#htmlcaption1 Deus, força e luz O evangelho ensinado e vivenciado ha 99 anos

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

so o espirito é - programa de radio Wagner Borges


Paciência e Resignação

Otávio entrou no gabinete do Diretor para despachar um documento de rotina da empresa. Depois de apresentar todo o material, voltou para seu escritório repleto de alterações para fazer no texto.
 Cerca de uma hora depois finalizou as diversas correções e retornou ao chefe. “Agora vai estar tudo certo”, pensou. Sentando-se à frente do seu avaliador, percebeu que não seria bem assim. Com uma caneta vermelha na mão, o patrão rabiscou quase todas as páginas e mandou retornar.
Mais uma hora e meia depois, Otávio retornou ao gabinete com a nova versão. “Agora vai”, pensou mais uma vez. Mas a caneta vermelha novamente coloriu todo o seu trabalho e ele voltou para a sua mesa.
Este movimento se repetiu por quase dez vezes, sendo que em cada momento que ele retornava ao chefe, este se estressava mais e ele ficava mais desanimado.
Na décima oitava vez em que voltou ao gabinete não se conteve com as novas correções e ponderou, quebrando seu silêncio:
– Chefe, essas alterações que o senhor está colocando agora são exatamente aquelas que eu inseri na primeira versão do documento, as quais o senhor disse que estavam erradas.
– As coisas evoluem, Otávio – respondeu o chefe irritado. Agora estou tendo uma visão melhor do relatório. Você é que não entendeu o que eu quero.
Otávio voltou para a sua mesa sem nada falar e foi fechar o documento mais uma vez.
Desta feita, porém, o colega que estava sentado ao lado dele e tinha visto todo o acontecimento ponderou:
– Como você tem tanta paciência, Otávio? Eu não teria aguentado tudo isso.
– A paciência que eu tinha já se esgotou, amigo. Mas deu lugar às preces que faço pelo nosso chefe.
*     *     *
Paciência e resignação são os ensinamentos que a Doutrina Espírita nos concede para suportar as vicissitudes deste plano onde estamos encarnados (1).
Vivendo em um mundo de expiação e provas, estamos sujeitos a diversas situações que podem levar ao limite a nossa paciência, como também podem exigir muita resignação de nossa parte. Logo, falar de paciência e resignação para nós mesmos pode vir a ser, para tantos, uma tarefa muito difícil.
Mais complexo, porém, é falar de paciência e resignação para com os outros. Quantos de nós exercitamos a paciência de ouvir histórias repetidas daqueles cujo tempo já lhes roubou a memória, mas precisam de nossos ouvidos para ainda se sentirem úteis? Quantos de nós nos resignamos diante da tarefa de acolher a dor de um parente enfermo, estar próximo a ele, deixando para trás os apelos da vida que continua à nossa volta?
Devemos estar atentos a estas oportunidades de darmos uma nova face àquilo que chamamos de paciência e resignação, transformando-as em amor e caridade para com o próximo.
Em certos momentos, uma prece, um pequeno gesto de atenção e amor que pareça pouco para nós, poderá ser muito para aquele que recebe cônscio ou não desse gesto.
E mais ainda será para o Divino Pai, cuja benevolência e o amor que envolve a todas as criaturas indistintamente, não deixará de enviar sua espiritualidade de luz para acolher o irmão necessitado, em atendimento às nossas sublimes vibrações.
Márcio Martins da Silva Costa

