#htmlcaption1 Deus, força e luz O evangelho ensinado e vivenciado ha 99 anos

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Atendimento fraterno nesta quinta-feira

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Hoje nosso atendimento terá os mentores espirituais da casa que fazem atendimento individual eles magnetizam e auxiliam no que estiverem necessitados, nossos horários e das 19:30 as 20:30hs.

paz e bem.

Suicídio ou não?


Felipe era jovem, no auge da adolescência, e estava na praia com seus amigos. Em certo momento, a menina do grupo o convidou para dar um mergulho.
Levantando-se da areia quente, caminharam em direção ao mar, quebrando as ondas com os joelhos. Mas ao tanto que se afastavam da praia, Felipe sentia que a força das águas ia ficando mais forte que as suas pernas, quando resolveu questionar a menina:
– Podemos parar por aqui? Não sei nadar e a água já está chegando à cintura.
– Não, vamos mais adiante. Sou campeã de natação. Qualquer coisa, eu te ajudo – respondeu ela confiante.
O rapaz começou a ficar assustado, mas não poderia dar “o braço a torcer”. Se ela estava indo mais fundo, por que ele não iria? No seu íntimo, o instinto de sobrevivência o alertava para não avançar. Todavia, o orgulho e a vaidade falavam mais alto. Ele foi adiante.
Logo a água chegou à cintura de ambos. E como as ondas vinham fortes, em certos momentos os pés de Felipe saltavam do fundo. Conversando menos com a colega, começou a ficar tenso até que as preocupações se concretizaram. Outra onda, muito mais volumosa que as anteriores, arrastou-os para a crista, fazendo-os perder totalmente o chão.
Tiveram que nadar.
Ela logo chegou à praia. Ele, por sua vez, começou a se debater da forma que sabia, mas tinha impressão de que não saia do lugar.
Aumentando cada vez as braçadas em desespero, conseguiu olhar para a orla, onde pode identificar, com os olhos ofuscados pela salinidade, a jovem batendo nos ombros de um transeunte, apontando para ele.
Estava sozinho.
Debatendo-se cada vez mais, sentiu a ressaca lhe arrastar e já não conseguia olhar para onde estava indo.
Em agonia, pouco a pouco a energia das braçadas fortes foi sendo substituída pela fraqueza da desesperança.
Não tinha volta. Em suas telas mentais se projetavam lamentações pelo ato impensado e agonia do porvir.
“Por que fizera aquilo?” – pensava insistentemente.
Mas de súbito, sentiu seu corpo bater na perna de alguém. E agarrou-a com todas as forças que podia. Quando se deu conta, estava seguro em águas rasas. Havia sido arrastado para um banco de areia próximo.
O dono da perna era um surfista que estava aguardando com sua prancha o momento de pegar a onda. Este olhou para baixo e disse:
– Que foi isso, meu irmão! Grudado no meu pé?!
– Muito obrigado, meu amigo! Salvou minha vida! – exclamou Felipe.
* * *
Quantos desencarnam em situações similares. Um breve descuido com a vida e ela se esvai de uma hora para outra. Uns, arriscando-se em situações semelhantes à história aqui contada; outros, esvaindo pouco a pouco o fluido vital de que dispõem, por meio de excessos que degradam o corpo físico.
A questão reside sobre quais situações podem ser consideradas como suicídio, obviamente desconsiderando atos lamentáveis e diretos de retirada da vida.
O Espírito André Luiz, no livro Nosso Lar, conta-nos que, ao deixar o plano terrestre, por vezes ouvia gritos que lhe acusavam de ser um suicida. Para ele aquilo era improcedente. Não havia deixado o corpo físico por vontade própria. A doença, sim, era a responsável. Mas em verdade, os seus excessos na alimentação e na bebida foram consumindo suas energias essenciais, caracterizando o suicídio. Neste caso, um suicídio inconsciente, conforme explica o Espírito Clarêncio (1).
Na situação retratada, o instinto de conservação de alguma forma alertava a Felipe do perigo em que se colocava. Todavia, a vaidade e egoísmo falavam mais alto. Assim, mesmo consciente da prática que lhe colocava em risco, expôs a sua vida sem necessidade.
Da literatura Espírita sabemos que a resposta para a pergunta proposta no texto se encontra na intenção do ato e na consciência perfeita da prática do mal. Isto levará a um grau de culpabilidade, a qual se desdobrará em uma expiação proporcional. Em palavras mais simples, quanto mais conscientes dos riscos aos quais estamos colocando as nossas vidas, em maior grau estaremos recebendo a alcunha de suicidas, uma vez responsáveis pela derrocada do corpo físico  (2 ).
Logo, procuremos sempre buscar o equilíbrio e o discernimento de nossos atos em relação à nossa vestimenta carnal. Busquemos, ainda, estar atentos ao nosso instinto de conservação. E, por fim, ouvir mais as intuições recebidas pelos bons espíritos que nos acompanham. Com estas sugestões, que não se esgotam em si, poderemos estar minimizando, ou até nos livrando, da alcunha de suicidas ao desencarnar.
Márcio Martins da Silva Costa

