somos, do Espírito que habita um corpo e passamos a viver como se fôssemos um corpo somente, sem alma.
Como decorrência desse comportamento, as aflições da alma surgem avassaladoras.
Descuidada e quase sempre esquecida, ela adoece por abandono e descaso, logo surgindo as aflições como consequência.
Irrompem assim as distonias mentais, a depressão, a melancolia profunda, o desinteresse pela vida.
Muitos afirmam que isso tudo surge do nada, de repente, sem causa externa ou aparente que possa ser identificada.
Porém, as aflições que nos tomam a alma são apenas o resultado do longo período de descuido a que nos entregamos.
Carentes de valores e estruturas nobres para enfrentar os desafios do mundo moderno, aturdimo-nos e nos afligimos.
Como os momentos de reflexão, meditação, autoanálise não se fazem presentes e, ainda, o comportamento generoso, de solidariedade e gratidão à vida não se tornou hábito, a alma ressequida do investimento no amor, facilmente se perturba.
Desse modo, se a alma se apresenta aflita é porque clama mudanças em suas paragens íntimas.
Se a mente, reflexo da alma, perturba-se, é porque carece do investimento inadiável de valores nobres.
Portanto, antecipar-se aos momentos de desassossego, buscando evitá-los, através das atitudes nobres, do bom pensamento e da autoanálise, é atitude de sabedoria e maturidade perante a vida.
Redação do Momento Espírita.
Disponível no CD Momento Espírita, v. 28, ed. FEP.


Como administrar a saudade por quem partiu

woman sad
Mariana estava sumida do grupo de recreação. Isolara-se, nos últimos meses, e a ninguém queria receber.
Em tarde ensolarada, uma das amigas resolveu visitá-la, sem avisar com antecedência.
A acolhida foi fria. Mas, depois, sentaram ambas na sacada e iniciaram uma conversa amigável.
Mariana confidenciou que estava passando por um período muito difícil. Saudades antigas torturavam seu coração.
Quando, sozinha, deito minha cabeça no travesseiro, e as coisas começam a fervilhar na mente, tudo me leva a pensar nos acontecimentos passados.
É assim que fatos ocorridos, relembrados, me encheram de saudades, tirando-me a alegria de viver.
Há alguns anos, meu filho de oito anos morreu, depois de ficar por meses, doente. Pareceu-me, à época, que eu também iria morrer.
Depois foi a vez de meu pai partir. E senti que essas duas dores se somaram, para me derrubar de uma vez.
Pensei que havia superado, mas estou tendo uma séria recaída. Ocorreu-me a ideia de procurar alguém para desabafar e chorar a saudade que me tortura, mas não tive coragem.
Ouvindo o relato, a amiga lembrou de que lera, certa vez, que saudade significa a memória de algo que aconteceu, aliada à intensa vontade de reviver certos momentos.
Este é o motivo pelo qual sentimos saudade de um amigo que partiu, dos pais que morreram, da família distante.
Não que a saudade precise sempre estar ligada a acontecimentos ruins.
Mas, os sentimentos por aqueles que não estão mais aqui, conseguem ir além do que imaginamos.
Levando em conta tudo isso, a amiga sugeriu que Mariana utilizasse um método especial, para amenizar aquela avalanche de saudade que a estava angustiando.
Iriam juntas a um abrigo de menores.
Lá, ela poderia eleger uma criança, e dedicar-lhe, num sistema de apadrinhamento, todo o amor que sentia pelo filho.

Depois, seguiriam ao asilo de idosos, onde, de igual forma, ela poderia escolher um deles, como se fosse seu próprio pai retornando à sua ternura.
Os olhos de Mariana se encheram de lágrimas. Passados alguns dias, ela se declarou pronta para a experiência.
Entre gestos e palavras de carinho, ela elegeu os seus escolhidos.
Se a experiência foi boa para um coração saudoso, o mais importante foi que o grupo de amigas aderiu à ideia.
Hoje, todas têm filhos ou pais apadrinhados, no abrigo e no asilo.
Oferecem alegria, companhia, suprem pequenas necessidades e recebem em troca a imensa satisfação de saber que estão propiciando felicidade a alguém.
Somos imortais. Os que não estão mais ao nosso lado, neste mundo, e nos fazem falta, ficam alojados num cantinho do coração e da memória.
A saudade vai apertar, muitas vezes, dentro do peito. Sempre haverá a vontade de ouvir aquelas vozes novamente…
Contudo, a vida nos oferecerá a possibilidade de encontrar novos amigos, um outro filho, uma nova mãe.
Não deixemos que nossa existência passe em branco e que as adversidades nos congelem os sentimentos, nem sejam causa de grandes sofrimentos.
Saiamos de nós mesmos para amar.
Redação do Momento Espírita.
Em 12.9.2015.