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

O Capítulo 6 de Mateus








Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Jesus (Mt 6:33)
O Capítulo 6 do Evangelho de Mateus é muito rico em orientações ditadas pelo Senhor Jesus.
Logo no primeiro versículo Ele nos discorre sobre a discrição necessária quando da prática do bem e, em sequência, fala da esmola que deve ser intencionalmente anônima. Ensina-nos a orar sem intenções secundárias, e nos garante que o Pai sabe tudo o que necessitamos mesmo antes de pedirmos. Nesse ponto nos apresenta a oração do Pai Nosso, que se transformou em oração universal.
Sobre a prática religiosa do jejum também indica a mesma discrição da esmola.
Orienta sobre o tesouro pelo qual devemos buscar, os dos Céu, porque nosso coração sempre estará junto ao que escolhermos, e fala que a bondade ilumina o Espírito de quem a pratica.
Aconselha-nos a nos resguardar da ansiedade causada pela vida material, e nos aponta as aves do céu e as flores do campo com sendo objetos dos cuidados de Deus, que muito mais faz por seus filhos humanos, pois Ele sabe do que precisam.
Chegamos, então, ao penúltimo versículo do capítulo, que colocamos no início deste ensaio, e sobre o qual pretendemos reflexionar.
Nele o Senhor nos orienta a buscarmos, em primeiro lugar, o Reino dos Céus e a sua justiça, para que todas as coisas nos sejam acrescentadas.
Quê coisas?
Por Reino dos Céus entendamos Mundo Espiritual, ambos invisíveis, e a eles destinam-se as Almas dos viventes na carne depois da romagem terrena.
Nesse Reino há uma justiça, portanto, um conjunto de Leis que a rege, e a qual tudo e todos estamos sujeitos.
Por simples dedução, o Reino de Deus é tudo o que existe, visível e invisível, conhecido e o ainda desconhecido, portanto, sua lei também abrange os encarnados, e é por isso, podemos concluir, que Jesus disse que o Amor resume “toda a Lei e os Profetas”, referindo-se à Lei de Moisés e ao que preconizavam os Profetas, que eram, como os médiuns em geral, “as vozes dos céus”.
Ensinam os Benfeitores Espirituais, que o Mundo Material se subordina ao Mundo Espiritual, e que o primeiro serve de estágio para o Espírito imortal desenvolver-se moralmente tendo como objetivo último a perfeição relativa a que está destinado, e a Doutrina Espírita, na terceira parte de O livro dos Espíritos, descreve todas as Leis que regem o Mundo Moral, suficientes para o nosso atual estágio evolutivo permitindo, inclusive, conhecer as razões de nossa infelicidade sobre a Terra.
Dessa forma, enquanto insistirmos na busca por satisfações pessoais no campo da posse e da vaidade, do orgulho e do egoísmo, mais nos tornaremos ansiosos por aquilo que não sacia pondo a perder a oportunidade do desenvolvimento espiritual, há tempos inadiável.
Quando almejamos somente o sucesso terreno, em detrimento do espiritual, mais nos expomos ao desajuste da consciência, por contrariar a Lei de Amor que nela reside.
Quis dizer Jesus, nesse versículo, que é necessário nos ajustarmos a Lei de Deus, que é de Amor, ou seja, de desprendimento e justo valor espiritual do que é material, para que todas as coisas que são necessárias ao desenvolvimento do Espírito, e não ao homem corporal, sejam supridas pela Providência Divina.
Portanto, é bom que nós vivamos, conscientemente, o momento presente tirando dele o proveito espiritual necessário, eliminando as inquietações decorrentes da vida material pelo amanhã, porque, pela Lei Natural, “o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal”, encerra o evangelista, com dizeres de Jesus, o último versículo do capítulo em estudo neste pequeno ensaio literário.
Pensemos nisso.
Antônio Carlos Navarro