Os dois caminhos








 Fé: no sentido comum, a crença em algo constitui a fé. Normalmente inata, manifesta-se pelo seu caráter natural em aceitar as coisas e realidades conforme se apresentam, sem mais amplas indagações.(1)
Quem dera eu tivesse nascido com a fé de Chico Xavier! Por qual razão não possuo a fé de Divaldo Franco, Madre Teresa, entre outros exemplos de fé inquebrantável? Como fizeram para agradar o Magnânimo que, em retribuição, os aquinhoou com esta preciosa dádiva?! Qual o poder desta virtude, capaz de modificar o presente e moldar o futuro? Nasci assim, sem fé; e agora?
Estas, entre outras, são indagações lançadas ao Alto, às vezes com um sentimento surdo de revolta por todos aqueles ainda não detentores desta primordial virtude, a qual, mesmo que seja do tamanho de um grão de uma mostarda, pode mover montanhas, conforme asseverou o Cristo.
Ó meu Senhor Misericordioso, o que eu não daria para deter uma parcela que fosse, pequenina, ínfima, uma bagatela de fé! Já me bastaria para realizar verdadeiros milagres, em favor meu e dos mais próximos.
A nossa imaturidade espiritual crê que a Divindade, ao nos encaminhar de volta à Terra pela reencarnação, por um passe de mágica, um desejo particular, uma predileção qualquer, comunica a este e não àquele as muitas virtudes que nos cabem conquistar com o nosso esforço e não simplesmente obtê-las por um capricho de Deus.
É da lei divina: seremos relativamente perfeitos, detendo as numerosas virtudes, inclusive a fé, mãe de todas, mas para alcançar esta meta é preciso empenho, dedicação, constância; agindo assim ao longo de várias existências, pouco a pouco, podemos construir em nós mesmos as seguras fundações para, sobre elas, erigir o majestoso edifício das virtudes que nos conduzirão à felicidade plena tão buscada e desejada.
A consoladora Doutrina dos Espíritos elucida sobre a existência de duas possíveis condutas, permitindo-nos lentamente edificar os sentimentos nobres que a Divindade deseja que adquiramos: a primeira se dá pelo bom aproveitamento e observação das experiências da vida em si mesma; a segunda, através do estudo.
O desenrolar da existência sempre nos traz oportunidades de reflexão sobre a perfeição das leis do Incriado. Da observação dos fatos corriqueiros podemos retirar variadas lições, descortinando a sempre presente solicitude da providência invariavelmente a nosso favor. Recolhendo aqui e ali percepções acuradas, podemos consolidar um entendimento de estar Deus no comando, com tudo acontecendo para nos beneficiar, visando ao nosso progresso; mesmo as chamadas desgraças nos trazem alertas sobre o modo como procedemos na atual existência.
Há bom tempo temos o costume de, quando em situação de dúvida ou incerteza, ou uma fase mais delicada da vida, orar; e após esta oração, abrir ao “acaso” uma mensagem destes preciosos livros espíritas, que nos trazem instrutivas abordagens sobre os mais variados assuntos. É surpreendente a quantidade de vezes em que o texto oferecido à nossa reflexão, naquele peculiar momento, aborda exatamente a questão a nos preocupar, seja ela qual for. É uma experiência única e bem pessoal à nossa disposição, quando nos convencemos da presença de nosso particular guia espiritual permanentemente ao nosso lado, atento e prestimoso, cuidadoso e solicito, paciente e cordato, sempre nos oferecendo algumas palavras de esclarecimento ou de conforto, oriundas de sua avançada sabedoria. Esta prática é uma das mais simples ao alcance de todos, contudo, de imensa importância para Espíritos vacilantes como todos nós ainda o somos.
O caminho paralelo de aprendizado das virtudes ocorre pelo estudo continuado das leis eternas. Quando Allan Kardec registrou a inolvidável frase (2): “Fé inabalável é somente a que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade”, deu a conhecer o lado racional e intelectivo desta nobre faculdade até então totalmente desconhecido, pois as religiões nada ensinavam neste sentido e algumas, com pesar, ainda o fazem. Basicamente, fé se possuía ou não, se nascia com ou sem ela.
O insigne lionês através dos Espíritos superiores a acompanhá-lo em sua importantíssima missão nos mostrou a possibilidade desta virtude ser desenvolvida, cultivada, trabalhada, estudada; isto através do correto conhecimento e justa percepção das leis divinas.
Para facilitar a aquisição deste entendimento, não há melhor indicação do que o estudo da literatura espírita iniciando de preferência com os primeiros cinco livros de Allan Kardec, as conhecidas obras fundamentais ou básicas, dando prosseguimento à análise das obras subsidiárias.
Conjugando estas duas vertentes, é possível elaborar de maneira coerente a nossa fé, não mais desejando possuir a fé dos outros, pois cada qual vivencia as virtudes que fez por merecer, porquanto trabalhou no passado com afinco, dedicação, perseverança, sendo a fé exemplo inquestionável de um dos tesouros, que uma vez obtido a traça não rói, tampouco a ferrugem destrói, muito menos pode ser roubada pelos ladrões, permanecendo conosco pela eternidade.
Rogério Miguez