atendimento fraterno na TERÇA-FEIRA


domingo, 23 de setembro de 2018

O bom ânimo








Mas tende bom ânimo. Jesus (João 16:33)
Com facilidade os seres humanos se envolvem em climas de desânimo e desesperança em relação ao futuro da humanidade e, consequentemente, em suas próprias possibilidades.
Os noticiários e programas policiais espetaculosos, as fake news que circulam aos borbotões nas mídias virtuais, o pessimismo e o derrotismo de muitos, inclusive familiares, pesam sobremaneira no senso crítico, colocando em risco o equilíbrio existencial.
Isso acontece pela pouca identidade às coisas do Espírito imortal.
Sem um horizonte concreto, que sempre será fruto de análise racional e boa vontade em relação à vida, facilmente se é levado ao negativismo e a consequente vida sem vida.
Nesse estado não há vida, vegeta-se.
Uma análise até mesmo superficial, mas com boa vontade, é suficiente para se ver que estamos “muito melhores do que há cem anos atrás”, como nos afirma o Espírito Sansão em O Evangelho segundo o Espiritismo.
Embora as enormes diferenças sociais que se demora na sociedade humana, nunca tivemos tantas Entidades voluntariadas voltadas para a melhora das condições de vida dos menos favorecidos. Nunca tivemos tantos trabalhando ostensivamente no bem como hoje.
Nunca existiram tantas possibilidades científicas, tanto conforto material disponível à humanidade como agora.
Bastaria ver a qualidade de vida dos muitos países com alto índice de desenvolvimento social para percebermos as possibilidades que se apresentam para todos os outros.
Bastaria uma mudança sócio-política para que o direcionamento se voltasse para “o lado certo”.
Para isso, no entanto, é preciso ter bom ânimo. Olhos de ver e ouvidos de ouvir, como apregoou Nosso Senhor Jesus Cristo.
Ter ou não bom ânimo também é uma questão de escolha, mas observemos, às vezes precisa-se da experiência causada pela dor evolutiva para amadurecer o senso crítico, e acabar por se perguntar: o quê devo fazer para mudar minha vida ou, ainda, o quê devo deixar de fazer para mudar a minha vida?
Jesus, ao dizer para termos bom ânimo acrescentou em seguida: Eu venci o mundo, e não podemos nos esquecer que Ele também anunciou que poderíamos fazer mais do que Ele fez, e isso só dependeria de uma atitude íntima, portanto, pessoal.
A boa vontade leva ao bom ânimo e o bom ânimo leva à boa vontade. Um pelo outro o discernimento aparece, e acabamos por nos interessar pelas coisas do Espírito, que resultará em uma fé que reclamará o raciocínio para então se firmar em convicção em um futuro melhor, não só para si, mas todos.
Isso se aprende nas lições exaradas do Evangelho do Senhor Jesus, que precisa ser estudado, mas sobretudo Jesus precisa ser reconhecido, por cada um de nós, como Guia e Modelo da humanidade, conforme demonstra a Doutrina Espírita, para que o Reino de Deus se estabeleça na Terra, para todos, a partir de nosso próprio senso moral.
Pensemos nisso.
Antônio Carlos Navarro

