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sábado, 15 de dezembro de 2018

ANTE A MORTE - na visão espirita.

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P. — Que sucede à alma no instante da morte?
R. — Volta a ser Espírito, isto é, volve ao mundo dos Espíritos, donde se apartara momentaneamente.
Item 149 Tranqüiliza, desse modo, os companheiros que demandam o Além, suportando corajosamente a despedida temporária, e honra-lhes a memória, abraçando com nobreza os deveres que te legaram.

EMMANUEL Além de seu papel eminentemente esclarecedor, caracterizando a base de sua filosofia, tem o Espiritismo outra função, não menos importante, junto à criatura humana, sujeita, por efeito da própria condição de nosso orbe, às mais dolorosas vicissitudes, no campo moral e físico: a de confortá-la, de consolá-la nos instantes cruciais da existência.
Apesar da “velhice do mundo” e da não menor “velhice das religiões”, sob o ponto de vista da cronologia, muito pouca gente acostumou-se com a separação dos entes queridos, em consequência da morte, ou desencarnação.
A dor de quem fica é, bem o sabemos, motivada pela falsa e errônea idéia de que a morte seja o fim, separando, para todo o sempre, irreparavelmente, os que partem dos que ficam na ribalta do mundo. É bem verdade que as religiões orientais apontaram sempre a morte por simples fenômeno de separação da alma do corpo, com a continuidade, por aquela, em lugares de gozo ou sofrimento, de sua vida.
Nem por isso, porém, tais mensagens de imortalidade ressoaram, positiva e beneficamente, na inteligência humana. Apesar de todos os preceitos imortalistas das religiões que precederam a Doutrina dos Espíritos, a perda dos entes amados ainda repercute como tragédia, de angústia e sofrimento, para familiares e amigos mais chegados.
A partir da codificação espírita, nos idos de 1857, quando Allan Kardec editou “O Livro dos Espíritos”, o assunto passou, na verdade, a ser encarado sob outro aspecto, atenuando, sensivelmente, a dor da separação e, por outro lado, acentuando a esperança de que, não sendo a morte o fim de tudo, a partida é, apenas, temporária ausência, com a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, o reencontro se dará, em qualquer parte do Universo — no Espaço, noutros mundos, na própria Terra.
Não se vá dizer que esta compreensão espírita nos tomará isensíveis à dor ante a partida de um ente querido, familiar ou não.
Não se predique seja o espírita uma pessoa proibida de sentir e chorar, realmente, a partida de um parente ou amigo, eis que uma e outra coisa representariam inexata idéia de que o Espiritismo seja uma Doutrina capaz de insensibilizar o coração humano, de extinguir as emoções normais da criatura, esterilizando-lhe o sentimento.
O conhecimento e a assimilação doutrinário-evangélicos têm a faculdade de fortalecer-nos o Espírito e o coração, tomando-nos capazes de, pela fé, pela certeza da imortalidade, chorarmos, sem dúvida, o desenlace do ser amado, sem, contudo, confiar-nos ao pranto enfermiço, doentio, por improdutivo, e que nunca se acaba.
A morte outra coisa não é senão uma viagem, quase sempre mais longa, que o Espírito realiza.

E o reencontro com o “morto” muita vez se dá com muito maior brevidade do que nas viagens comuns, aqui na Terra, de pessoas encarnadas.
Não raro, especialmente num país como o Brasil, de Imensa extensão territorial, um parente ou amigo despede-se de nós e, durante vinte, trinta ou quarenta anos não se dá o reencontro, e, às vezes, nunca mais ele é visto por nós?!...
No fenômeno que o mundo impropriamente denomina "morte”, muita vez a criatura que desencarnou volta ao convívio dos seus, na condição de filho, sobrinho ou o que for, dois-ou três anos depois. Esta compreensão de que a morte não é o fim, mas um episódio inevitável, de transição, não impede o espírita de verter lágrimas ante o corpo inerte do ser amado.
Emmanuel, na mensagem “Ante os que partiram”, pondera: “Nenhum sofrimento, na Terra, será comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio.”
A compreensão espírita apenas não o deixa eternizar o sofrimento, pois sabe que a separação é temporária, e que, além disso, a vida física não é a principal para as almas, malgrado sua importância, mas simples etapa destinada a favorecer-lhes o resgate de erros, o aprendizado indispensável à conquista da perfeição.
A nosso ver, ninguém deve reter as lágrimas sinceras, abundantes ou discretas, segundo as condições emocionais de cada um de nós, que, no instante da separação, brotam, dos olhos de quem fica; nossa idéia, a este respeito, é de que não devemos converter o pranto das primeiras horas ou dias em inconformada expressão de revolta, de insubmissão às leis divinas, que são sempre, o espírita esclarecido bem o sabe, de amor e misericórdia, de sabedoria e magnanimidade.
Há, ainda, sob o ponto de vista doutrinário, outros aspectos que situam o Espiritismo por mensagem altamente consoladora, ante o multimilenário problema da “morte”: pelas abençoadas vias da mediunidade, os que ficam podem-se comunicar com os que se foram, como se no corpo físico ainda estivessem, sentindo-lhes as emoções, identificando-lhes as idéias, reconhecendo-lhes os hábitos e pontos de vista.
A mediunidade — maravilhosa ponte que liga o mundo físico ao espiritual, a Terra ao Espaço — descerra as portas do Infinito, possibilitando o amoroso reencontro das almas desencarnadas com as encarnadas. 
Além da mediunidade, que proporciona ainda, algumas vezes, a materialização ou corporificação dos que se foram, temos os sonhos espíritas, quando podemos estreitar nos braços e envolver nas vibrações puras do amor e do carinho os seres amados. 
Maravilhosa doutrina que “luariza de esperança a noite de nossas vidas” — di-lo, com rara e bela definição, o Espirito de escol que transitou pelo mundo, no solo glorioso da França, com o nome respeitável de Léon Denis!
Como se observa, têm os espíritas elementos muito sérios, racionais e profundos, de ordem; filosófica, para considerarem e conceituarem a nossa doutrina como a mais consoladora, a que maior soma de conforto pode dispensar ao homem nos instantes de dor, de maneira que, ao invés do pranto imoderado, possamos honrar a memória dos que partiram “abraçando com nobreza os deveres” que nos legaram, acentuando, assim, o outro aspecto, o educativo, que a caracteriza, que a situa por fator de extrema valia na obra de redenção da humanidade.
Que ninguém se entregue ao pranto inestancável, inconformado, ante o corpo estirado no esquife; que ninguém se envergonhe de ensopar os olhos com as lágrimas da saudade justa, compreensível, ante o coração amado que demanda outras regiões; mas, que o trabalho do bem seja a melhor forma de lhe cultuarmos a lembrança.
Esta é a mensagem que, em nosso pobre entendimento, o Espiritismo dirige a todos que se defrontam, em casa ou nos círculos pessoais de amizade, com o velho e sempre novo problema da “morte”.


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