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sábado, 15 de dezembro de 2018

MORTES PREMATURAS - do livro: O Pensamento de Emmanuel

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A curta duração da vida de uma criança pode representar, para o Espirito que a animava, o complemento de existência precedentemente interrompida antes do momento em que devera terminar, e sua morte, também não raro, constitui provação ou expiação para os pais.

Item 199 Nenhum sofrimento, na Terra, será comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio.
As mortes prematuras são verdadeiras tragédias para quantos se não abeberaram, ainda, nos regatos de luz e consolação da Doutrina dos Espíritos.
O corpo inerte de uma criança, ou de um jovem na plenitude da resistência, da vitalidade física, encarnando todo um mundo de esperanças e alegrias para a família, arranca compreensíveis lágrimas e expressões de inconsciente revolta contra tudo e contra todos, às vezes até contra a Suprema Bondade. O instante é de dor. E a dor, gerando sofrimento. E o sofrimento, gerando desequilíbrio.

O mesmo desapontamento verifica-se, bem o sabemos, com relação aos chamados natimortos, isto é, os que nascem já sem vida.
Allan Kardec recolheu, dos Espíritos, a afirmativa de que‘ as mortes prematuras, também não raro, constituem “provação ou expiação para os pais”. Emmanuel, com a nobre sensibilidade que lhe assinala o modo de ser, onde formoso coração se conjuga a lúcida inteligência, considera que “nenhum sofrimento, na Terra, será talvez comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio”.
E acentua, convincente: “Digam aqueles que já estreitaram de encontro ao peito um filhinho transfigurado em anjo da agonia.”
O apontamento do respeitável Instrutor, em consonância com a assertiva das Entidades Codificadoras, é no sentido de que se reprima, em tais ocasiões, o desespero.
Que se dilua a corrente de mágoa “na fonte viva da oração, porque os chamados mortos são apenas ausentes. ..”
Que se não transforme a desencarnação libertadora em catástrofe de aniquilamento para os que ficam e vexame para os que partem...
E, em frase admirável, que mais parece um poema, conclui que o Divino Mestre, inspirador de sua obra de universalização do Evangelho, “expirou na cruz, em tarde pardacenta, sobre um monte empedrado, mas ressuscitou aos cânticos da manhã, no fulgor de um jardim”.
O conhecimento do Espiritismo e o esforço de sua aplicação na vida prática funcionam à maneira de refrigério para os que se lhe agregaram às hostes de luz e entendimento, para a renovação no trabalho.
Nos escaninhos de uma desencarnação prematura, a onde se, ou deveria acender-se, sempre, a chama das grandes e fundamentais transformações espirituais para os pais daqueles que partem na primavera da existência física, caracterizando-se, esse decesso, por abençoada pedra de toque para que a criatura desperte na direção de objetivos mais altos.
Seres que nunca se haviam interessado pelo lado superior da vida acordam, ao impacto da dor e da saudade, iniciando a aquisição de valores morais e espirituais. 
Vidas de rotina, no come, dorme, procria e trabalha de cada dia, se modificam para melhor, porque, quase sempre, ao contato com a alma do pequenino ser, através da bênção do intercâmbio “Espaço-Terra”, no sonho ou na mediunidade, corações antes insensibilizados abrem-se para a caridade e a compreensão, o entendimento e o amor, como flores que desabrocham, embelezando e perfumando a natureza, começando, assim, os alicerces de obras de benemerência que se agigantam no volume e na substancialidade.
Promessas risonhas, misturando-se às gotas cristalinas do pranto saudoso, convertem-se em esplêndidas realidades que o tempo, nosso grande benfeitor, encarrega-se de sedimentar.
Os objetivos das mortes prematuras variam sempre.
No entanto, jamais desarmonizam-se com os desígnios divinos, que orientam e amparam os melhores interesses evolutivos das almas.
Algumas vezes, constituem, elas, provação ou expiação para aqueles que, por efeito de sérios delitos, de funestas conseqüências para o destino de outrem, não souberam valorizar, noutras experiências reencamatórias, os patrimônios da maternidade ou da paternidade.
Importante, no entanto, entendermos que tais ocorrências entrosam-se, perfeitamente, com as próprias necessidades do Espírito que sofre o desligamento prematuro e dos que lhe constituem o vinculo consanguíneo, isto porque, sábias e equânimes são as Leis Divinas.

As leis do Senhor jamais se equivocam. São imutáveis. Não se desgastam, nem se alteram sob o imperativo das circunstâncias, conforme se verifica com as leis humanas, que refletem, naturalmente, as condições de uma e outra épocas.

Nós, os encarnados, ainda condicionados às perspectivas terrestres — verdadeiros amblíopes espirituais —, é que lhes não compreendemos o mecanismo, nem os processos de reajustamento de que se revestem, nem a terapêutica que trazem para nossas almas.

A desencarnação prematura, na flor da idade, pode ser o complemento de existência interrompida antes do tempo, por este ou aquele motivo. Os que, no pretérito, recorreram ao suicídio, direto ou indireto, em qualquer de suas modalidades, recebem, na morte apressada, a oportunidade do acerto redentor.

Acima de tudo e de todos, vige a altanaria das Leis de Deus, compassivas e generosas, sábias e justas, agindo em favor do aparfeiçoamento, do progresso e da felicidade do Espírito que vem do “ontem”, impregnado de erros e crimes, em marcha para o “amanhã”, no esforço aprimoratório.

A lei de Causa e Efeito é infalível, embora misericordiosa em suas atenuantes, conforme ao ensino de que “o amor cobre a multidão de pecados”. Nela, com ela e por meio dela encontraremos, na Terra e na Espiritualidade, acontecimentos relacionados, em conexão magnífica, com méritos e deméritos, créditos e débitos espirituais, expressando, invariavelmente, a mecânica da Justiça Divina.