A Matéria Mental

A Matéria Mental
A Matéria Mental é estudada pelo Espírito André Luiz no capítulo quatro do excepcional livro “Mecanismos da Mediunidade”, psicografado por Francisco Xavier.
Introduzindo o assunto, o Benfeitor estabelece o ponto de partida:
“Identificando o Fluido Elementar ou Hálito Divino por base mantenedora de todas as associações da forma nos domínios inumeráveis do Cosmo.” (2)
Com essa definição é possível interpretar, com André Luiz, o Universo como um todo de forças dinâmicas, expressando o Pensamento do Criador.
E nesse Universo se superpõe a matéria mental que nos é própria, em agitação constante, plasmando as criações temporárias, adstritas à nossa necessidade de progresso.
Desenvolve ainda o Benfeitor:
“Entre o infinitamente pequeno e o infinitamente grande surge a inteligência humana, dotada igualmente da faculdade de mentalizar e cocriar, empalmando, para isso, os recursos intrínsecos à vida ambiente.”(2)
Deduz-se, então, que o Espírito é, naturalmente, um ser destinado a realizar, a construir, no Universo sem fim, a partir de onde se encontre, o que André Luiz confirma ao dizer:
“Como alicerce vivo de todas as realizações nos planos físico e extra físico, encontramos o pensamento por agente essencial. Entretanto, ele ainda é matéria, a matéria mental…
E, da matéria mental dos seres criados, estudamos o pensamento ou fluxo energético do campo espiritual de cada um deles, a se graduarem nos mais diversos tipos de onda, desde os raios super ultracurtos, em que se exprimem as legiões angélicas,… Passando pelas oscilações curtas, médias e longas em que se exterioriza a mente humana, até às ondas fragmentárias dos animais, cuja vida psíquica, ainda em germe, somente arroja de si determinados pensamentos ou raios descontínuos.” (2)
Dessa forma, a Matéria Mental ou Pensamento é exteriorizado por ondas que se espalham a partir do mundo íntimo do Ser Pensante.
Continua o Instrutor:
“Assim é que o halo vital ou aura de cada criatura permanece tecido de correntes atômicas sutis dos pensamentos que lhe são próprios ou habituais, dentro de normas que correspondem à lei dos ‘quanta de energia’ e aos princípios da mecânica ondulatória, que lhes imprimem frequência e cor peculiares.” (2)
Aqui podemos compreender que a sintonia com outras Mentes é um fenômeno natural, fundamentado na frequência de seus geradores e, dessa forma, tanto pode-se ser indutores de vontades e desejos, como ser objeto de indução por outras Mentes que se impõem pela vontade firme.
Confirma o Benfeitor:
“Emitindo uma ideia, passamos a refletir as que se lhe assemelham, ideia essa que para logo se corporifica, com intensidade correspondente à nossa insistência em sustentá-la, mantendo-nos, assim, espontaneamente, em comunicação com todos os que nos esposem o modo de sentir.” (2)
Percebamos que o sentimento surge como elemento importantíssimo na escolha das companhias espirituais no cotidiano.
Completa André Luiz:
“É nessa projeção de forças, a determinarem o compulsório intercâmbio com todas as mentes encarnadas ou desencarnadas, que se nos movimenta o Espírito no mundo das formas-pensamentos, construções substanciais na esfera da alma, que nos liberam o passo ou no-lo escravizam, na pauta do bem ou do mal de nossa escolha. Isso acontece porque, à maneira do homem que constrói estradas para a sua própria expansão ou que talha algemas para si mesmo, a mente de cada um, pelas correntes de matéria mental que exterioriza, eleva-se a gradativa libertação no rumo dos planos superiores ou estaciona nos planos inferiores, como quem traça vasto labirinto aos próprios pés.” (2)
É disso que trata o Senhor Jesus quando aconselhou o “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação.” (1)
Pensemos nisso.
Antônio Carlos Navarro
Referências Bibliográficas:
(1) Mateus, 26-41;
(2) XAVIER, FRANCISCO CÂNDIDO. Mecanismos da Mediunidade. Pelo Espírito André Luiz.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

atendimento fraterno nesta terça-feira


segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Karma e as nossas relações conjugais


KARDEC RIO PRETO | Fernando Rossit
Nos sentimos atraídos por outras pessoas por duas razões, basicamente: afinidade ou compromissos espirituais.
Num primeiro momento, nem sempre é possível distinguir uma coisa da outra quando nos aproximamos de alguém com a intenção de consolidar um relacionamento mais íntimo (amizade, namoro, casamento…).
A dúvida é: – o que estou sentindo advém de uma “atração cármica” ou trata-se de um espírito amigo com o qual já me relacionei saudavelmente no passado?
“Quando duas pessoas se encontram nos caminhos da Vida e sentem, de forma imediata e automática, uma conexão/atração mútua e irresistível, pode tratar-se de uma situação de um relacionamento cármico entre os dois, que já vem de outras vidas”.
Talvez por isso é que muitos relacionamentos que inicialmente pareciam ter tudo para dar certo, acabam de forma dramática e muitas vezes trágica.
Mas por que será que isto acontece? E o que são encontros cármicos?
São encontros de almas que têm pendências de outras vidas para resolverem entre si.