Desordens de comportamento e obsessão

Charity era viciada em drogas e deu à luz o menino Paris.  Nove anos depois engravidou novamente e teve a menina Ella. O menino era mais introvertido e tímido, enquanto Ella era extrovertida, teimosa e determinada.
Charity conseguiu ficar longe das drogas por alguns anos. Porém, quando Paris tinha 12 anos e Ella 3, teve uma recaída (por seis meses) com cocaína. Foi difícil para Paris perceber que sua mãe era uma viciada. Transtornado, com 13 anos de idade, ele sufocou e esfaqueou sua irmã 17 vezes com uma faca de cozinha. Após o crime, ligou para o 911, o número de emergência local. Paris disse à polícia que estava dormindo e que, ao acordar, viu que Ella tinha se transformado em um demônio em chamas. Então, ele teria pegado a faca e tentado matar o “demônio”.
Em 2007, Paris foi condenado a 40 anos de prisão pelo assassinato. Charity estava convencida de que o crime não havia sido um acidente ou resultado de uma psicose temporária, pois, para ela, Paris realmente quis matar a irmã. Charity acredita que a recaída nas drogas contribuiu para deixar Paris furioso. Entretanto, do mesmo modo crê que grande parte do que está por trás da personalidade do filho seja genética, pois o pai de Paris tinha esquizofrenia do tipo paranoica, caracterizada por exemplo pela presença de ideias frequentemente de perseguição, em geral acompanhadas de alucinações.
Cremos que o ambiente familiar e social tem papel importante no desenvolvimento e manutenção de transtorno de conduta. Em alguns casos o uso de álcool e drogas pela mãe durante a gestação, e também de alguns medicamentos, já foram confirmados. As pessoas com transtorno de conduta são caracterizadas por padrões persistentes de comportamento socialmente inadequado, agressivo ou desafiante, com violação de normas sociais ou direitos individuais. São pessoas carentes de amor e de apreço pela sociedade, por isso ignoram o outro. Adotam costumes criminosos sem nenhum remorso, conservando-se frios e insensíveis ao que ocorre ao seu redor.
Para a psicologia o “self” nessas pessoas é desconectado do “ego”, padecendo uma rachadura que impede o completo relacionamento que determinaria a sua adaptação ao grupo social. O Espiritismo explica que isso procede de legados morais e espirituais que brotam das experiências infelizes de outras existências, quando o Espírito delinquiu, camuflando a sua culpa e se esquivando da coexistência social. E há em muitos casos influências espirituais que podem levar a desvios de conduta e mau caráter.
Allan Kardec esclarece que há vários tipos de obsessão, sendo o mais grave o de subjugação, em que o obsessor interfere e domina o cérebro do encarnado. A subjugação pode ser psíquica, física ou físico-psíquica. Assim, as doenças mentais ou físicas também podem, de acordo com o conhecimento espírita, sofrer influências externas.
Recuando à época de Jesus, conferimos que os evangelistas anotaram diversos episódios de obsessões. A exemplo de Lucas, que descreveu o homem que se achava no santuário, possuído por um Espírito infeliz, a gritar para Jesus, tão logo lhe marcou a presença: “que temos nós contigo?”. (1)
Numa ação obsessiva, seguida de possessão e vampirismo, o evangelista Marcos escreveu sobre o auxílio seguro prestado pelo Cristo ao pobre gadareno, tão intimamente manobrado por entidades cruéis, e que mais se assemelhava a um animal feroz, refugiado nos sepulcros. (2) No episódio da obsessão envolvendo alma e corpo, o apóstolo Mateus anotou que o povo trouxe ao Mestre um homem mudo, sob o controle de um Espírito em profunda perturbação e, afastado o hóspede estranho pela bondade do Senhor, o enfermo foi imediatamente reconduzido à fala. (3)
Na obsessão indireta, cuja vítima padece de influência aviltante, sem perder a própria responsabilidade, o discípulo amado João registrou que um Espírito perverso havia colocado no sentimento de Judas a ideia de negação do apostolado. (4) E na complicada obsessão coletiva causadora de “moléstias-fantasmas”, encontramos o episódio em que Filipe, transmitindo a mensagem do Cristo entre os samaritanos conseguiu que muitos coxos e paralíticos se curassem, de pronto, com o simples afastamento dos Espíritos inferiores que os molestavam. (5)
Diante dessas inquietações espirituais, Emmanuel afirma que o Novo Testamento trata o problema da obsessão com o mesmo interesse humanitário da Doutrina Espírita. Em face disso, devemos manter-nos atentos e ampliar o serviço de socorro aos processos obsessivos de qualquer procedência, porque os princípios de Allan Kardec revivem os ensinamentos de Jesus, na antiga batalha da luz contra a sombra e do bem contra o mal. (6)
Jorge Hessen

