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quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Paciência e Resignação

Otávio entrou no gabinete do Diretor para despachar um documento de rotina da empresa. Depois de apresentar todo o material, voltou para seu escritório repleto de alterações para fazer no texto.
 Cerca de uma hora depois finalizou as diversas correções e retornou ao chefe. “Agora vai estar tudo certo”, pensou. Sentando-se à frente do seu avaliador, percebeu que não seria bem assim. Com uma caneta vermelha na mão, o patrão rabiscou quase todas as páginas e mandou retornar.
Mais uma hora e meia depois, Otávio retornou ao gabinete com a nova versão. “Agora vai”, pensou mais uma vez. Mas a caneta vermelha novamente coloriu todo o seu trabalho e ele voltou para a sua mesa.
Este movimento se repetiu por quase dez vezes, sendo que em cada momento que ele retornava ao chefe, este se estressava mais e ele ficava mais desanimado.
Na décima oitava vez em que voltou ao gabinete não se conteve com as novas correções e ponderou, quebrando seu silêncio:
– Chefe, essas alterações que o senhor está colocando agora são exatamente aquelas que eu inseri na primeira versão do documento, as quais o senhor disse que estavam erradas.
– As coisas evoluem, Otávio – respondeu o chefe irritado. Agora estou tendo uma visão melhor do relatório. Você é que não entendeu o que eu quero.
Otávio voltou para a sua mesa sem nada falar e foi fechar o documento mais uma vez.
Desta feita, porém, o colega que estava sentado ao lado dele e tinha visto todo o acontecimento ponderou:
– Como você tem tanta paciência, Otávio? Eu não teria aguentado tudo isso.
– A paciência que eu tinha já se esgotou, amigo. Mas deu lugar às preces que faço pelo nosso chefe.
*     *     *
Paciência e resignação são os ensinamentos que a Doutrina Espírita nos concede para suportar as vicissitudes deste plano onde estamos encarnados (1).
Vivendo em um mundo de expiação e provas, estamos sujeitos a diversas situações que podem levar ao limite a nossa paciência, como também podem exigir muita resignação de nossa parte. Logo, falar de paciência e resignação para nós mesmos pode vir a ser, para tantos, uma tarefa muito difícil.
Mais complexo, porém, é falar de paciência e resignação para com os outros. Quantos de nós exercitamos a paciência de ouvir histórias repetidas daqueles cujo tempo já lhes roubou a memória, mas precisam de nossos ouvidos para ainda se sentirem úteis? Quantos de nós nos resignamos diante da tarefa de acolher a dor de um parente enfermo, estar próximo a ele, deixando para trás os apelos da vida que continua à nossa volta?
Devemos estar atentos a estas oportunidades de darmos uma nova face àquilo que chamamos de paciência e resignação, transformando-as em amor e caridade para com o próximo.
Em certos momentos, uma prece, um pequeno gesto de atenção e amor que pareça pouco para nós, poderá ser muito para aquele que recebe cônscio ou não desse gesto.
E mais ainda será para o Divino Pai, cuja benevolência e o amor que envolve a todas as criaturas indistintamente, não deixará de enviar sua espiritualidade de luz para acolher o irmão necessitado, em atendimento às nossas sublimes vibrações.
Márcio Martins da Silva Costa

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