Militantes político partidários, deixem o Espiritismo em paz

É muito natural, dentro do contexto que estamos vivendo em questões políticas, que o brasileiro e, claro, o espírita, debata, discuta e argumente em favor do seu candidato ou partido político.
Faz parte do jogo democrático toda discussão saudável, que não extrapole os limites do respeito ao outro. Mas, se o espírita pode e deve exercer o seu direito de cidadão, ele deve, também, guardar respeito ao Espiritismo no que concerne ao tema político partidário.
Se pode debater, argumentar, defender seu candidato, deve fazê-lo longe das lides espíritas, porque o Espiritismo não se vincula a questões político partidárias. Também está fora do campo de ação do Espiritismo informar se quem vota no candidato A é bom ou mau caráter, ou se quem defende o partido B tem o nível moral elevado. Aliás, são as ações e não a escolha do candidato que dirá se alguém é ou não um indivíduo moralizado.
São diretrizes de Kardec que nas reuniões espíritas não se discuta política, economia e religião. O objetivo do Espiritismo é outro, bem outro, e é muito mais abrangente do que saber em quem ou qual partido nós votamos ou apoiamos.
O que vemos hoje, porém, é um cenário bem diferente do que pediu Kardec. Em face da polarização e do grande interesse do brasileiro/espírita por política, há um movimento que engloba gente de todas as preferências políticas e partidárias a recortar frases de Kardec e dos Espíritos e adequar conforme as suas conveniências, de modo a colocar o outro, ou seja, o adversário político como alguém “malvadão”, ruim, uma espécie de sub grupo da humanidade porque não “reza” em sua cartilha.
Os adversários políticos são justamente aqueles que devem ser combatidos pelo motivo de “faltarem” com a caridade que, diga-se, é uma das bandeiras defendidas por Kardec ao longo de sua obra.
Quem assim age desconhece a postura serena de Kardec a sinalizar que o campo espírita não é palco para este tipo de jogo, até porque a caridade anunciada por Kardec é muito mais profunda do que proposta de partido político ou qualquer outro plano de governo.
Há muito a fazer no campo espírita, muito a trabalhar, a divulgar, a levar adiante a doutrina tal como foi concebida por Kardec e os Espíritos. Enquanto gastamos fôlego, tinta, tempo e energia tentando provar quem dos políticos fez mais ou menos, uma infinidade de pessoas atenta contra a própria vida, sedentas que estavam do genuíno conhecimento espírita que poderia dar-lhes uma melhor qualidade de vida, poupando-lhes o triste ato.
Paro por aqui nos exemplo, pois vão aos milhares…
Por essas e outras é que peço:
Militantes político partidários, deixem o espiritismo em paz!
Wellington Balbo

Exemplo de Cidadania Empática

Na atualidade, estamos presenciando, principalmente no campo político deste nosso conceituado país das maravilhas, uma enxurrada de trocas de acusações e agressões morais de toda ordem, pelo que fico, como de costume, a questionar com os meus sinceros botões sobre o posicionamento empático que devemos ter diante desses acontecimentos.












Na maioria das vezes, nós outros, em nossa condição cidadã, ficamos perdidos em contradições com os ensinamentos evangélicos recebidos, atirando pedras morais traduzidas em acusações, numa perfeita falta de empatia para com os semelhantes.
Logo, torna-se público e notório que precisamos desenvolver em nós a consciência de cidadãos empáticos.
Afinal, o que é ser cidadão empático, ou melhor, o que é e como exercer a cidadania empática?
Já sabemos e faz bem recordarmos que a empatia é uma habilidade, ou seja, uma virtude que conquistamos ao longo do tempo, através da qual nos colocamos no lugar do outro, percebendo as dificuldades do outro, e, de forma neutra, não partidária, damos a nossa contribuição para que o outro saia da situação de miséria moral e/ou material em que se encontra e perceba o horizonte de trabalho e de sucessos à sua frente, levando-o à busca da conquista da felicidade.
Agora, o grande desafio é como exercer a cidadania empática em tempos de rumores e de tantas perturbações morais.
A nossa única saída está na questão 625 de O Livro dos Espíritos, quando o Espírito da Verdade responde ao codificador Allan Kardec que “o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido à humanidade para lhe servir de guia e modelo é JESUS”.
Diante do exposto, mentalizemos a maneira como Jesus resolvia os conflitos, pacificando as convivências e oportunizando aqueles que o procurava a seguir em frente buscando a renovação da consciência na prática do bem.
Portanto, Jesus é o nosso guia e modelo de perfeição moral e espiritual, sendo o exemplo de exercício de cidadania empática a ser seguido.
Pensemos nisso!
Yé Gonçalves

Você não está aceitando a sua situação?