A principal característica de um relacionamento cármico baseia-se no fato de que ambos parceiros carregam emoções não resolvidas dentro de si, tais como culpa, medo, dependência, ciúmes, raiva, ressentimentos etc, trazidas de outras vidas e que precisam ser resolvidas na vida atual.
E a oportunidade de resolver dá-se exatamente pelo “reencontro” entre as duas almas.
Num reencontro cármico, a outra pessoa é-nos imediata e estranhamente familiar, mesmo que nunca a tenhamos visto nesta vida ou que não a conheçamos bem.

Este tipo de reencontro, muitas vezes, acaba por se transformar num relacionamento amoroso ou numa intensa paixão. E então as emoções que experimentamos podem ser tão avassaladoras, que acreditamos ter encontrado a “alma gêmea”.
Por causa da “carga emocional” não resolvida, estes dois seres sentem-se atraídos um pelo outro na vida atual e o reencontro é a oportunidade de resolverem o que ficou pendente e libertarem-se, para uma vivência mais plena e feliz.
Então o que acontece quando duas pessoas assim se encontram?
Dois seres com questões por resolver, quando se encontram, sentem uma compulsão, quase que uma emergência em estar mais perto um do outro.
Entretanto, depois de algum tempo, por força dos problemas e atritos que inevitavelmente surgem no relacionamento atual (dessa vida), poderão repetir os mesmos padrões emocionais que causaram rompimentos e dores numa vida passada.
Uma nova existência juntos é a grande oportunidade para enfrentarem os problemas pendentes e lidar com eles de uma forma mais iluminada.
Ou não!
Tudo depende do grau de maturidade emocional de cada um e da vontade de superar as dificuldades do relacionamento.
Por isso, muitos casais acabam por se separar de forma dramática e dolorida, mesmo que o relacionamento tenha começado num aparente “mar de rosas” e, muitas vezes, nem eles mesmos conseguem perceber muito bem por que as coisas deram errado.
Este tipo de relacionamento, por causa da carga emocional e bloqueios que traz consigo, trará sempre grandes desafios, muitos deles bem dolorosos, que virão à tona mais cedo ou mais tarde.
Após algum tempo, geralmente os parceiros acabam envolvendo-se num conflito psicológico, que poderá ter como base a luta pelo poder, o controle e a dependência, seja emocional, material, ou de outra natureza.

E o que isto significa? Significa que muitas vezes, estes dois seres acabam repetindo comportamentos ou criando situações que o seu subconsciente “ reconhece” de uma vida anterior, onde essas pessoas podem ter sido amantes, pai e filho, patrão e funcionário, ou algum outro tipo de relacionamento.
Pode ser que, nessa vida anterior, um dos dois tenha aberto uma ferida emocional no outro, através infidelidade, abuso de poder, manipulação, agressão etc, tendo provocado cicatrizes profundas e trauma emocional.
O propósito espiritual deste tipo de “reencontro” para ambos os parceiros é que eles aproveitem esta oportunidade para fazer escolhas diferentes das que fizeram numa vida passada e aprendam um com o outro, tudo o que deve ser aprendido e absorvido, para a evolução de ambos.
Identifique se está neste tipo de relacionamento, aprenda as lições necessárias, cresça e amadureça.
Caso ambos parceiros sejam suficientemente maduros e evoluídos emocionalmente, o relacionamento cármico pode sim ser verdadeiramente benéfico e transformador para ambos.