Chico Xavier se emociona ao contar a linda história de Valéria

chico xavier entrevista
Por volta de 1953 até 1959, quando mudamos para Uberaba, nós sempre, desde muitos anos, fazíamos assistência, uma assistência carinhosa de levar uma oração ou a expressão de fraternidade a doentes, a necessitados, quando uma senhora nos pediu para visitar a irmã dela, que tinha se tornado hemiplégica e muda.
A moça tinha uns 40 anos, chamava-se Valéria.
Então, fomos a primeira vez; nós fazíamos, sempre aos sábados, nossas visitas.
Íamos visitar Valéria, levávamos um pedaço de bolo, algumas balas. Isso que se dá a uma criança, porque a gente não podia fazer mais, mas visitávamos Valéria com muito carinho; eram diversas casas e ela, Valéria, estava numa delas. A irmã dela chamava-se D. Laura.
A casa se erguia num lugar onde, em Pedro Leopoldo, se construiu o recinto das exposições pecuárias; eu estou explicando, porque alguém na minha cidade poderá perguntar onde estava esta casa; estava no lugar onde está hoje o recinto das exposições pecuárias.
Então, todos os sábados, durante uns seis anos, visitávamos Valéria e levávamos uma prece, e ela guardava um pedaço de bolo debaixo do travesseiro. A irmã dela, a dona da casa, muito distinta, muito amiga, nos recebia com muito carinho.
Num sábado, eu fazia a prece; no outro sábado, outro amigo fazia a prece; no outro, uma senhora fazia a prece, e, assim, estávamos há uns seis anos, quando Valéria foi acometida por uma gripe pneumônica muito sé-ria e D. Laura chamou um médico e o médico avisou que ela estava às portas de uma pneumonia, e a pneumonia se manifestou.
A pneumonia se manifestou, e nós chegamos no sábado. Ela estava muito abatida e, todas as vezes que nós íamos, eu falava:
— Valéria, agora você fala Deus! (Ela lutava muito para falar, porque ela entendia tudo, mas não conseguia).
Eu falava assim:
— Jesus, Valéria!
Ela fazia força, mas a língua enrolava e ela não conseguia; isso se repetiu mais de seis anos, mas, neste sábado, a pneumonia…
Eu falei:
— D. Laura, ela está com febre muito alta, o que diz o médico?
— Bem, o médico, que está tratando, já deu bastantes antibióticos, e ela está bem medicada.
E eu falei assim:
— Está bem, agora, ao invés de virmos aos sábados, viremos todos os dias.
E ela sempre piorando. Então, num sábado, no último sábado, depois que fizemos a prece, eu falei:
— Valéria, fala Jesus, fala Deus!
E ela: ã, ã, ã, ã, ã, mas não falava. Eu falei:

— Valéria, Jesus andou no mundo, curou tanta gente, tantos iam buscá-lo nas estradas, na casa onde ele permanecia, e pediam a ele a graça da melhora, da cura e foram curados.
— Lembre-se de Jesus andando e você caminhando, embora você não esteja caminhando há tantos anos, lembre-se de você caminhando e chegando aos pés dele e dizendo: Jesus! Fale Jesus!
Aí ela falou:
— Josusu, Josusu!
Eu falei:
— Meu Deus, mas que alegria, Valéria falou o nome de Jesus, que coisa maravilhosa! D. Laura, venha cá para a senhora ver!
Ela com muita febre, mas ficou satisfeita falando:
— Josusu! Josusu!
E não me esqueço daquele nome vibrando nos meus ouvidos. Eu falei:
— Ela vai melhorar, ela está falando Jesus, D. Laura.
Nós todos muito alegres, ela sorrindo, mas desinteressada do bolo que tínhamos levado, a febre muito alta.
Eu falei:
— Valéria, repete, eu estou tão interessado de ver você falar o nome de Jesus. Fale Jesus, Jesus!
— Josusu, Josusu!
Mas dando todas as forças. Aí, eu disse:
— Se Deus quiser, ela está muito melhor.
Mas, no outro dia de manhã, chegou a notícia de D. Laura de que Valéria tinha falecido pela manhã, tinha desencarnado.
Fomos para lá, e tal, e lembramos muito aquela amiga que estava partindo. Comoveu-nos muito e sofremos bastante, porque ela era muito, era muito querida, uma criatura que não falava, mas tinha gestos extraordinários.
Mas os anos rolaram, os anos passaram, e eu mudei para Uberaba e, em 1976, fui vítima de um enfarte, enfarte que me levou ao médico, que me hospitalizou em casa.
Por volta de 1953 até 1959, quando mudamos para Uberaba, nós sempre, desde muitos anos, fazíamos assistência, uma assistência carinhosa de levar uma oração ou a expressão de fraternidade a doentes, a necessitados, quando uma senhora nos pediu para visitar a irmã dela, que tinha se tornado hemiplégica e muda.
A moça tinha uns 40 anos, chamava-se Valéria.
Então, fomos a primeira vez; nós fazíamos, sempre aos sábados, nossas visitas.
Íamos visitar Valéria, levávamos um pedaço de bolo, algumas balas. Isso que se dá a uma criança, porque a gente não podia fazer mais, mas visitávamos Valéria com muito carinho; eram diversas casas e ela, Valéria, estava numa delas. A irmã dela chamava-se D. Laura.
A casa se erguia num lugar onde, em Pedro Leopoldo, se construiu o recinto das exposições pecuárias; eu estou explicando, porque alguém na minha cidade poderá perguntar onde estava esta casa; estava no lugar onde está hoje o recinto das exposições pecuárias.
Então, todos os sábados, durante uns seis anos, visitávamos Valéria e levávamos uma prece, e ela guardava um pedaço de bolo debaixo do travesseiro. A irmã dela, a dona da casa, muito distinta, muito amiga, nos recebia com muito carinho.
Num sábado, eu fazia a prece; no outro sábado, outro amigo fazia a prece; no outro, uma senhora fazia a prece, e, assim, estávamos há uns seis anos, quando Valéria foi acometida por uma gripe pneumônica muito sé-ria e D. Laura chamou um médico e o médico avisou que ela estava às portas de uma pneumonia, e a pneumonia se manifestou.
A pneumonia se manifestou, e nós chegamos no sábado. Ela estava muito abatida e, todas as vezes que nós íamos, eu falava:
— Valéria, agora você fala Deus! (Ela lutava muito para falar, porque ela entendia tudo, mas não conseguia).
Eu falava assim:
— Jesus, Valéria!
Ela fazia força, mas a língua enrolava e ela não conseguia; isso se repetiu mais de seis anos, mas, neste sábado, a pneumonia…
Eu falei:
— D. Laura, ela está com febre muito alta, o que diz o médico?
— Bem, o médico, que está tratando, já deu bastantes antibióticos, e ela está bem medicada.
E eu falei assim:
— Está bem, agora, ao invés de virmos aos sábados, viremos todos os dias.
E ela sempre piorando. Então, num sábado, no último sábado, depois que fizemos a prece, eu falei:
— Valéria, fala Jesus, fala Deus!
E ela: ã, ã, ã, ã, ã, mas não falava. Eu falei:
— Valéria, Jesus andou no mundo, curou tanta gente, tantos iam buscá-lo nas estradas, na casa onde ele permanecia, e pediam a ele a graça da melhora, da cura e foram curados.
Atendimento fraterno