tristeza
Quando precisamos aceitar uma circunstância que não foi planejada, o primeiro impulso que temos é o de ser resistente à nova situação.
É difícil aceitar as perdas materiais ou afetivas, a dificuldade financeira, a doença, a humilhação, as traições.
A nossa tendência natural é resistir e combater tudo o que nos contraria e que nos gera sofrimento.
Agindo assim, estaremos prolongando a situação. Resistir nos mantém presos ao problema, muitas vezes perpetuando-o e tornando tudo mais complicado e pesado.
Em outras ocasiões, nossa reação é a de negação do problema e, por vezes, nos entregamos a desequilíbrios emocionais como revolta, tristeza, culpa e indignação.
Todas essas reações são destrutivas e desagregadoras.
Quando não aceitamos, nos tornamos amargos e insatisfeitos. Esses padrões mentais e emocionais criam mais dificuldades e nos impedem de enxergar as soluções.
Pode parecer que quando nos resignamos diante de uma situação difícil, estamos desistindo de lutar e sendo fracos.
Mas não. Apenas significa que entendemos que a existência terrestre tem uma finalidade e que a vida é regida pela lei de ação e reação; que a luta deve ser encarada com serenidade e fé.
Na verdade, se tivermos a verdadeira intenção de enfrentar com equilíbrio e sensatez as grandes mudanças que a vida nos apresenta, devemos começar admitindo a nova situação.
A aceitação é um ato de força interior que desconhecemos. Ela vem acompanhada de sabedoria e humildade, e nos impulsiona para a luta.
É detentora de um poder transformador que só quem já experimentou pode avaliar.
Existem inúmeras situações na vida que não estão sob o nosso controle. Resta-nos então acatá-las.
É fundamental entender que esse posicionamento não significa desistir, mas sim manter-se lúcido e otimista no momento necessário.
No instante em que aceitamos, apaga-se a ilusão de situações que foram criadas por nós mesmos e as soluções surgem naturalmente.
Aceitar é exercitar a fé. É expandir a consciência para encontrar respostas, soluções e alívio. É manter uma atitude saudável diante da vida.
Énos entregarmos confiantes ao que a vida tem a nos oferecer.
Estamos nesta vida pela misericórdia de Deus, que nos concedeu nova oportunidade de renascimento no corpo físico.
Os sentimentos de amargura, desespero e revolta, que permeiam nossa existência, são frutos das próprias dificuldades em lidar com os problemas.
Lembremos que todas as dores são transitórias.
Quando elas nos alcançarem, as aceitemos com serenidade e resignação. Olhemos para elas como mecanismos da Lei Universal que o Pai utiliza para que possamos crescer em direção a Ele.
Busquemos, desse modo, as fontes profundas do amor a que se reporta Jesus que o viveu, e o amor nos dirá como nos devemos comportar perante a vida, no crescimento e avanço para Deus.
Redação do Momento Espírita, com base
no texto Aceitação, de autoria desconhecida e com parágrafo final do
cap. 20, do livro Terapêutica de emergência, por diversos Espíritos,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Em 9.10.2012.

Seu anjo da guarda se afastou de você?

anjo da guarda
495. Poderá dar-se que o Espírito protetor abandone o seu protegido, por se lhe mostrar este rebelde aos conselhos?
“Afasta-se, quando vê que seus conselhos são inúteis e que mais forte é, no seu protegido, a decisão de submeter-se à influência dos Espíritos inferiores. Mas, não o abandona completamente e sempre se faz ouvir. É então o homem quem tapa os ouvidos. O protetor volta desde que este o chame.
“É uma doutrina, esta, dos anjos guardiães, que, pelo seu encanto e doçura, devera converter os mais incrédulos. Não vos parece grandemente consoladora a idéia de terdes sempre junto de vós seres que vos são superiores, prontos sempre a vos aconselhar e amparar, a vos ajudar na ascensão da abrupta montanha do bem; mais sinceros e dedicados amigos do que todos os que mais intimamente se vos liguem na Terra? Eles se acham ao vosso lado por ordem de Deus. Foi Deus quem aí os colocou e, aí permanecendo por amor de Deus, desempenham bela, porém penosa missão. Sim, onde quer que estejais, estarão convosco. Nem nos cárceres, nem nos hospitais, nem nos lugares de devassidão, nem na solidão, estais separados desses amigos a quem não podeis ver, mas cujo brando influxo vossa alma sente, ao mesmo tempo que lhes ouve os ponderados conselhos.