Quando Allan Kardec perguntou aos Espíritos “que utilidade encontrará um Espírito na sua encarnação em um corpo que morre poucos dias depois de nascido”, responderam eles: “O ser não tem consciência plena da sua existência.

Assim, a importância da morte é quase nenhuma. Conforme já dissemos, o que há nesses casos de morte prematura é uma prova para os pais.” Esse gênero de morte, especialmente na fase da gestação, com o reencarnante enclausurado, ainda, no seio daquela que lhe seria mãe carinhosa, pode ser debitado, algumas vezes, a outras causas, tal como emissões mentais desequilibradas, que atingem, fatalmente, o organismo em formação.

Pensamentos infelizes envenenam o leite materno, comprometendo a estabilidade orgânica da criança e o equilíbrio do Espírito reencarnante. Projeção de raios magnéticos destruidores, originados de rixas e conflitos no lar, de acentuada gravidade, influenciam, igualmente, de maneira perigosa, o corpo em preparo, podendo imobilizá-lo ou cadaverizá-lo, antes do nascimento.

Vibrações pesadas, fluidos grosseiros, podem arruinar a saúde, deles podendo resultar a desencarnação ou a entrega ao mundo, à sociedade, de indivíduos nervosos, assustados. Deficiências materiais, orgânicas, respondem, também, por mortes prematuras, segundo os ensinos da Codificação: “Dão-lhes causa, as mais das vezes, as imperfeições da matéria.”

Matéria, neste apontamento, é corpo físico. O conhecimento doutrinário e evangélico e a harmonia interior preservam os lares de tais inconvenientes. O estudioso do Espiritismo, sem que lhe queiramos extinguir a capacidade de sensibilização, o que seria contrário à própria essência da Doutrina dos Espíritos, é observador conscientizado, na grande transição, aceitando a mudança de plano, no instante e nas condições em que vier, por imperativo natural da vida, a assinalar, nas anotações do Mundo da Verdade, o avanço da alma no rumo do aperfeiçoamento.

Ante aqueles que demandam a Vida na Espiritualidade, o comportamento do espírita é algo diferente, ou, pelo menos, deve ser diferente, variando, contudo, de pessoa a pessoa, com prevalência, evidentemente, de fatores ligados à fé e à emotividade.

Chora, discreto, mas se fortalece na oração. Na certeza da Imortalidade Gloriosa, reprime o pranto que desliza na fisionomia sofrida, porém busca na Esperança, uma das virtudes evangélicas, o bálsamo para a saudade justa.

Jamais se confia ao desespero. Não cede aos apelos da revolta, porque revolta é insubordinação ante a Vontade do Pai, que o espírita aprende a aceitar, paradoxal e estranhamente jubiloso, por dentro, vergado embora ao peso das mais agudas aflições.

A submissão aos desígnios superiores significa desejo de integração com o Senhor da Vida, entre nós, encarnados e desencarnados, representado pelas leis que sustentam a própria Vida Universal — leis morais e leis físicas.


