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quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Suicídio ou não?


Felipe era jovem, no auge da adolescência, e estava na praia com seus amigos. Em certo momento, a menina do grupo o convidou para dar um mergulho.
Levantando-se da areia quente, caminharam em direção ao mar, quebrando as ondas com os joelhos. Mas ao tanto que se afastavam da praia, Felipe sentia que a força das águas ia ficando mais forte que as suas pernas, quando resolveu questionar a menina:
– Podemos parar por aqui? Não sei nadar e a água já está chegando à cintura.
– Não, vamos mais adiante. Sou campeã de natação. Qualquer coisa, eu te ajudo – respondeu ela confiante.
O rapaz começou a ficar assustado, mas não poderia dar “o braço a torcer”. Se ela estava indo mais fundo, por que ele não iria? No seu íntimo, o instinto de sobrevivência o alertava para não avançar. Todavia, o orgulho e a vaidade falavam mais alto. Ele foi adiante.
Logo a água chegou à cintura de ambos. E como as ondas vinham fortes, em certos momentos os pés de Felipe saltavam do fundo. Conversando menos com a colega, começou a ficar tenso até que as preocupações se concretizaram. Outra onda, muito mais volumosa que as anteriores, arrastou-os para a crista, fazendo-os perder totalmente o chão.
Tiveram que nadar.
Ela logo chegou à praia. Ele, por sua vez, começou a se debater da forma que sabia, mas tinha impressão de que não saia do lugar.
Aumentando cada vez as braçadas em desespero, conseguiu olhar para a orla, onde pode identificar, com os olhos ofuscados pela salinidade, a jovem batendo nos ombros de um transeunte, apontando para ele.
Estava sozinho.
Debatendo-se cada vez mais, sentiu a ressaca lhe arrastar e já não conseguia olhar para onde estava indo.
Em agonia, pouco a pouco a energia das braçadas fortes foi sendo substituída pela fraqueza da desesperança.
Não tinha volta. Em suas telas mentais se projetavam lamentações pelo ato impensado e agonia do porvir.
“Por que fizera aquilo?” – pensava insistentemente.
Mas de súbito, sentiu seu corpo bater na perna de alguém. E agarrou-a com todas as forças que podia. Quando se deu conta, estava seguro em águas rasas. Havia sido arrastado para um banco de areia próximo.
O dono da perna era um surfista que estava aguardando com sua prancha o momento de pegar a onda. Este olhou para baixo e disse:
– Que foi isso, meu irmão! Grudado no meu pé?!
– Muito obrigado, meu amigo! Salvou minha vida! – exclamou Felipe.
* * *
Quantos desencarnam em situações similares. Um breve descuido com a vida e ela se esvai de uma hora para outra. Uns, arriscando-se em situações semelhantes à história aqui contada; outros, esvaindo pouco a pouco o fluido vital de que dispõem, por meio de excessos que degradam o corpo físico.
A questão reside sobre quais situações podem ser consideradas como suicídio, obviamente desconsiderando atos lamentáveis e diretos de retirada da vida.
O Espírito André Luiz, no livro Nosso Lar, conta-nos que, ao deixar o plano terrestre, por vezes ouvia gritos que lhe acusavam de ser um suicida. Para ele aquilo era improcedente. Não havia deixado o corpo físico por vontade própria. A doença, sim, era a responsável. Mas em verdade, os seus excessos na alimentação e na bebida foram consumindo suas energias essenciais, caracterizando o suicídio. Neste caso, um suicídio inconsciente, conforme explica o Espírito Clarêncio (1).
Na situação retratada, o instinto de conservação de alguma forma alertava a Felipe do perigo em que se colocava. Todavia, a vaidade e egoísmo falavam mais alto. Assim, mesmo consciente da prática que lhe colocava em risco, expôs a sua vida sem necessidade.
Da literatura Espírita sabemos que a resposta para a pergunta proposta no texto se encontra na intenção do ato e na consciência perfeita da prática do mal. Isto levará a um grau de culpabilidade, a qual se desdobrará em uma expiação proporcional. Em palavras mais simples, quanto mais conscientes dos riscos aos quais estamos colocando as nossas vidas, em maior grau estaremos recebendo a alcunha de suicidas, uma vez responsáveis pela derrocada do corpo físico  (2 ).
Logo, procuremos sempre buscar o equilíbrio e o discernimento de nossos atos em relação à nossa vestimenta carnal. Busquemos, ainda, estar atentos ao nosso instinto de conservação. E, por fim, ouvir mais as intuições recebidas pelos bons espíritos que nos acompanham. Com estas sugestões, que não se esgotam em si, poderemos estar minimizando, ou até nos livrando, da alcunha de suicidas ao desencarnar.
Márcio Martins da Silva Costa

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