Ah! se conhecêsseis bem esta verdade! Quanto vos ajudaria nos momentos de crise! Quanto vos livraria dos maus Espíritos! Mas, oh! Quantas vezes, no dia solene, não se verá esse anjo constrangido a vos observar: ?Não te aconselhei isto? Entretanto, não o fizeste. Não te mostrei o abismo? Contudo, nele te precipitaste! Não fiz ecoar na tua consciência a voz da verdade? Preferiste, no entanto, seguir os conselhos da mentira!? Oh! Interrogai os vossos anjos guardiães; estabelecei entre eles e vós essa terna intimidade que reina entre os melhores amigos. Não penseis em lhes ocultar nada, pois que eles têm o olhar de Deus e não podeis enganá-los. Pensai no futuro; procurai adiantar-vos na vida presente. Assim fazendo, encurtareis vossas provas e mais felizes tornareis as vossas existências. Vamos, homens, coragem! De uma vez por todas, lançai para longe todos os preconceitos e idéias preconcebidas. Entrai na nova senda que diante dos passos se vos abre. Caminhai! Tendes guias, segui-los, que a meta não vos pode faltar, porquanto essa meta é o próprio Deus.
“Aos que considerem impossível que Espíritos verdadeiramente elevados se consagrem a tarefa tão laboriosa e de todos os instantes, diremos que nós vos influenciamos as almas, estando embora muitos milhões de léguas distantes de vós. O espaço, para nós, nada é, e não obstante viverem noutro mundo, os nossos Espíritos conservam suas ligações com os vossos. Gozamos de qualidades que não podeis compreender, mas ficai certos de que Deus não nos impôs tarefa superior às nossas forças e de que não vos deixou sós na Terra, sem amigos e sem amparo. Cada anjo de guarda tem o seu protegido, pelo qual vela, como o pai pelo filho. Alegra-se, quando o vê no bom caminho; sofre, quando lhe ele despreza os conselhos.
“Não receeis fatigar-nos com as vossas perguntas. Ao contrário, procurai estar sempre em relação conosco. Sereis assim mais fortes e mais felizes. São essas comunicações de cada um com o seu Espírito familiar que fazem sejam médiuns todos os homens, médiuns ignorados hoje, mas que se manifestarão mais tarde e se espalharão qual oceano sem margens, levando de roldão a incredulidade e a ignorância. Homens doutos, instruí os vossos semelhantes; homens de talento, educai os vossos irmãos. Não imaginais que obra fazeis desse modo: a do Cristo, a que Deus vos impõe. Para que vos outorgou Deus a inteligência e o saber, senão para o repartirdes com os vossos irmãos, senão para fazerdes que se adiantem pela senda que conduz à bem-aventurança, à felicidade eterna?”
São Luís, Santo Agostinho
Comentário de Allan Kardec:
Nada tem de surpreendente a doutrina dos anjos guardiães, a velarem pelos seus protegidos, mau grado à distância que medeia entre os mundos. É, ao contrário, grandiosa e sublime. Não vemos na Terra o pai velar pelo filho, ainda que de muito longe, e auxiliá-lo com seus conselhos correspondendo-se com ele? Que motivo de espanto haverá, então, em que os Espíritos possam, de um outro mundo, guiar os que, habitantes da Terra, eles tomaram sob sua proteção, uma vez que, para eles, a distância que vai de um mundo a outro é menor do que a que, neste planeta, separa os continentes? Não dispõem, além disso, do fluido universal, que entrelaça todos os mundos, tornando-os solidários; veículo imenso da transmissão dos pensamentos, como o ar é, para nós, o da transmissão do som?
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 76.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1995.





domingo, 9 de setembro de 2018

Brasil: por que você reencarnou aqui?

brasil
KARDEC RIO PRETO – Orson Peter Carrara
O planejamento de nossa atual encarnação, cuidadosamente elaborado pelos benfeitores espirituais, permitiu-nos renascer no Brasil, a querida Pátria que nos acolhe. A história do país, na colonização, nos embates para a construção da democracia e mesmo nos gigantescos desafios da atualidade – onde se incluem a violência e o tráfico, o contraste entre os interesses de variadas ordens e a corrupção, entre outros itens dispensáveis de serem citados –, também apresenta os benefícios de um povo aberto, feliz, descontraído, ardente na fé e na disposição. É nosso querido Brasil, gigantesco em proporções geográficas e na diversidade que se apresenta em todos os aspectos! Bendita pátria!
Por outro lado, o país acolheu a Doutrina Espírita como nenhum o fez. Das sementes germinadas em solo francês, foi aqui que a grande árvore do conhecimento se fez gigante como o próprio país continental. E nós temos a felicidade de conhecer essa Doutrina maravilhosa que inspira ações de caridade – em toda a extensão da palavra –, convivência fraterna e amiga por toda parte. Apesar das dificuldades e limitações humanas que são nossas, individuais e coletivas, ele, o Espiritismo, espalhou e espalha seus frutos pelas mentes e corações que o buscam ou são beneficiados por sua imensa luz.
Estamos no mesmo país que recebeu o cognome de Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, justa e coerente adjetivação para um povo ameno, solidário, apesar das lutas próprias de nossa condição humana. É aqui que as variadas expressões religiosas se manifestam para conduzir mentes e corações; é também nessa terra querida que nasceram ou renasceram almas que conhecemos sob os abençoados nomes de Irmã Dulce, Zilda Arns, Chico Xavier, Divaldo Franco, Dr. March, Dr. Bezerra de Menezes, entre tantos outros ilustres filhos que lhe dignificam o nome, sendo impossível citar todos e mesmo especificá-los por área, tamanha a variedade e quantidade de benfeitores que aqui vieram e ainda aqui vivem.
Setembro lembramos a Pátria, desde os tempos escolares. Setembro também normalmente estamos às vésperas das eleições, como ocorre agora em 2018. Isso lembra responsabilidade, comprometimento, ética. Afinal, temos um compromisso com o país, com a coletividade brasileira. Qualquer cidadão está comprometido com a segurança, com os valores do país, com a obrigação moral da retidão e da gratidão, que se estendem por ações em favor do bem comum. É o dever! Não apenas um dever cívico, mas o dever moral para conosco mesmo e para com o próximo, como indica o Espírito Lázaro em O Evangelho Segundo o Espiritismo. Aliás, lembrando a Codificação Espírita, há que se ater às Leis Divinas, didaticamente apresentadas pelo Codificador em O Livro dos Espíritos. Leis que baseiam-se no amor, diga-se de passagem, mas igualmente são justas e misericordiosas.