A cura de Chico Xavier em contato com o plano espiritual


O CONSOLADOR
Ensina-nos Allan Kardec, num estudo sobre o Magnetismo, registrado em “O Livro dos Médiuns”, que existem três tipos de maneiras de recolhermos o benefício do passe magnético (que ele chama de mediunidade de cura).
A primeira é através do magnetismo humano, ou animal, onde o magnetizador doa de seu próprio fluido, sem a interferência da espiritualidade; o segundo é o magnetismo espiritual, onde um Espírito pode agir, sem o concurso de um médium, diretamente sobre alguém; e o terceiro, e mais comum, é o misto, onde um Espírito utiliza-se de alguém encarnado para fazer essa transferência magnética.
A história que vamos ler, narrada por Ubiratan Machado e registrada no livro “Chico Xavier por ele mesmo”, editado pela Ed. Martin Claret, de São Paulo, nos mostra Chico recebendo um auxílio dessa natureza, doado diretamente por um benfeitor, durante um desdobramento espiritual, enquanto seu corpo físico estava adormecido. Vejamos a narrativa:
“Em 1946, Chico adoeceu de novo. O caso era grave. O corpo achava-se debilitado pelos constantes trabalhos. Sentia-se fraco, sem ânimo para nada. O diagnóstico era tuberculose.
Conta Ramiro Gama que, em certa manhã de sol, ao ver o médium tão triste, sentado à porta de casa, Emmanuel pôs-lhe a mão no ombro e disse: “Procure reagir. Sua enfermidade é tanto do corpo como do espírito. Não desanime. Se Deus quiser, vai ficar bom. Ao dormir, lembre-se de mim. Vou levar seu Espírito a um lugar muito lindo. Lá, ele será medicado”.
Ao deitar-se, Chico não se esqueceu do compromisso com o amigo. Adormecendo, viu-se passeando em Espírito por um jardim maravilhoso, com flores, como nunca vira na Terra. Lá no fim, sentado num banco e envolto numa luz alaranjada, estava um menino delicado. Emmanuel fez a apresentação. E, para surpresa do médium, o garoto segurou-o no colo com extrema facilidade. Passou as pequenas mãos luminosas pelo corpo de Chico, acariciou-o, apertou-o de encontro ao peito, e depois lhe disse sorrindo: “Pronto, está medicado”.
No regresso para casa, ainda no espaço, Emmanuel explicou-lhe: “Você recebeu um remédio de que estava muito necessitado: transmissão de fluidos. Pela manhã, vai acordar bem melhor, mais forte, sem cansaço e sem febre”.
A partir daí, o médium começou a melhorar, sarando rapidamente.


Partidas e Chegadas

Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara.
O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.
Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.
Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: “já se foi”.
Terá sumido? Evaporado?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.
O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade
que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas.
O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver. Mas ele continua o mesmo. E talvez, no exato instante em que alguém diz:
já se foi, haverá outras vozes,
mais além, a afirmar: “lá vem o veleiro”.
Assim é a morte.
Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos: “já se foi”.
Terá sumido? Evaporado?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.
O ser que amamos continua o mesmo. Sua capacidade mental não se perdeu. Suas conquistas seguem intactas, da mesma forma que quando estava ao nosso lado.
Conserva o mesmo afeto que nutria por nós. Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita no outro lado.
E é assim que, no mesmo instante em que dizemos:
já se foi, no mais além, outro alguém dirá feliz: “já está chegando”.
Chegou ao destino levando consigo
as aquisições feitas durante a viagem terrena.
A vida jamais se interrompe nem oferece mudanças espetaculares, pois a natureza não dá saltos.
Cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário.
A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas.
Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada.
Um dia partimos do mundo espiritual na direção do mundo físico; noutro partimos daqui para o espiritual, num constante ir e vir, como viajantes da imortalidade que somos todos nós.
Richard Simonetti