VIDA ESPIRITUAL

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P. — Em que sentido se deve entender a vida eterna?
R. — A vida do Espírito é que é eterna; a do corpo é transitória e passageira.
Quando o corpo morre, a alma retoma a vida eterna.
Item 153 Dessa forma, se os atos louváveis são recursos de abençoada renovação e profunda alegria nos recessos da alma, as ações infelizes se erguem, além do túmulo, por fantasmas de remorso e aflição no mundo da consciência.
O sono é uma espécie de morte parcial, temporária. Assim o diz a Doutrina dos Espíritos, assim o confirmam elevados Instrutores Espirituais.
Durante o sono acontece o desprendimento do Espírito que, assim, readquirindo, de modo relativo, a liberdade assegurada pela desencarnação, pode entrar em contato com Espíritos desencarnados ou com pessoas que estejam também adormecidas.
A posição da alma, durante essas horas de provisória libertação, não é uniforme, padronizada, para todos, que há variações que decorrem do estado evolutivo, das condições mentais do indivíduo.
Quanto mais equilibrada a mente humana, dado o processo de assimilação e prática dos preceitos evangélico-doutrinários, mais livre estará a alma nesses momentos em que o corpo repousa do natural desgaste celular imposto pelo trabalho diuturno.
Há criaturas que, durante o sono, reingressam no mundo espiritual em situação de tal desajuste que seus Espíritos se confundem com os de entidades sofredoras ou endurecidas que, frequentemente, se comunicam nas equipes mediúnieas de desobsessão.
As condições, portanto, de maior ou menor felicidade, de maior ou menor equilíbrio no Mundo Espiritual, durante o sono, resulta de sua melhor ou pior situação mento-psíquica.
No que diz respeito à morte ou desencarnação, o fenômeno, em suas linhas gerais, é o mesmo: processos desencantatórios e de liberação diferem de pessoa a pessoa, segundo, ainda, o mesmo princípio vigente para o “estado de sono”.
Sendo a Terra um mundo de provas e expiações, onde a grande maioria dos seus residentes é formada de almas ainda bem atrasadas, apesar do avanço tecnológico e das conquistas intelectuais da humanidade, justo será admitir-se por normal o desajuste e comum a perturbação dos que desencarnam, dado que “as ações infelizes se erguem, além do túmulo, por fantasmas de remorso e aflição no mundo da consciência”.
Ressalvam-se, obviamente, os casos de pessoas de ponderável gabarito evolutivo, uma vez que, ainda com  “os atos louváveis são recursos de abençoada renovação e profunda alegria nos recessos da alma”.
A grande missão da Doutrina Espírita, altamente educativa e esclarecedora, é a de preparar-nos para essa vivência feliz no Plano Espiritual, para o qual inevitavelmente iremos, pelo sono ou pela morte, criando, assim, os gloriosos pródromos de nossa futura vinda ao mundo, não somente para desfrutar-lhe os benefícios, mas para viver-lhe os ideais engrandecidos, colaborando em sua consolidação.
Se os preceitos evangélicos, que funcionam no mundo os luminosos estímulos da Doutrina Espírita, não se lixarem em nosso coração, de forma definitiva, renovando-nos interiormente a alma e criando, em nós, o amor o trabalho nobre, possível será que reencanemos nas mesmas condições em que daqui partirmos, embalando, muita vez, tolas esperanças.
Geralmente, as imperfeições demasiado arraigadas em nossa individualidade eterna não se diluem no estado doutrinariamente denominado “Espírito errante” — permanência do Espírito no Espaço durante o tempo que vai do instante do desenlace ao do início de uma nova ligação ao outro corpo que a reencarnação lhe proporciona, por bênção de Deus — daí, nossa opinião de que podemos voltar nas mesmas condições em que fôramos, apenas envergando outro traje.
Inúmeras comunicações mediúnicas, embora olhos corporais não o percebam, são dadas por desencarnados que se encontram amparados, sustentados, magneticamente, por abnegados Mentores Espirituais, embora tenham Já abandonado o corpo há muito tempo.
Quantos casos, desta natureza, ocorrem?!...
A Doutrina Espírita não tem, todos o sabemos, como básico, o objetivo de melhorar-nos extremamente.
O trabalho do Espiritismo é junto à alma eterna, Junto ao coração, a fim de que, por seu influxo divino, removamos as impurezas que nos acompanham e possamos, assim, acender, no Templo da Consciência e no Santuário do Coração, as candeias da iluminação — divinos focos de redenção que a ventania, por mais forte, não apaga; a incompreensão, por mais sórdida, não perturba; o julgamento, por mais contraditório, não reduz sua Intensidade.
Acentuando, desta maneira, os conceitos deste capitulo, devemos proclamar, em nome da Doutrina Espírita e Bom o consenso dos elevados amigos de Mais Alto, que:
a) — Durante o sono, a alma desprende-se do corpo transitório, entrando em temporária relação
com inteligências encarnadas ou desencarnadas, amigas ou adversárias.
b) — A morte do corpo não destrói, não aniquila o Espírito: libera-o por um período variável, segundo as necessidades evolutivas, até que possa desfrutar, de novo, das bênçãos da reencarnação.
c) — Os processos desencarnatórios e os recursos de liberação diferem de pessoa a pessoa, segundo o estado espiritual de cada um.
d) — É normal, é compreensível o desajuste e comum, em face do reconhecido atraso de nosso orbe, a perturbação dos que desencarnam, ressalvados, naturalmente, os casos de pessoas detentoras de seguras aquisições evolutivas.
A alma, enquanto encarnada, condiciona-se a fatores orgânicos que, por sua vez, estão sob o império de leis biológicas específicas.
Fora do corpo, outras são as leis e, por conseguinte, outros os elementos de equilíbrio e funcionamento.
Daí as naturais dificuldades com que, em novo mundo vibratório, bem diverso do nosso, aqui no plano físico, lutamos todos nós ao trocarmos a densidade da matéria (envoltório físico) pela fluidicidade dos planos espirituais.



ANTE A MORTE - na visão espirita.

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P. — Que sucede à alma no instante da morte?
R. — Volta a ser Espírito, isto é, volve ao mundo dos Espíritos, donde se apartara momentaneamente.
Item 149 Tranqüiliza, desse modo, os companheiros que demandam o Além, suportando corajosamente a despedida temporária, e honra-lhes a memória, abraçando com nobreza os deveres que te legaram.

EMMANUEL Além de seu papel eminentemente esclarecedor, caracterizando a base de sua filosofia, tem o Espiritismo outra função, não menos importante, junto à criatura humana, sujeita, por efeito da própria condição de nosso orbe, às mais dolorosas vicissitudes, no campo moral e físico: a de confortá-la, de consolá-la nos instantes cruciais da existência.
Apesar da “velhice do mundo” e da não menor “velhice das religiões”, sob o ponto de vista da cronologia, muito pouca gente acostumou-se com a separação dos entes queridos, em consequência da morte, ou desencarnação.
A dor de quem fica é, bem o sabemos, motivada pela falsa e errônea idéia de que a morte seja o fim, separando, para todo o sempre, irreparavelmente, os que partem dos que ficam na ribalta do mundo. É bem verdade que as religiões orientais apontaram sempre a morte por simples fenômeno de separação da alma do corpo, com a continuidade, por aquela, em lugares de gozo ou sofrimento, de sua vida.
Nem por isso, porém, tais mensagens de imortalidade ressoaram, positiva e beneficamente, na inteligência humana. Apesar de todos os preceitos imortalistas das religiões que precederam a Doutrina dos Espíritos, a perda dos entes amados ainda repercute como tragédia, de angústia e sofrimento, para familiares e amigos mais chegados.
A partir da codificação espírita, nos idos de 1857, quando Allan Kardec editou “O Livro dos Espíritos”, o assunto passou, na verdade, a ser encarado sob outro aspecto, atenuando, sensivelmente, a dor da separação e, por outro lado, acentuando a esperança de que, não sendo a morte o fim de tudo, a partida é, apenas, temporária ausência, com a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, o reencontro se dará, em qualquer parte do Universo — no Espaço, noutros mundos, na própria Terra.
Não se vá dizer que esta compreensão espírita nos tomará isensíveis à dor ante a partida de um ente querido, familiar ou não.
Não se predique seja o espírita uma pessoa proibida de sentir e chorar, realmente, a partida de um parente ou amigo, eis que uma e outra coisa representariam inexata idéia de que o Espiritismo seja uma Doutrina capaz de insensibilizar o coração humano, de extinguir as emoções normais da criatura, esterilizando-lhe o sentimento.
O conhecimento e a assimilação doutrinário-evangélicos têm a faculdade de fortalecer-nos o Espírito e o coração, tomando-nos capazes de, pela fé, pela certeza da imortalidade, chorarmos, sem dúvida, o desenlace do ser amado, sem, contudo, confiar-nos ao pranto enfermiço, doentio, por improdutivo, e que nunca se acaba.
A morte outra coisa não é senão uma viagem, quase sempre mais longa, que o Espírito realiza.