Por tudo isso, a reflexão sobre nosso papel de brasileiros perante a Pátria Brasileira inclui-se igualmente no dever, ainda que apenas por gratidão pelo país que nos acolhe, garantindo-nos a paz desse foco irradiador de trabalho e fé que é o Brasil. Tamanho compromisso dispensa corrupção, egoísmo e tolas vaidades. Pede-nos, isso sim, trabalho e dignidade, exatamente pelo alto compromisso que todos temos com a vida e seu significado. O que significa, em termos de eleições para outubro próximo, o compromisso com a decência e a escolha consciente sem outros interesses que não os da coletividade.
Mas, para a família espírita nacional e internacional, setembro tem ainda outro grande significado em todo esse contexto. Comemora-se o nascimento de Cairbar Schutel, que nasceu no dia 22, no ano de 1868, no Rio de Janeiro, instalando-se em Matão, no interior paulista, para ficar conhecido mais tarde como o Bandeirante do Espiritismo, justamente por essa consciência clara de compromisso com o bem. Matão, inclusive, realiza em setembro, o Encontro Cairbar Schutel, justamente para homenagear seu mais ilustre cidadão, em todos os tempos. Neste ano, com o diferencial marcante dos 150 anos de nascimento.
Esses exemplos todos, dentro e fora do movimento espírita, de grandeza moral, de trabalho em prol do bem coletivo, aliados ao compromisso coletivo do país com o fornecimento de bases espirituais sólidas para a humanidade, como já vem ocorrendo, motiva-nos a trabalhar mais e mais. Repare o leitor atento que, quando ouvimos o Hino Nacional, a emoção nos envolve completamente. É o sentimento de compromisso com a missão da Pátria que integramos. O renascimento no país não é obra do acaso. Indica comprometimento e programação sabiamente elaborada. Saibamos respeitar e cumprir o que antes prometemos.
O Brasil tem grande papel a exercer junto à Humanidade. Filhos dignos, espíritos preparados e nobres estão sempre presentes como autênticos faróis a conduzir a coletividade. Sejamos daqueles que honram nossa condição humana e brasileira! Exemplos não faltam.
Por gratidão, ao menos, ao querido e grandioso Brasil! Lembremo-nos: o planeta construído por Jesus teve na mente e planejamento do Mestre da Humanidade a inclusão desse país incomparável, onde germinam as doces brisas do Evangelho.

Almas que se amam vão se reencontrar?

almas
ESPIRITISMO E RAZÃO
Na espiritualidade o sentimento é claro, de uma força e suavidade que mostram o que existe entre os espíritos que o sentem. Tanto mais fácil perceber este elo afetivo, quanto mais desenvolvido moral e espiritualmente é o espírito.
Já durante a encarnação, há uma limitação imposta pelo esquecimento do passado, uma vantagem que Deus nos proporcionou para que o livre-arbítrio fosse pleno em nós.
Quando encarnamos esquecemos do passado, e deixamos adormecidas lembranças e sentimentos. Se duas almas que se amam se encontram, talvez não venham a perceber imediatamente a importância real de uma na vida da outra, mas sentirão empatia, simpatia ímpar e profunda, o que as faz pender para a pessoa que acabaram de conhecer na nova encarnação.
O reconhecimento de um amor de milênios pode ser forte e imediato, mas em geral, para nos facilitar a vida, surge doce e suave, lenta e profundamente.