150 anos de Ciência ao alcance do povo

A Gênese – os milagres e as predições segundo o Espiritismo, última obra do Pentateuco espírita, longe de ser vista como a de menor valor, materializou-se no mundo no ano de 1868, trazendo intensa e esclarecedora luz a todos os ávidos de entendimento das eternas questões mais próximas à Ciência.
Sim, a Filosofia e a Religião espíritas ganhavam a derradeira conotação fundamental, pois sem a contribuição da Ciência jamais se chegaria à fé raciocinada, condição tão pouco entendida pelas correntes do conhecimento religioso e filosófico de então, e, porque não dizer, de agora também.
Jamais se ajuizou que esta virtude teologal, a Fé, as outras sendo a Esperança e Caridade, pudesse ter a sua real sustentação em posições e explicações científicas, pois os dois ramos do conhecimento humano: Religião e Ciência, que vinham se digladiando ao longo dos séculos, e ainda o fazem, sugeriam ser inconciliáveis; água e óleo, se podemos nos expressar desta forma, jamais se misturariam, muito menos se entenderiam, afirmavam categóricos os mais eruditos.
O Codificador, auxiliado pelas inteligências do Universo, na figura de Espíritos superiores, todos coordenados por Jesus, consolida nesta obra conceitos científicos sobre a Gênese, os Milagres e as Profecias, isto em pleno século XIX, no âmago da cultura francesa, a mais intelectualizada da época.
Lança naquele caldeirão do saber a sua contribuição sobre Ciência analisada sob o ponto de vista da Doutrina dos Espíritos. O professor de matérias básicas de ensino na França, diretor de educandário, apresenta ao Mundo uma nova concepção de temas tão antigos quanto a nossa própria História, mas que permaneciam quase estagnados, prisioneiros pelo interminável duelo de forças polarizadas entre a Igreja e a Cátedra. Que desafio! Que coragem! Que confiança!
Discorre sobre as leis divinas, explicando-as, esmiuçando-as, investigando-as, traduzindo-as ao entendimento do povo, trazendo a lume aspectos jamais imaginados destas leis que existiram, existiam e sempre existirão unindo os dois campos até então inconciliáveis: Religião e Ciência.
Espírito e matéria encontram uma utilidade recíproca, um auxiliando o outro, nada se perdendo na grandiosidade das leis divinas, no grande laboratório do Universo. Tudo se encadeando e mutuamente se apoiando. Uma nova visão do antigo mundo a nos cercar se apresentou e quantas dúvidas elucidou? Como ampliou o estreito horizonte do pensamento de então!
A Gênese do mundo foi debatida, bem como a espiritual e a orgânica. Nós, Espíritos imortais, ganhamos conhecimento sobre nós mesmos, pudemos melhor entender o nosso corpo físico, que tanto nos ajuda na promoção de nossa própria evolução, e com este conhecimento temos novo enfoque sobre o mesmo, respeitando-o como insuperável empréstimo de Deus para, trabalhando com ele, alcançar a relativa perfeição, meta fatal a que chegaremos, mais hoje, mais amanhã.
Os milagres tão propalados da Antiguidade que fundamentavam e ainda lastreiam várias teorias obtusas e distanciadas da plena razão, usados para dominação das massas, foram desmistificados, desmaterializados, se podemos nos expressar desta forma, particularmente os chamados milagres produzidos pelo Meigo Carpinteiro.
O incrível e o deslumbrante se apagaram, dando lugar às explicações científicas, às razões da Ciência, comprovadas em grande número, posteriormente, por notáveis pesquisadores que se seguiram a Kardec, na esteira do Mestre. O Codificador havia aplainado o terreno, fornecendo as informações básicas e mostrando os caminhos por onde os cientistas da época, seguramente enviados de Deus, deveriam seguir para bem embasar as teses espíritas.
A reviravolta foi tamanha que nós pudemos nos reconhecer também como “Deuses”, capazes de realizar feitos “milagrosos”, o mais humilde de todos se viu como uma Divindade, pois aqueles tão divulgados prodígios nada mais representavam do que o resultado da atuação de leis divinas até então desconhecidas, e percebeu-se que estas, quando compreendidas e dominadas, facultam a qualquer Espírito sincero e confiante em Deus, a realização também dos seus particulares “milagres”. E muitos de nós os temos feito há bom tempo.
O Enviado de Nazaré não foi mais visto como um mágico vulgar, um prestidigitador comum, um embusteiro, como tantos já vistos e ainda presentes explorando as muitas misérias do povo. Jesus passou a ser visto na condição de um Espírito imortal como todos nós, contudo, já havia há bom tempo adquirido ciência dos mecanismos que regem a vida, sabia como manipulá-los em nome do Pai Excelso. Mostrou-nos Kardec que os cegos que passaram a ver, os paralíticos que passaram a andar e os leprosos que deixaram as deformidades de seus corpos no passado haviam sido curados por meio de providências naturais, atos de bondade e compaixão, sem que qualquer das imutáveis leis de Deus houvesse sido derrogada.
Por outro lado, as apavorantes profecias, que nos amedrontaram e continuam a amedrontar os que se recusam a estudar e aprender as leis do Eterno, perderam o seu caráter misterioso, assustador. Percebeu-se que com o conhecimento espírita qualquer um pode profetizar, ou seja, dizer o que acontecerá no futuro em grandes aspectos, pois já entende ser a semeadura de agora determinante para a colheita do amanhã. E isto não é a essência da profecia?
A gênese, este tratado de lições eternas, manancial de explicações e esclarecimentos, elucidador de variadas questões, está ao nosso alcance, das nossas mãos. Honremos estes 150 anos de sua existência e, simultaneamente, glorifiquemos o seu autor, lendo, estudando, esquadrinhando cada parágrafo, cada frase, cada palavra, retirando a seiva duradoura destes escritos, libertemos os seus ensinos, ainda prisioneiros e desconhecidos das grandes massas.
Neste ano em que se completa mais um aniversário do lançamento desta obra imortal, reverenciemos o esforço do Mestre Lionês, não deixando para amanhã, tampouco para a próxima reencarnação, o estudo deste extraordinário livro: A gênese.
Rogério Miguez