E o reencontro com o “morto” muita vez se dá com muito maior brevidade do que nas viagens comuns, aqui na Terra, de pessoas encarnadas.
Não raro, especialmente num país como o Brasil, de Imensa extensão territorial, um parente ou amigo despede-se de nós e, durante vinte, trinta ou quarenta anos não se dá o reencontro, e, às vezes, nunca mais ele é visto por nós?!...
No fenômeno que o mundo impropriamente denomina "morte”, muita vez a criatura que desencarnou volta ao convívio dos seus, na condição de filho, sobrinho ou o que for, dois-ou três anos depois. Esta compreensão de que a morte não é o fim, mas um episódio inevitável, de transição, não impede o espírita de verter lágrimas ante o corpo inerte do ser amado.
Emmanuel, na mensagem “Ante os que partiram”, pondera: “Nenhum sofrimento, na Terra, será comparável ao daquele coração que se debruça sobre outro coração regelado e querido que o ataúde transporta para o grande silêncio.”
A compreensão espírita apenas não o deixa eternizar o sofrimento, pois sabe que a separação é temporária, e que, além disso, a vida física não é a principal para as almas, malgrado sua importância, mas simples etapa destinada a favorecer-lhes o resgate de erros, o aprendizado indispensável à conquista da perfeição.
A nosso ver, ninguém deve reter as lágrimas sinceras, abundantes ou discretas, segundo as condições emocionais de cada um de nós, que, no instante da separação, brotam, dos olhos de quem fica; nossa idéia, a este respeito, é de que não devemos converter o pranto das primeiras horas ou dias em inconformada expressão de revolta, de insubmissão às leis divinas, que são sempre, o espírita esclarecido bem o sabe, de amor e misericórdia, de sabedoria e magnanimidade.
Há, ainda, sob o ponto de vista doutrinário, outros aspectos que situam o Espiritismo por mensagem altamente consoladora, ante o multimilenário problema da “morte”: pelas abençoadas vias da mediunidade, os que ficam podem-se comunicar com os que se foram, como se no corpo físico ainda estivessem, sentindo-lhes as emoções, identificando-lhes as idéias, reconhecendo-lhes os hábitos e pontos de vista.
A mediunidade — maravilhosa ponte que liga o mundo físico ao espiritual, a Terra ao Espaço — descerra as portas do Infinito, possibilitando o amoroso reencontro das almas desencarnadas com as encarnadas. 
Além da mediunidade, que proporciona ainda, algumas vezes, a materialização ou corporificação dos que se foram, temos os sonhos espíritas, quando podemos estreitar nos braços e envolver nas vibrações puras do amor e do carinho os seres amados. 
Maravilhosa doutrina que “luariza de esperança a noite de nossas vidas” — di-lo, com rara e bela definição, o Espirito de escol que transitou pelo mundo, no solo glorioso da França, com o nome respeitável de Léon Denis!
Como se observa, têm os espíritas elementos muito sérios, racionais e profundos, de ordem; filosófica, para considerarem e conceituarem a nossa doutrina como a mais consoladora, a que maior soma de conforto pode dispensar ao homem nos instantes de dor, de maneira que, ao invés do pranto imoderado, possamos honrar a memória dos que partiram “abraçando com nobreza os deveres” que nos legaram, acentuando, assim, o outro aspecto, o educativo, que a caracteriza, que a situa por fator de extrema valia na obra de redenção da humanidade.
Que ninguém se entregue ao pranto inestancável, inconformado, ante o corpo estirado no esquife; que ninguém se envergonhe de ensopar os olhos com as lágrimas da saudade justa, compreensível, ante o coração amado que demanda outras regiões; mas, que o trabalho do bem seja a melhor forma de lhe cultuarmos a lembrança.
Esta é a mensagem que, em nosso pobre entendimento, o Espiritismo dirige a todos que se defrontam, em casa ou nos círculos pessoais de amizade, com o velho e sempre novo problema da “morte”.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Chico Xavier e a visita do espírito Scheilla


Chico Xavier sempre contou com muitas amizades, tanto no plano físico como espiritual. Esse relacionamento entre os dois planos, sempre se fazia presente no seu dia a dia.
Era fato comum os amigos visitarem -no em Uberaba, e entre eles, uma senhora de nome Nair ia vê-lo freqüentemente, apesar dos 100 Km de distância, entre sua cidade e a cidade mineira.
Dona Nair , dirigia o Centro Espírita Paz e Amor, localizado em Santa Rita do Passa Quatro. Por diversas vezes, nas reuniões que realizavam, sentia fortemente a presença do espírito Scheilla, entidade essa, constante nas psicografias do médium mineiro.
Como não tinha certeza da presença da querida irmã,, decidiu que quando estivesse ao lado do Chico, perguntaria ao amigo sobre a visitante ilustre.

E foi numa dessas visitas rotineira que, estando em descontraído bate papo na sala de estar do querido médium , que D ª Nair fez menção de interrogá-lo, se seria ou não a abnegada enfermeira que a visitava.
Mas, sua intenção foi lograda, pois, uma das pessoas presentes no local, questionou o anfitrião sobre outro assunto, e esse com o carinho que lhe era peculiar, atendeu prontamente.
Quando a conversa chegava a termo e D ª Nair não se lembrava mais da pergunta que momentos antes quis fazer; eis que o famoso espírita vira-se para o seu lado e lhe diz: “A Scheilla está aqui, e pede para lhe dizer que é ela mesma quem a visita”.