O fato de duas almas terem aprendido a amar-se e que se procuram para continuar juntas sua jornada – encontrarem-se na encarnação, não significa necessariamente que devam ficar juntas, enquanto a experiência terrena estiver em andamento. Há reencontros que acontecem para que formem família, exemplifiquem o sentimento, evoluindo e dando, uma à outra, força nas provas, expiações e missões que vieram cumprir.
É bem comum também que afetos verdadeiros não se encontrem, que estejam, cada um, vivendo experiências com outras almas, de modo a ampliar os laços do amor fraternal. Neste caso, costumam aliviar a saudade através de visitas em espírito (sonhos).
Há ainda outra possibilidade, em geral prova bem difícil por exigir o mais amplo sentimento de resignação, coragem e amor ao próximo: duas almas encontrarem-se, reconhecerem-se, amarem-se e não poderem ficar juntas porque já estão comprometidas com outras pessoas e famílias.
E porque Deus faria isso?
Deus não fez. As próprias almas pediram esta prova como exercício expiatório e prova de resistência de suas más tendências, em geral, o egoísmo.
Imaginemos…
Duas almas aprendem a se amar; almas gêmeas que se tornam, escolhem experiências que irão fazê-las evoluir. Espíritos ainda em progresso, possuem defeitos morais que estão trabalhando nas existências.
Nascem juntas, separadas, na mesma família, em outras, entre amigos ou inimigos. Entre tantas vidas, numa optam por temporariamente (o que são os anos de uma encarnação perante a imortalidade?) por encarnarem separadas. Casam-se com outras pessoas, formam famílias.
Mas um dia encontram-se. Reconhecem-se. O amor ressurge. Seus compromissos espirituais são logo esquecidos, desejam-se. Eles deveriam resistir à tentação de trair, de abandonar os companheiros, os filhos, os compromissos, construindo falsa felicidade sobre lágrimas alheias. No entanto cedem. Traem, abandonam, fogem… não importa. Querem ser felizes e isso lhes basta. É o egoísmo e a falta de fé no futuro, que lhes dirige a ação.
Mas não há real felicidade senão a conquistada no direito e na justiça. Se vencerem a tentação de fazer o que citamos, terão no futuro o mérito de estar uma com a outra. Se se deixam arrastar pelas paixões, estarão fadadas a novos afastamentos, lições dolorosas.
Escolhem esta experiência porque a visão que têm na espiritualidade é diferente da limitada visão da encarnação. Melhor abrir temporariamente mão da presença amada, já que o afeto não se esvai na ausência, do que abrir mão de estarem juntos em várias vidas e seus intervalos. Sendo o egoísmo o único motivador (e não o amor) da escolha de ficarem juntos a qualquer preço, constrói-se sólido castelo sobre a areia das ilusões. Fatalmente ele desmoronará, e será preciso reconstruí-lo.