— Lembre-se de Jesus andando e você caminhando, embora você não esteja caminhando há tantos anos, lembre-se de você caminhando e chegando aos pés dele e dizendo: Jesus! Fale Jesus!
Aí ela falou:
— Josusu, Josusu!
Eu falei:
— Meu Deus, mas que alegria, Valéria falou o nome de Jesus, que coisa maravilhosa! D. Laura, venha cá para a senhora ver!
Ela com muita febre, mas ficou satisfeita falando:
— Josusu! Josusu!
E não me esqueço daquele nome vibrando nos meus ouvidos. Eu falei:
— Ela vai melhorar, ela está falando Jesus, D. Laura.
Nós todos muito alegres, ela sorrindo, mas desinteressada do bolo que tínhamos levado, a febre muito alta.
Eu falei:
— Valéria, repete, eu estou tão interessado de ver você falar o nome de Jesus. Fale Jesus, Jesus!
— Josusu, Josusu!
Mas dando todas as forças. Aí, eu disse:
— Se Deus quiser, ela está muito melhor.
Mas, no outro dia de manhã, chegou a notícia de D. Laura de que Valéria tinha falecido pela manhã, tinha desencarnado.
Fomos para lá, e tal, e lembramos muito aquela amiga que estava partindo. Comoveu-nos muito e sofremos bastante, porque ela era muito, era muito querida, uma criatura que não falava, mas tinha gestos extraordinários.
Mas os anos rolaram, os anos passaram, e eu mudei para Uberaba e, em 1976, fui vítima de um enfarte, enfarte que me levou ao médico, que me hospitalizou em casa.
Disse-me assim:
— Não, você pode conturbar o ambiente do hospital com visitas, é melhor você ficar hospitalizado em casa, a porta do quarto ficará com acesso apenas a esta senhora, que é enfermeira.
É uma senhora, que está conosco, de nome D. Dinorá Fabiano.
Então, D. Dinorá era a única pessoa que entrava, para eu ficar 20 dias mais ou menos imóvel e eu fiquei, mas isso não impedia que os espíritos me visitassem e, então, muitos amigos desencarnados de Pedro Leopoldo, de Uberaba, entravam assim à tarde ou à noite e eu conversava em voz alta.
E eu falei:
— D. Dinorá, quando a senhora me encontrar falando sozinho, a senhora não se impressione, eu estou conversando com alguém.
Ela falou:
— Não, eu compreendo, eu compreendo.
Ficou naquilo, não é?
E uma tarde entrou uma moça muito bonita (no quarto havia sempre uma cadeira perto da cama).
Ela entrou, eu falei em voz alta:
— Pode fazer o favor de sentar.
Ela falou:
— Você não está me conhecendo?
Eu respondi:
— Olha, a senhora vai me perdoar, eu tenho andado doente com problemas circulatórios e eu estou com a memória estragada e eu não estou me lembrando.
Mas era um desculpa, era porque eu não estava reconhecendo mesmo.
Então, ela falou assim:
— Mas nós somos amigos, eu quero tão bem a você.
Era uma moça morena, muito bonita; aí eu falei:
— Olha, eu não posso assim de momento fazer muito esforço de memória, porque o médico me recomendou repouso mental. Minha senhora, faça o favor de dizer o nome.
Ela falou assim:
— Não, eu não vou dizer, eu quero ver se você lembra; eu sou uma de suas amizades de Pedro Leopoldo.
Eu falei assim:
— Então, a senhora pode falar; se a senhora falar Maria ou Alice, eu conheço tantas. Então fale o sobrenome da família, porque pela família eu vou saber.
Ela falou assim:
— Não, eu não vou falar, eu vou falar um nome só; quando eu falar, você vai lembrar quem é que eu sou.
Eu falei:
— Então, a senhora faz o favor, fale o nome, o nome que a senhora quer falar e ela foi e falou assim:
— Josusu!
Eu disse:
— Meu Deus, é a Valéria! Meu Deus, Valéria, como você está bonita! Eu não mereço a sua visita.
Ela disse:
— Mas eu vim lembrar os nossos sábados, em que nós orávamos tanto. Eu me lembrei da última palavra e eu vim te trazer confiança em Jesus.
(Chico relata o episódio muito emocionado).
Pôs a mão no meu peito e a dor desapareceu.
Então, isso para mim, eu acho que o nome de Jesus é tão grande, é tão grande, que remove os nossos obstáculos orgânicos.
Eu estou com uma angina que ficou como sendo uma herança do enfarte, mas uma angina muito bem controlada. Eu sigo as instruções médicas, as instruções dos amigos espirituais, me abstenho de tudo aquilo que não posso usufruir, de modo que eu, graças a Deus, estou, vamos dizer, estou doente, mas estou são. Se alguém puder compreender…