O Dogmatismo e a fé Raciocinada

O dogmatismo milenar vem mantendo a relação entre a fé e a razão algo no mínimo curioso, visto que ter fé deveria significar: crer, acreditar, saber, confiar etc., em algo que se pudesse pelo menos encontrar argumentos que os justificassem a luz de uma análise mais profunda, e não, como a grande maioria de seus seguidores demonstra, aceitando sem qualquer cuidado em verificar se essa fé se fundamenta em algo aceitável por qualquer inteligência mediana, visto que para se crer em alguma coisa, é necessário que se acredite na existência dessa coisa.
A fé que o Espiritismo nos prega está fundamentada no trabalho grandioso de estudo e pesquisa, empreendido na confecção dos postulados nos quais se fundamenta a Codificação Espírita, nascida da observação dos fatos, da análise minuciosa de cada situação acontecida, observada, comparada e conferida à luz da razão, em seus mínimos detalhes, pelo insigne codificador através do raciocínio e sob a orientação dos Espíritos Superiores, constituindo-se, por isso mesmo, em argumentos tão lógicos que nos levaram a desenvolver a fé que hoje denominamos de “Fé raciocinada”.
“… A fé sincera é empolgante e contagiosa; comunica-se aos que não na tinham, ou, mesmo, não desejariam tê-la. Encontra palavras persuasivas que vão à alma. Ao passo que a fé aparente usa de palavras sonoras que deixam frio e indiferente quem as escuta. Pregai pelo exemplo da vossa fé, para a incutirdes nos homens. Pregai pelo exemplo das vossas obras para lhes demonstrardes o merecimento da fé. Pregai pela vossa esperança firme, para lhes dardes a ver a confiança que fortifica e põe a criatura em condições de enfrentar todas as vicissitudes da vida.
Tende, pois, a fé, com o que ela contém de belo e de bom, com a sua pureza, com a sua racionalidade. Não admitais a fé sem comprovação, cega filha da cegueira. Amai a Deus, mas sabendo porque o amais; crede nas suas promessas, mas sabendo porque acreditais nelas; segui os nossos conselhos, mas compenetrados do fim que vos apontamos e dos meios que vos trazemos para o atingirdes. Crede e esperai sem desfalecimento: os milagres são obras da fé. – José, Espírito protetor. (Bordéus, 1862.) (1)
Isso significa dizer que, não devemos apenas aceitar seus argumentos, seus estudos e pesquisas sem nos determos em uma análise sob nossa própria ótica, utilizando a bênção da inteligência de que somos portadores. Chama-nos a atenção afirmando que: “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão em todas as épocas da humanidade”. (2)
A própria Doutrina Espírita esclarece que não devemos, simplesmente, aceitar os conceitos contidos na codificação sem uma análise fria e detalhada do que ela contém, dando-nos o direito até mesmo de ter nossas próprias dúvidas, pois é ela antes de tudo democrática, não é imposta a quem quer que seja, pois entende que muitas das coisas que não aceitamos hoje, por absoluto desconhecimento, amanhã tornar-se-á algo, perfeitamente, aceitável, em vista das descobertas da ciência, no desenvolvimento de outros mecanismos hoje desconhecidos.
Entendemos que é da saudável discussão que nascem as respostas mais próximas da verdade; no trocar de experiências, contribuindo cada qual com a fração de seus conhecimentos, contribuindo para uma melhor compreensão dos fatos por todos os seus participantes, pois não somos conhecedores de todas as áreas da ciência e sim, da área em que nos especializamos mais particularmente ou que exercemos nossas atividades profissionais etc.
Nós, Cristãos Espíritas, não podemos afastar por motivo algum, sob nenhum pretexto a faculdade de dialogar, não somente entre os seguidores da filosofia que abraçamos, mas, também com todos os nossos irmãos em humanidade, detentores de conhecimento da área filosófica ou científica, buscando constantemente o aperfeiçoamento a renovação o aprimoramento e a atualização de nossos conhecimentos, ampliando nossa visão do todo sem nos fechar na pretensão de sermos os únicos donos da verdade, para não repetir os erros de tantos quantos se enclausuraram na vaidade do saber tudo, tomando por base unicamente os dogmas aceitos pela fé cega de outrora.
Francisco Rebouças
Referências Bibliográficas:
(1) KARDEC, ALLAN. O Evangelho Segundo o Espiritismo – FEB, 112ª edição, cap. XIX, item 11;
(2) KARDEC, ALLAN. O Evangelho Segundo o Espiritismo – FEB, 112ª edição, cap. XIX, item 7.