Paciência e Resignação

Otávio entrou no gabinete do Diretor para despachar um documento de rotina da empresa. Depois de apresentar todo o material, voltou para seu escritório repleto de alterações para fazer no texto.
 Cerca de uma hora depois finalizou as diversas correções e retornou ao chefe. “Agora vai estar tudo certo”, pensou. Sentando-se à frente do seu avaliador, percebeu que não seria bem assim. Com uma caneta vermelha na mão, o patrão rabiscou quase todas as páginas e mandou retornar.
Mais uma hora e meia depois, Otávio retornou ao gabinete com a nova versão. “Agora vai”, pensou mais uma vez. Mas a caneta vermelha novamente coloriu todo o seu trabalho e ele voltou para a sua mesa.
Este movimento se repetiu por quase dez vezes, sendo que em cada momento que ele retornava ao chefe, este se estressava mais e ele ficava mais desanimado.
Na décima oitava vez em que voltou ao gabinete não se conteve com as novas correções e ponderou, quebrando seu silêncio:
– Chefe, essas alterações que o senhor está colocando agora são exatamente aquelas que eu inseri na primeira versão do documento, as quais o senhor disse que estavam erradas.
– As coisas evoluem, Otávio – respondeu o chefe irritado. Agora estou tendo uma visão melhor do relatório. Você é que não entendeu o que eu quero.
Otávio voltou para a sua mesa sem nada falar e foi fechar o documento mais uma vez.
Desta feita, porém, o colega que estava sentado ao lado dele e tinha visto todo o acontecimento ponderou:
– Como você tem tanta paciência, Otávio? Eu não teria aguentado tudo isso.
– A paciência que eu tinha já se esgotou, amigo. Mas deu lugar às preces que faço pelo nosso chefe.
*     *     *
Paciência e resignação são os ensinamentos que a Doutrina Espírita nos concede para suportar as vicissitudes deste plano onde estamos encarnados (1).
Vivendo em um mundo de expiação e provas, estamos sujeitos a diversas situações que podem levar ao limite a nossa paciência, como também podem exigir muita resignação de nossa parte. Logo, falar de paciência e resignação para nós mesmos pode vir a ser, para tantos, uma tarefa muito difícil.
Mais complexo, porém, é falar de paciência e resignação para com os outros. Quantos de nós exercitamos a paciência de ouvir histórias repetidas daqueles cujo tempo já lhes roubou a memória, mas precisam de nossos ouvidos para ainda se sentirem úteis? Quantos de nós nos resignamos diante da tarefa de acolher a dor de um parente enfermo, estar próximo a ele, deixando para trás os apelos da vida que continua à nossa volta?
Devemos estar atentos a estas oportunidades de darmos uma nova face àquilo que chamamos de paciência e resignação, transformando-as em amor e caridade para com o próximo.
Em certos momentos, uma prece, um pequeno gesto de atenção e amor que pareça pouco para nós, poderá ser muito para aquele que recebe cônscio ou não desse gesto.
E mais ainda será para o Divino Pai, cuja benevolência e o amor que envolve a todas as criaturas indistintamente, não deixará de enviar sua espiritualidade de luz para acolher o irmão necessitado, em atendimento às nossas sublimes vibrações.
Márcio Martins da Silva Costa