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

so o espirito é - programa de radio Wagner Borges


Paciência e Resignação

Otávio entrou no gabinete do Diretor para despachar um documento de rotina da empresa. Depois de apresentar todo o material, voltou para seu escritório repleto de alterações para fazer no texto.
 Cerca de uma hora depois finalizou as diversas correções e retornou ao chefe. “Agora vai estar tudo certo”, pensou. Sentando-se à frente do seu avaliador, percebeu que não seria bem assim. Com uma caneta vermelha na mão, o patrão rabiscou quase todas as páginas e mandou retornar.
Mais uma hora e meia depois, Otávio retornou ao gabinete com a nova versão. “Agora vai”, pensou mais uma vez. Mas a caneta vermelha novamente coloriu todo o seu trabalho e ele voltou para a sua mesa.
Este movimento se repetiu por quase dez vezes, sendo que em cada momento que ele retornava ao chefe, este se estressava mais e ele ficava mais desanimado.
Na décima oitava vez em que voltou ao gabinete não se conteve com as novas correções e ponderou, quebrando seu silêncio:
– Chefe, essas alterações que o senhor está colocando agora são exatamente aquelas que eu inseri na primeira versão do documento, as quais o senhor disse que estavam erradas.
– As coisas evoluem, Otávio – respondeu o chefe irritado. Agora estou tendo uma visão melhor do relatório. Você é que não entendeu o que eu quero.
Otávio voltou para a sua mesa sem nada falar e foi fechar o documento mais uma vez.
Desta feita, porém, o colega que estava sentado ao lado dele e tinha visto todo o acontecimento ponderou:
– Como você tem tanta paciência, Otávio? Eu não teria aguentado tudo isso.
– A paciência que eu tinha já se esgotou, amigo. Mas deu lugar às preces que faço pelo nosso chefe.
*     *     *
Paciência e resignação são os ensinamentos que a Doutrina Espírita nos concede para suportar as vicissitudes deste plano onde estamos encarnados (1).
Vivendo em um mundo de expiação e provas, estamos sujeitos a diversas situações que podem levar ao limite a nossa paciência, como também podem exigir muita resignação de nossa parte. Logo, falar de paciência e resignação para nós mesmos pode vir a ser, para tantos, uma tarefa muito difícil.
Mais complexo, porém, é falar de paciência e resignação para com os outros. Quantos de nós exercitamos a paciência de ouvir histórias repetidas daqueles cujo tempo já lhes roubou a memória, mas precisam de nossos ouvidos para ainda se sentirem úteis? Quantos de nós nos resignamos diante da tarefa de acolher a dor de um parente enfermo, estar próximo a ele, deixando para trás os apelos da vida que continua à nossa volta?
Devemos estar atentos a estas oportunidades de darmos uma nova face àquilo que chamamos de paciência e resignação, transformando-as em amor e caridade para com o próximo.
Em certos momentos, uma prece, um pequeno gesto de atenção e amor que pareça pouco para nós, poderá ser muito para aquele que recebe cônscio ou não desse gesto.
E mais ainda será para o Divino Pai, cuja benevolência e o amor que envolve a todas as criaturas indistintamente, não deixará de enviar sua espiritualidade de luz para acolher o irmão necessitado, em atendimento às nossas sublimes vibrações.
Márcio Martins da Silva Costa