Dos equívocos e das distorções doutrinárias

distorções doutrinárias
A falta de estudo da Doutrina Espírita, a ausência do uso da razão e do bom senso e também o isolamento dos grupos (fechando-se em si mesmos) são os responsáveis pelos absurdos que se cometem em nome da Doutrina e seu movimento. E isso fica por conta de quem pratica, pois o Espiritismo não pode ser responsabilizado por aqueles que não raciocinam o que fazem.
São muitos os exemplos, alguns citados em livros, jornais e revistas, por articulistas e autores diversos, todos respeitáveis e conhecidos na atividade espírita, os quais permito-me citar uns ou outros (os exemplos) para desenvolvimento do presente artigo.
Enquadram-se nesses equívocos:
a) Obrigatoriedade de passe em todo e qualquer comparecimento ao Centro Espírita;
b) Toda pessoa que chega perturbada ao Centro Espírita é médium;
c) Os médiuns são seres elevados e extraordinários;
d) Os oradores e expositores são seres infalíveis – “falou tá falado”;
e) Médium experiente não precisa estudar;
f) Não se deve bater palmas ao final de palestras para não dispersar fluidos;
g) Casamento, batizado, uso de gestos e imagens, roupas especiais, cromoterapia, cristais, TVP, pirâmides e etc, no Centro Espírita;
h) As mãos dadas formam correntes de proteção;
i) Comemoração de Páscoa e Semana Santa no Centro Espírita;
j) Para recarregar energias, o aplicador de passes deve encostar a cabeça na parede após a tarefa;
k) Mulheres não devem entrar de saia no centro;
l) Homens e mulheres devem sentar-se em fileiras separadas no ambiente do centro;
m) Reencarnação serve para pagar dívidas;
n) Os espíritos comunicantes sabem tudo;
o) Determinado Centro Espírita é forte e o outro é fraco;
p) Uso de expressões, como mesa branca, baixo espiritismo, encosto e muitos outros absurdos como aqueles das correntes no chão e das garrafas em prateleiras para prender os espíritos obsessores ou da mesa de concreto que suporte os murros dos médiuns indisciplinados.
Ora, o Espiritismo é profundamente racional. O espírita precisa sempre saber porque faz determinada prática. Pensar no que faz e analisar se está dentro do bom senso, da razão e, principalmente, se há coerência no que se pratica e o que a Doutrina ensina.
Com objetivos tão elevados e fundamentos tão racionais, como poderia o Espiritismo ver em casas que se dizem espíritas, práticas tão distantes de sua orientação? Só a falta do estudo doutrinário pode responder por esses absurdos que, comportariam, em muitos casos, diversas argumentações e comentários sobre sua nulidade e incoerência.
E também caracterizam-se como práticas distantes do dinamismo da Doutrina: o espírita desanimado, o Centro distante e isolado do estudo e da divulgação – preocupado apenas com a prática mediúnica; a Casa Espírita isolada do movimento – que traz entusiasmo e renovação; também o expositor que transmite aos ouvintes a ideia de um Espiritismo de tristeza, dor ou sofrimento, e, finalmente, o espírita que não estuda. Como aceitar também aquelas reuniões sem nenhuma motivação, onde um lê e todos ouvem – ou dormem, criando a figura do “espírita de banco” (aquele que entra, senta, ouve e vai embora)? Ou a presença no Centro como se fosse uma obrigação penosa, sem alegria?
Espiritismo é alegria, é vida! E trabalho vibrante, com harmonia, coerência e união. Daí a necessidade do estudo individual, estudo em grupo, união de forças entre os trabalhadores da mesma casa e entre as casas da cidade e região. Isso traz entusiasmo, revitaliza o movimento e afasta os equívocos. A troca de experiências é algo muito positivo e que não devemos temer. O espírita esclarecido é dedicado à causa, sempre estuda, melhora-se, gradualmente, e trabalha sempre, confiando em Deus – mas usando sua própria razão.
Essas questões precisam ser discutidas para aparelharmos melhor nossas casas, tornando-as colmeias de trabalho, união e amor, para que não se distanciem dos objetivos que nortearam sua fundação.


Orson Peter Carrara

Natal, motivo de mudanças!

“As palavras que eu vos tenho dito são espírito e vida.” (João, 6:13)
Na alegria contagiante dessa época de Natal é importante que acalentemos nossa fé em Jesus sem esquecermos que também ELE deposita sua fé em cada um nós. Isto porque cada Espírito representa um mundo onde o Cristo deve florescer.
Quando estivermos dispostos a manter nossos pensamentos mais simples e mais puros nas felizes notícias trazidas pela Boa Nova, certamente, seremos contagiados por sua claridade sublime, oriunda das Leis Superiores que nos presidem aos destinos e nos ensinam a prática da caridade e do amor ao próximo, extinguindo a incompreensão e o temor.
Cristãos Espíritas, que dizemos ser, somos sabedores de que esperar a reforma do mundo sem proceder, primeiramente, a do homem é uma insensatez inadmissível. Impossível existir povos cristãos sem a necessária edificação da alma cristã.
“Onde estiver Jesus, alma querida e boa,
Ilusão, erros, falhas apareçam embora,
Ainda mesmo que o mal em torno desarvora,
Esclarece, ilumina, ampara, aperfeiçoa.
Onde estiver Jesus, nada se diz à toa,
O engano pede luz onde a verdade mora,
A caridade reina, a esperança, hora a hora,
Alteia-se mais bela; o trabalho abençoa.
Onde estiver Jesus, humilhado ou sozinho,
Nas desfigurações ou nos aleives do caminho,
Inflama-te de amor – sol ardente e fecundo!…
Onde estiver Jesus… Eis que Jesus te espera
A bondade, o perdão, a decisão, a paz, a fé sincera.
Para glória da vida e para a redenção do mundo.” (1)
Dessa forma, o Natal do Senhor reveste-se de profunda importância para cada um de nós em particular, pois temos conosco um grandioso tesouro de bênçãos divinas e um imenso campo de sentimentos por educar, ignorância por corrigir e outros tantos hábitos infelizes por reformar, primeiramente, em nós mesmos e posteriormente em volta dos nossos passos.
Jesus trouxe consigo a mensagem da verdadeira fraternidade e, revelando-a, manteve-se fiel aos desígnios do seu Pai que o enviou desde o berço de palha até o momento de sua morte na Cruz da ignorância, quando mostrou toda sua natureza Superior solicitando ao Pai que nos perdoasse.
Jesus, o Missionário Maior da Redenção Humana, foi e será sempre o maior servidor dos homens de todos os tempos e civilizações da Terra, tornando-se por essa razão o Mestre e Guia a quem devemos seguir.
Assim, resta-nos exercitar em nosso dia a dia as suas ações e seus exemplos recordando que em todas as ocasiões nos recomendou que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou, porque a Boa Nova significa Boa Vontade de crescer amar e servir à Deus, cada vez mais e melhor.
Ofertemos ao semelhante um olhar de simpatia e comecemos a viver, realmente, sob a inspiração do Evangelho de Jesus, iniciando uma nova forma de desfrutar da vida, em busca da harmonia e da paz que ainda não encontramos.
Urge compreender em definitivo, que o Natal não pode mais ser apenas uma promessa de fraternidade para ser vivenciada apenas nessa época do ano, mas, acima de tudo, é a receita recomendada pelo Cristo que nos convence a servir sempre, em vez de esperar ser servido, compreender sem esperar compreensão, fazendo a parte que nos está confiada pela Soberana Sabedoria do Universo, contribuindo para o progresso individual e coletivo da sociedade.
Que busquemos seguir Jesus, nosso Mestre e Guia, renovando desde já a nossa atitude pessoal com seus ensinamentos, porque ninguém vai ao Pai senão por ELE.
Francisco Rebouças
Referências Bibliográficas:
(1) XAVIER, FRANCISCO CÂNDIDO. Espírito Maria Dolores. Antologia da Espiritualidade. Capítulo “Onde Estiver Jesus”.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