O espírita nas eleições

Não poderíamos, jamais, perder esta oportunidade de trazer neste artigo o tema sobre a postura espírita nas eleições.
Muitos confrades e confreiras podem estar questionando, e/ou se questionando, sobre a postura correta, durante o referido pleito eleitoral, a ser adotada pelo espírita consciente, considerando a situação política e econômica em que se encontra o nosso país, devido aos diversos escândalos por parte das lideranças políticas, levando grande parte dos cidadãos brasileiros às discussões, acusações e comentários negativos de toda ordem.
O certo é que a crise política e econômica, não obstante a sua efemeridade, reflete muito além do que podemos imaginar em termos de estabilidade no sentido material, alcançando o campo psicológico de cada cidadão brasileiro que, muitas das vezes, passa a ter a opinião formada ao descrédito, à desconfiança, ao desespero, podendo ter como consequência a poluição psicosférica, o que pode gerar problemas de difícil solução.
Então, vamos ao questionamento: Qual deve ser a postura do cidadão espírita durante as eleições?
Percebam que a pergunta se refere às eleições e não somente ao pleito eleitoral em si. Isto é: durante as campanhas, as votações, as apurações dos votos e resultados, e assim por diante…
Pois, bem! Sabemos que o exercício da cidadania abrange não apenas o voto; mas, também, toda participação ativa do cidadão através da sua conduta pautada na moral e na virtude, conforme conceituou Aristóteles.
O espírita consciente, agindo de acordo com a sua elegância cristã, terá como guia e modelo de comportamento moral e democrático, o amado Mestre Jesus Cristo. (Vide questão nº 625 de O Livro dos Espíritos)
Perguntará a si mesmo: Se Jesus estivesse em meu lugar, neste período eleitoral, como Ele se comportaria?
Logo, o espírita consciente ouvirá, em sua intimidade, a voz do Mestre Jesus, que lhe dará a resposta correta, à qual se esforçará em aplicá-la.
Diante do exposto, seguem 03 (três) itens que selecionamos, para serem observados, a título de sugestão, neste período de processo democrático:
1) Manter-se em vigilância e prece:
Devemos observar esse quesito e nos esforçar em praticá-lo, nestes momentos, sendo cautelosos na postura e nas conversações, procurando nos manter em clima de harmonia, de equilíbrio emocional, proporcionando a todas as pessoas um clima de vibrações fraternais, de muita paz, de confiança e esperança num futuro melhor.
2) Dar a César o que é de César:
Não adianta palestrarmos nas tribunas dos movimentos espíritas, de participarmos das mais diversas atividades doutrinárias, se não dermos a devida atenção aos cumprimentos das leis humanas, não respeitarmos a legislação eleitoral e demais leis aplicadas no cotidiano.
3) Imparcialidade partidária:
Não buscarmos o atendimento aos interesses próprios, em detrimento aos da coletividade como um todo, devendo ouvir apenas a voz da consciência cristã cidadã.
Neste quesito, podemos destacar a seguinte recomendação de André Luiz, no livro “Conduta Espírita”, assim vejamos:
“Impedir palestras e discussões de ordem política nas sedes das instituições doutrinárias, não olvidando que o serviço de evangelização é tarefa essencial”.
* * *
Que neste período eleitoral, não percamos a nossa identidade espírita, a nossa elegância cristã, manifestando um verdadeiro clima de condutas democráticas.
Que possamos estar sempre mentalizando e nos envolvendo com os ensinamentos do Mestre Jesus através da Boa Nova, sabendo que o nosso maior aliado político é o Evangelho Redivivo, que nos liberta da ignorância e dos vícios que nos assolam, e nos faz enxergar a verdade de nós mesmos, o quanto ainda temos de empreender esforços em melhorar o mundo a partir de cada um de nós.
Yé Gonçalves

Os amores, os afetos, nunca se perdem

Novamente trago ao leitor a indicação de um bom filme. É o filme O orfanato. Misturando drama e suspense, mas com uma mensagem embutida muito emocionante. A sinopse do filme indica: Laura (Belén Rueda) passou os anos mais felizes de sua vida em um orfanato, onde recebeu os cuidados de uma equipe e de outros companheiros órfãos, a quem considerava como se fossem seus irmãos e irmãs verdadeiros. Agora, 30 anos depois, ela retornou ao local com seu marido Carlos (Fernando Cayo) e seu filho Simón (Roger Príncep), de 7 anos. Ela deseja restaurar e reabrir o orfanato, que está abandonado há vários anos. O local logo desperta a imaginação de Simón, que passa a criar contos fantásticos. Entretanto, à medida que os contos ficam mais estranhos, Laura começa a desconfiar que há algo à espreita na casa.
Com uma hora e quarenta minutos, a produção exalta a imortalidade da alma e a permanência do amor entre os seres. Apesar dos exageros próprios, é interessante pensar na mensagem final do filme, que em alguns pontos assemelha-se a outra produção no mesmo gênero: Os Outros.
E o bom mesmo é pensar no filme aplicando o raciocínio da imortalidade, dos relacionamentos, da determinação e da fé. É mesmo uma busca intensa o que faz a mãe em relação ao filho. Mas isso vou deixar ao leitor descobrir.
O filme está inclusive disponível na Internet. Não deixe de ver.
O leitor vai se deparar com o sempre empolgante tema da vida depois da morte. A produção desperta a reflexão sobre as sempre presentes questões: para onde vamos, quem vai nos receber, onde estaremos e com quem?
Como a boa lógica e o raciocínio indicam a continuidade natural da vida após o decesso do corpo, é bom ver um filme assim, pois nos faz pensar. Estimula, inclusive, a busca por leitura específica.
A cena mais emocionante do filme está, como de se esperar, no final, demonstrando a naturalidade do que realmente somos: criaturas imortais, o que permite que os afetos e os amores nunca se percam, nem sejam destruídos os laços que ligam as criaturas humanas. E a naturalidade disso é demonstrada com muita competência. Claro que, na produção de um filme, como citei acima, os exageros estão inclusos, mas o que fica mesmo em destaque são os sentimentos que despertam.
Veja o filme, leitor. Vai lhe fazer muito bem.
Orson Peter Carrara