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

O Capítulo 6 de Mateus








Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Jesus (Mt 6:33)
O Capítulo 6 do Evangelho de Mateus é muito rico em orientações ditadas pelo Senhor Jesus.
Logo no primeiro versículo Ele nos discorre sobre a discrição necessária quando da prática do bem e, em sequência, fala da esmola que deve ser intencionalmente anônima. Ensina-nos a orar sem intenções secundárias, e nos garante que o Pai sabe tudo o que necessitamos mesmo antes de pedirmos. Nesse ponto nos apresenta a oração do Pai Nosso, que se transformou em oração universal.
Sobre a prática religiosa do jejum também indica a mesma discrição da esmola.
Orienta sobre o tesouro pelo qual devemos buscar, os dos Céu, porque nosso coração sempre estará junto ao que escolhermos, e fala que a bondade ilumina o Espírito de quem a pratica.
Aconselha-nos a nos resguardar da ansiedade causada pela vida material, e nos aponta as aves do céu e as flores do campo com sendo objetos dos cuidados de Deus, que muito mais faz por seus filhos humanos, pois Ele sabe do que precisam.
Chegamos, então, ao penúltimo versículo do capítulo, que colocamos no início deste ensaio, e sobre o qual pretendemos reflexionar.
Nele o Senhor nos orienta a buscarmos, em primeiro lugar, o Reino dos Céus e a sua justiça, para que todas as coisas nos sejam acrescentadas.
Quê coisas?
Por Reino dos Céus entendamos Mundo Espiritual, ambos invisíveis, e a eles destinam-se as Almas dos viventes na carne depois da romagem terrena.
Nesse Reino há uma justiça, portanto, um conjunto de Leis que a rege, e a qual tudo e todos estamos sujeitos.
Por simples dedução, o Reino de Deus é tudo o que existe, visível e invisível, conhecido e o ainda desconhecido, portanto, sua lei também abrange os encarnados, e é por isso, podemos concluir, que Jesus disse que o Amor resume “toda a Lei e os Profetas”, referindo-se à Lei de Moisés e ao que preconizavam os Profetas, que eram, como os médiuns em geral, “as vozes dos céus”.
Ensinam os Benfeitores Espirituais, que o Mundo Material se subordina ao Mundo Espiritual, e que o primeiro serve de estágio para o Espírito imortal desenvolver-se moralmente tendo como objetivo último a perfeição relativa a que está destinado, e a Doutrina Espírita, na terceira parte de O livro dos Espíritos, descreve todas as Leis que regem o Mundo Moral, suficientes para o nosso atual estágio evolutivo permitindo, inclusive, conhecer as razões de nossa infelicidade sobre a Terra.
Dessa forma, enquanto insistirmos na busca por satisfações pessoais no campo da posse e da vaidade, do orgulho e do egoísmo, mais nos tornaremos ansiosos por aquilo que não sacia pondo a perder a oportunidade do desenvolvimento espiritual, há tempos inadiável.
Quando almejamos somente o sucesso terreno, em detrimento do espiritual, mais nos expomos ao desajuste da consciência, por contrariar a Lei de Amor que nela reside.
Quis dizer Jesus, nesse versículo, que é necessário nos ajustarmos a Lei de Deus, que é de Amor, ou seja, de desprendimento e justo valor espiritual do que é material, para que todas as coisas que são necessárias ao desenvolvimento do Espírito, e não ao homem corporal, sejam supridas pela Providência Divina.
Portanto, é bom que nós vivamos, conscientemente, o momento presente tirando dele o proveito espiritual necessário, eliminando as inquietações decorrentes da vida material pelo amanhã, porque, pela Lei Natural, “o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal”, encerra o evangelista, com dizeres de Jesus, o último versículo do capítulo em estudo neste pequeno ensaio literário.
Pensemos nisso.
Antônio Carlos Navarro