ESTAMOS NO FIM DO MUNDO


O planeta Terra está em transição. É o "FIM DO MUNDO" de provas e expiações e o início do mundo de regeneração. Muitos chamam de "FINAL DOS TEMPOS". Sim, final do tempo ruim e início de tempo bom. Enfim, nosso planeta está evoluindo, embora não pareça. Segundo Divaldo Franco no livro Entrevistas & Lições "...no terceiro milênio haverá uma grande transformação...o processo de evolução é muito lento e costumamos dizer que, até o dia 31 de dezembro de 2999 ainda estaremos no terceiro milênio." Entendemos que, a transição acontecerá dentro do terceiro milênio, portanto, não acontecerá tão rapidamente. Estamos naquela "peneira" simbólica que Jesus mencionou, onde está havendo a separação do joio e do trigo. E esta separação ocorre no plano espiritual ao desencarnarmos. Os bons continuarão reencarnando na Terra para dar exemplo e continuidade a um planeta regenerado. E os maus estão tendo a oportunidade de regenerar-se, senão terão que mudar para outro planeta que condizem com seu comportamento. Mas, como está no livro “Transição Planetária”: “Antes, porém, de chegar esse momento, a violência, a sensualidade, a abjeção, os escândalos, a corrupção atingirão níveis dantes jamais pensados, alcançando o fundo do poço, enquanto as enfermidades degenerativas, os transtornos bipolares de conduta, as cardiopatias, os cânceres, os vícios e os desvarios sexuais clamarão por paz, pelo retorno à ética, à moral, ao equilíbrio(...)
“Como em toda batalha, momentos difíceis surgirão exigindo equilíbrio e oração fortalecedores, os lutadores estarão expostos no mundo, incompreendidos, desafiados por serem originais na conduta, por incomodarem os insensatos que, ante a impossibilidade de os igualarem, irão combatê-los, e padecendo diversas ocasiões de profunda e aparente solidão... Nunca, porém, estarão solitários, porque a solidariedade espiritual do Amor estará com eles, vitalizando-os e encorajando-os ao prosseguimento (...)”
Então, colaboremos com esta transição. O mundo só será melhor quando melhorarmos o mundo que existe dentro de nós. Como disse André Luiz: "A vida fora de nós é a imagem daquilo que somos por dentro." Pensemos nisso!

Rudymara

ALIMENTO NO NOSSO LAR


CAPÍTULO 18:
AMOR, ALIMENTO DAS ALMAS

Terminada a oração, chamou-nos à mesa a dona da casa, servindo caldo reconfortante e frutas perfumadas, que mais pareciam concentrados de fluidos deliciosos. Eminentemente surpreendido, ouvi a senhora Laura observar com graça:
- Afinal, nossas refeições aqui são muito mais agradáveis que na Terra. Há residências, em "Nosso Lar", que as dispensam quase por completo; mas, nas zonas do Ministério do Auxílio, não podemos prescindir dos concentrados fluídicos, tendo em vista os serviços pesados que as circunstâncias impõem. Despendemos grande quantidade de energias. É necessário renovar provisões de força.
- Isso, porém - ponderou uma das jovens -, não quer dizer que somente nós, os funcionários do Auxílio e da Regeneração, vivamos a depender de alimentos. Todos os Ministérios, inclusive o da União Divina, não os dispensam, diferindo apenas a feição substancial. Na Comunicação e no Esclarecimento há enorme dispêndio de frutos. Na Elevação o consumo de sucos e concentrados não é reduzido, e, na União Divina, os fenômenos de alimentação atingem o inimaginável.
Meu olhar indagador ia de Lísias para a Senhora Laura, ansioso de explicações imediatas. Sorriam todos da minha natural perplexidade, mas a mãe de Lísias veio ao encontro dos meus desejos, explicando:
- Nosso irmão talvez ainda ignore que o maior sustentáculo das criaturas é justamente o amor. De quando em quando, recebemos em "Nosso Lar" grandes comissões de instrutores, que ministram ensinamentos relativos à nutrição espiritual. Todo sistema de alimentação, nas variadas esferas da vida, tem no amor a base profunda. O alimento físico, mesmo aqui, propriamente considerado, é simples problema de materialidade transitória, como no caso dos veículos terrestres, necessitados de colaboração da graxa e do óleo. A alma, em si, apenas se nutre de amor. Quanto mais nos elevarmos no plano evolutivo da Criação, mais extensamente conheceremos essa verdade. Não lhe parece que o amor divino seja o cibo do Universo?
Tais elucidações confortavam-me sobremaneira. Percebendo-me a satisfação íntima, Lísias interveio, acentuando:
- Tudo se equilibra no amor infinito de Deus, e, quanto mais evolvido o ser criado, mais sutil o processo de alimentação. O verme, no subsolo do planeta, nutre-se essencialmente de terra. O grande animal colhe na planta os elementos de manutenção, a exemplo da criança sugando o seio materno. O homem colhe o fruto do vegetal, transforma-o segundo a exigência do paladar que lhe é próprio, e serve-se dele à mesa do lar. Nós outros, criaturas desencarnadas, necessitamos de substâncias suculentas, tendentes à condição fluídica, e o processo será cada vez mais delicado, à medida que se intensifique a ascensão individual.
- Não esqueçamos, todavia, a questão dos veículos - acrescentou a senhora Laura -, porque, no fundo, o verme, o animal, o homem e nós, dependemos absolutamente do amor. Todos nos movemos nele e sem ele não teríamos existência.
- É extraordinário! - aduzi, comovido.
- Não se lembra do ensino evangélico do "amai-vos uns aos outros"? - prosseguiu a mãe de Lísias atenciosa - Jesus não preceituou esses princípios objetivando tão-somente os casos de caridade, nos quais todos aprenderemos, mais dia menos dia, que a prática do bem constitui simples dever. Aconselhava-nos, igualmente, a nos alimentarmos uns aos outros, no campo da fraternidade e da simpatia. O homem encarnado saberá, mais tarde, que a conversação amiga, o gesto afetuoso, a bondade recíproca, a confiança mútua, a luz da compreensão, o interesse fraternal - patrimônios que se derivam naturalmente do amor profundo - constituem sólidos alimentos para a vida em si. Reencarnados na Terra, experimentamos grandes limitações; voltando para cá, entretanto, reconhecemos que toda a estabilidade da alegria é problema de alimentação puramente espiritual.
Formam-se lares, vilas, cidades e nações em obediência a imperativos tais.
Recordei instintivamente as teorias do sexo, largamente divulgadas no mundo; mas, adivinhando-me talvez os pensamentos, a senhora Laura sentenciou:
- E ninguém diga que o fenômeno é simplesmente sexual. O sexo é manifestação sagrada desse amor universal e divino, mas é apenas uma expressão isolada do potencial infinito. Entre os casais mais espiritualizados, o carinho e a confiança, a dedicação e o entendimento mútuos permanecem muito acima da união física, reduzida, entre eles, a realização transitória. A permuta magnética é o fator que estabelece ritmo necessário à manifestação da harmonia. Para que se alimente a ventura, basta a presença e, às vezes, apenas a compreensão.
Valendo-se da pausa, Judite acrescentou:
- Aprendemos em "Nosso Lar" que a vida terrestre se equilibra no amor, sem que a maior parte dos homens se aperceba. Almas gêmeas, almas irmãs, almas afins, constituem pares e grupos numerosos. Unindo-se umas às outras, amparando-se mutuamente, conseguem equilíbrio no plano de redenção. Quando, porém, faltam companheiros, a criatura menos forte costuma sucumbir em meio da jornada.
- Como vê, meu amigo - objetou Lísias contente -, ainda aqui é possível relembrar o Evangelho do Cristo. "Nem só de pão vive o homem." Antes, porém, de se alinharem novas considerações, tiniu a campainha fortemente.
Levantou-se o enfermeiro para atender.
Dois rapazes de fino trato entraram na sala.
- Aqui tem - disse Lísias, dirigindo-se a mim gentilmente – nossos irmãos Polidoro e Estácio, companheiros de serviço no Ministério do Esclarecimento.
Saudações, abraços, alegria.
Decorridos momentos, a senhora Laura falou sorridente:
- Todos vocês trabalharam muito hoje. Utilizaram o dia com proveito.
Não estraguem o programa afetivo, por nossa causa. Não esqueçam a excursão ao Campo da Música.
Notando a preocupação de Lísias, advertiu a palavra materna:
- Vai, meu filho. Não faças Lascínia esperar tanto. Nosso irmão ficará em minha companhia, até que te possa acompanhar nesses entretenimentos.
- Não se incomode por mim - exclamei, instintivamente.
A senhora Laura, porém, esboçou amável sorriso e respondeu:
- Não poderei compartilhar das alegrias do Campo, ainda hoje. Temos em casa minha neta convalescente, que voltou da Terra há poucos dias.
Saíram todos, em meio do júbilo geral. A dona da casa, fechando a porta, voltou-se para mim e explicou sorridente:
- Vão em busca do alimento a que nos referíamos. Os laços afetivos, aqui, são mais belos e mais fortes. O amor, meu amigo, é o pão divino das almas, o pábulo sublime dos corações.

PRECISAMOS PEDIR MENOS E AGIR MAIS


Estamos em plena Transição Planetária.
As religiões precisam ajudar seus seguidores a melhorar suas atitudes em relação à sua vida e a dos outros. 
Chega de viciar seus fieis a buscarem religião com segunda intenção, somente com interesse de resolver problemas físicos e materiais.
Chega de buscar a voz de “espíritos” em consultas espirituais para saber coisas que a voz da nossa consciência pode responder.
Chega de querer afastar negatividade com amuletos, fórmulas mágicas, orações milagrosas. Quem atrai ou repele o mal são nossas atitudes.
Chega de pedir curas milagrosas do corpo físico aos céus sem se esforçar para cuidar da saúde física e espiritual. 
Chega de empurrar nossas culpas, falhas, erros, vícios aos desencarnados, aos pais ou a outra pessoa qualquer. 
Chega de pedir coisas para Deus e Jesus sem se esforçar em ouvir Seus pedidos para nós.
Somos hoje o que fizemos de nós ontem e seremos amanhã o que fizermos hoje. É a colheita...
Moramos num planeta que abriga espíritos rebeldes e ignorantes, dentre eles estamos nós. Como querer ter pai, mãe, irmãos, filhos, etc., perfeitos?
Precisamos tirar lições dessa convivência.
Muitas vezes nos encontramos na família para aparar arestas que deixamos para trás no passado reencarnatório.
Temos que nos perguntar: Será que não fui um filho ingrato e relapso? Será que não fui um pai ou uma mãe irresponsável? Por que estas pessoas com quem convivo são assim? Por que eu sou assim? Onde devo ajudá-los? Como posso melhorar?
A maior cobrança deve vir de nós para nós. 
É hora de assumirmos responsabilidades, as consequências dos nossos atos.
Mas, onde devemos nos apoiar para pedir ajuda? No Evangelho de Jesus. Nele há as normas de conduta que nos fará responsáveis, fortes e úteis na Sua seara.

Rudymara